Cut Copy no Coliseu de Lisboa – Matiné dançante

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Talvez já não nos façam ir até ao meio da pista nem dançar a noite toda. Mas, sem dúvida, ainda nos abanam o esqueleto.

Como aconteceu a tantas outras bandas e artistas, o regresso dos Cut Copy a Portugal, inicialmente previsto para março de 2021 (que previa também uma paragem no Porto) e posteriormente adiado para outubro de 2021, apenas no passado 4 de novembro de 2022 (e sem data no Porto) se conseguiu concretizar. O Coliseu de Lisboa (sala onde tinham atuado em 2011) foi o local escolhido para encerrarem a sua digressão europeia.

20h foi a hora escolhida para o início da sua atuação, horário que estranhou a muito boa gente, especialmente dadas as características e sonoridade da banda. E se até defendemos horários menos tardios para muito bom concerto (tal como acontece pela Europa fora), um concerto de Cut Copy, a uma 6ª feira, às 20h, não é (nem foi), de todo, a melhor escolha. Se foi pela hora ou por a banda já não ter o impacto de outros tempos, não sabemos. Mas esperáva-nos um cenário desanimador quando, pelas 20h, entramos num Coliseu que estaria preenchido a um quarto da sua capacidade. Menos ainda se entende que o início do concerto se atrase 30 minutos (talvez na esperança que a sala se preenchesse mais um pouco? Ficou, ainda assim, áquem da metade). Avancemos.

Os Cut Copy, são, sem dúvida, uma das mais bem sucedidas bandas de synth-pop dos últimos anos. Contudo, a fórmula bem-sucedida de discos como In Ghost Colours, de 2008 (muito provavelmente o seu melhor disco), e Zoonoscope (de 2011, outro grande marco da banda), dá sinais de estar esgotada, não tendo produzido grandes sucessos nos álbuns mais recentes, o que acabou por transparecer ao longo do concerto.

A entrada fez-se ao ritmo dos sons tribais e adocicados de “Standing in the Middle of the Field”, de Haiku from Zero (2017), com um esbracejante Dan Whitford, vocalista e teclista fundador da banda, acompanhado por Mitchell Scott, na bateria, e Tim Hoey, na guitarra (e em algumas teclas). Devido a doença, Ben Browning, quarto elemento da banda, não marcou presença.

Os já citados In Ghost Colours e Zonoscope continuam a alimentar boa parte dos seus concertos. De lá retiraram, entre outras, “Feel the Love” (cheia de uuhhh uuhhhs e de french touch), “Take Me Over” (com os seus coros repetitivos), e a festiva “Out There On Ice” (um dos momentos mais bem conseguidos da noite). Ao longo do concerto, foram sentidas algumas falhas nos vocais, muitas vezes num volume demasiado baixo. Também nos demos conta de que, de facto, Dan Whitford, não é um grande cantor, sendo notórias algumas debilidades. Sempre muito gesticulativo e irrequieto, mostrou-se grato por, dois anos depois estar de volta à estrada e a Lisboa (o que, já se sabe, a pandemia não permitiu fazer mais cedo).

A arrastada “Let Me Show Your Love” (de Free Your Mind, de 2013), fortemente movida a Happy Mondays e Stone Roses, foi das poucas a quebrar a cadência. Problemas técnicos em “Like Breaking Glass”, levaram a que esta só arrancasse à terceira, depois de duas falsas partidas (“third time is the charm”).

Foi um dos grandes hits da banda, “Lights & Music” (cantada a plenos pulmões pelos presentes), já numa fase adiantada do concerto, a abrir verdadeiramente a pista de dança, numa versão mais acelerada do que em disco. “Saturdays” e “Sun God” trouxeram sons intergaláticos até Lisboa, antes de “Need You Now”, essa bonita canção de crescendo contido (que nunca chega a ter clímax), fechar o corpo principal do concerto. Após uma curta saída de cena para se pedir o encore, a banda regressa, agradecendo aos presentes e, pasme-se, também eles juram ser Lisboa a sua cidade favorita. Se é verdade ou não, não sabemos. Mas fica sempre bem.

O encore é feito com “Running in the Grass” (na nossa opinião, canção pouco memorável e que nada acrescentou ao concerto) e, claro, com a inevitável (e muito bem-vinda) “Hearts On Fire”, virtiginosa canção que trouxe o clímax negado por “Need You Now” e que fez dançar, às 22h, os poucos (mas bem audíveis) presentes como se fossem 2h.

Os Cut Copy provaram em 1h30 de concerto que podemos continuar a contar com eles para nos fazerem dançar. Talvez já não nos façam ir até ao meio da pista nem dançar a noite toda. Mas, sem dúvida, ainda nos abanam o esqueleto.

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