Public Service Broadcasting no Lisboa ao Vivo – As aventuras da evolução da humanidade

A noite estava nublada, era domingo e as temperaturas não estavam convidativas para uma saída noturna. Apesar dos longos panos negros que aconchegaram o Lisboa ao Vivo, o público tardou em aparecer para o primeiro concerto em nome próprio dos Public Service Broadcasting (PSB). A banda inglesa passou este ano pelo festival NOS Primavera Sound, dando um excelente concerto mesmo sob chuva forte, e, em 2014, no Vodafone Paredes de Coura.

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Com o relógio a aproximar-se das 21h30, o som da sala aumentou. As conversas terminaram e a pequena multidão aproximou-se do palco ao som de “Sound and Vision” do lord Bowie. Pelo escuro do palco entraram três figuras, todos eles de óculos de massa, um de lacinho e dois de gravata.

Começava a viagem musical com o borbulhar de “The Unsinkable Ship”, umas das quatro músicas compostas para contar a história do gigante Titanic. Seguiu-se “White Star Liner”, música homónima do EP lançado este ano a convite da BBC. As quatro músicas inéditas deste novo trabalho foram pensadas para um concerto no porto de Belfast, de onde partiu o famoso barco em 1911.

Os PSB são conhecidos pelo uso de gravações de vozes antigas que J. Willgoose, Esq., o frontman da banda, orquestra nos vários temas. Estes registos de outros tempos são usados também nas projeções, onde podemos ver imagens do espaço, satélites, operários fabris ou mesas com botões. O espetáculo fica composto não só pela música, mas também por todo o imaginário que o trio consegue criar.

Em “Theme From PSB”, um dos clássicos da banda, voltámos ao universo frenético dos jogos 8- bit acompanhado pela calma do banjo de Willgoose, que deixou o público em modo dançante pelo espaço da sala. Os mais entusiasmados ainda acompanhavam a voz da gravação gritando “Public Service, Public Service, Public Service Broadcasting”.

Se existem bandas com viagens prometidas ao espaço, esta é uma delas. Assim foi nos temas “Sputnik”, “Korolev” e “e.v.a.”, onde as imagens de missões de conquista do espaço foram o pano de fundo da viagem dançante que o baixista e teclista JF Abraham fez pelo palco.

Voltámos a tempos mais próximos para conhecer algumas faixas do álbum lançado no ano passado, Every Valley, e, em boa verdade, as músicas “People Will Always Need Coal” e “Progress” pareciam bandas sonoras de filmes ou o capítulo de uma odisseia.

Pouco depois, na canção “They Gave Me a Lamp”, mudou-se o registo de aventuras e o público entrou na epopeia da conquista dos direitos civis do século XX, com vozes de mulheres em protestos pelos direitos femininos.

De repente, ouvimos sirenes com as luzes a acompanharem a intermitência sonora de um carro de emergência. O interlocutor diz-nos que chegámos ao tema “London Can Take It”, música que integra locuções do filme com o mesmo nome sobre a ocupação da cidade de Londres pelas forças alemãs.

Avançámos na história em modo arcade espacial a la PSB com “Spitfire” e “The Other Side”. Por fim, “Go!”, música várias vezes pedida durante o concerto pela silenciosa plateia, começa e fez com que as cabeças dos presentes acompanhassem a alegre melodia. Pouco depois, escutámos “All Out”, a música mais post-rock do repertório apresentada.

Os Public Service Broadcasting são excelentes músicos e compositores de universos espaciais. Nas suas músicas, o grupo explora as aventuras da evolução da humanidade e a conquista de novos conhecimentos como podemos ouvir e ver em “Gagarin” e “Everest”, as duas músicas com que terminaram o espetáculo.

Texto por: Joana Domingues; Fotos de: Carlos Mendes

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