A operadora espanhola Renfe aposta em Portugal como eixo de expansão, suportada por novos comboios e pelo desenvolvimento da alta velocidade lusa.
A Renfe e a Talgo chegaram a acordo para a modificação de 15 dos 30 comboios de alta velocidade inicialmente concebidos com bitola fixa europeia, passando toda a frota a dispor de tecnologia de bitola variável. Esta alteração permitirá uma maior flexibilidade operacional, possibilitando a circulação em diferentes redes ferroviárias da Península Ibérica sem necessidade de transbordo ou troca de material circulante.
Por outras palavras, a Renfe está a preparar a sua entrada em Portugal. É algo que não causa surpresas, dado que, em 2024, a empresa celebrou um acordo estratégico com CP – Comboios de Portugal, com vista à definição de modelos de exploração conjunta. Esta colaboração tem também em consideração o aumento esperado da procura associado à realização do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030, que será coorganizado por Portugal e Espanha.
Com a conversão das 15 unidades agora previstas, a Renfe passará a dispor de um total de 30 comboios de alta velocidade com bitola variável. A estes deverão juntar-se, num horizonte próximo, mais 13 composições da nova Série 107, elevando o total para 43 unidades potencialmente aptas a operar também em território português, sujeitas a processos de homologação.
O interesse da operadora espanhola centra-se sobretudo em duas ligações principais: o eixo norte, entre Vigo e o Porto, e o corredor entre Lisboa e Madrid, através da Extremadura.
Recorde-se que Portugal tem em curso um plano de desenvolvimento da alta velocidade, mantendo a opção pela bitola ibérica, ao contrário de Espanha, que utiliza maioritariamente a bitola europeia nas linhas de alta velocidade. Entre os projetos prioritários está a ligação entre Lisboa e Porto, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2032. Nesse mesmo ano, deverá também ser concluída a ligação entre o Porto e Vigo. Já a conexão ferroviária entre Lisboa e Madrid, através da fronteira na região da Extremadura, só deverá estar operacional em 2034.
Uma das infraestruturas mais relevantes desta fase de desenvolvimento será a construção de uma terceira travessia sobre o rio Tejo. Esta nova ponte deverá permitir uma redução estimada de cerca de 30 minutos nos tempos de viagem em direção ao sul e à fronteira com Espanha, contribuindo para viabilizar uma ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid em aproximadamente três horas, face às mais de oito horas atualmente necessárias.
Este esforço insere-se num plano mais amplo apresentado pela Comissão Europeia em novembro, que define o desenvolvimento da rede ferroviária de alta velocidade até 2040. O programa prevê um investimento total que poderá atingir os 546 mil milhões de euros ao longo de 15 anos, com o objetivo de triplicar a extensão da rede, passando de 12 .000 para cerca de 36.000 quilómetros.
A transportadora compromete-se a pagar à Talgo um total de 132 milhões de euros pela conversão destas unidades.
Foto: Talgo
