O CECH da Universidade de Coimbra lança o projeto Joias de Família: o Belo Comestível, que desafia os portugueses a partilhar receitas e memórias culinárias num gesto de preservação do património alimentar.
Em Coimbra, o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (CECH) da Universidade de Coimbra lançou um desafio nacional inédito que coloca as receitas de família no centro do debate sobre o património cultural e alimentar português. A iniciativa, intitulada Joias de Família: o Belo Comestível, convida pessoas de todo o país a partilhar as suas receitas, memórias e histórias culinárias, transformando saberes domésticos e tradições orais em elementos museológicos.
Esta será a primeira exposição em Portugal dedicada às receitas herdadas entre gerações – guardadas em cadernos antigos, aprendidas de observação ou transmitidas oralmente – tratadas como património cultural vivo.
As receitas selecionadas darão origem a uma exposição dupla: a primeira no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, entre 20 de maio e 19 de junho, e a segunda no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a 21 de maio, no espaço Foyer Luís de Freitas Branco. Ambas prometem revelar o papel da comida como veículo de memória e identidade nacional.
O projeto insere-se em três dimensões complementares: o trabalho de investigação do CECH, o projeto europeu CONVIVIUM: New European Bauhaus Solutions in Food, Living Heritage, and Conviviality, e a celebração dos 10 anos do doutoramento em Patrimónios Alimentares: Culturas e Identidades, pioneiro em Portugal nesta área académica. As comemorações incluem o colóquio Pensar a Comida. Patrimónios Alimentares – 10 Anos de Investigação & Ensino, marcado para 20 e 21 de maio, em Coimbra e Lisboa.
A exposição será construída a partir dos contributos enviados por participantes de todo o país e incluirá três núcleos principais: pratos confecionados especialmente pelas Escolas de Hotelaria de Coimbra e Lisboa, que serão apresentados como peças expositivas e degustados em momentos específicos; cadernos manuscritos de receitas, tratados como objetos de memória cultural; e receitas em formato visual, garantindo diversidade de conteúdos e participação.
No Museu Nacional Machado de Castro, a mostra será complementada por elementos do próprio espólio, como louça de mesa e pinturas de temática alimentar, reforçando o diálogo entre a comida e as artes visuais. Após o primeiro dia de exposição, as receitas inicialmente apresentadas sob a forma física serão substituídas por imagens, assegurando a continuidade do acervo expositivo.
Foto: Ana Beatriz via Unsplash
