Nova central de biomassa permite à Renova cortar mais de metade das emissões e substituir grande parte do gás natural na produção.
A Renova concluiu um investimento de cerca de 11 milhões de euros na unidade industrial de Torres Novas, com a instalação de uma central de biomassa destinada a substituir, em grande parte, o gás natural utilizado na produção de energia térmica para o fabrico de papel tissue. A intervenção insere-se na estratégia de descarbonização da empresa e contou com apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiado pela União Europeia, no montante de aproximadamente 5,8 milhões de euros.
A nova infraestrutura permite reduzir em mais de metade as emissões de dióxido de carbono associadas à atividade da fábrica, tendo como referência os níveis registados em 2020. Segundo dados apresentados pela empresa, a redução atinge 50,6%, o equivalente a cerca de 54 mil toneladas de CO₂ evitadas por ano. O objetivo inicial apontava para uma diminuição de 43%, meta que acabou por ser ultrapassada após a entrada em funcionamento do sistema.
A central de biomassa foi integrada na chamada Fábrica 2, localizada na Zibreira, no concelho de Torres Novas, e passou a assumir um papel central na produção de vapor necessário ao processo industrial. O gás natural mantém-se como solução de recurso, sendo utilizado apenas em situações de manutenção ou falha da nova unidade.
A instalação tem capacidade para processar até 90 toneladas diárias de biomassa, armazenadas em dois silos, sendo que a combustão ocorre a temperaturas na ordem dos 1000 graus Celsius, gerando até 18 toneladas de vapor por hora. As cinzas resultantes do processo são recolhidas e encaminhadas para reutilização, nomeadamente em compostagem.
O projeto integra um conjunto mais alargado de medidas de eficiência energética implementadas na unidade, incluindo sistemas de recuperação de calor residual, reforço da monitorização ambiental e a introdução de tecnologias adicionais no processo de secagem do papel. No total, a empresa indica ter aplicado sete medidas distintas no âmbito desta intervenção.
O investimento agora concluído insere-se num ciclo mais amplo de modernização das instalações da Renova em Torres Novas. Nos últimos 12 anos, a empresa refere ter aplicado cerca de 152 milhões de euros em áreas como expansão da capacidade produtiva, automação, eficiência energética, logística, digitalização e inovação de processos.
A atividade da empresa mantém uma forte componente internacional, com cerca de 60% das receitas provenientes de exportações para mais de 70 países. Entre os principais mercados destacam-se Espanha, França e Bélgica.
A Renova, fundada em 1939 e sediada junto à nascente do rio Almonda, emprega cerca de 650 trabalhadores e tem vindo a desenvolver produtos e soluções diferenciadas no segmento do papel tissue, incluindo gamas com fibras recicladas e novas abordagens ao design e funcionalidade dos produtos.
