PlayStation Classic – Um brinquedo para jogadores casuais

por David Fialho

Estávamos a meio da década de 90 quando a Sony decidiu lançar a sua primeira consola, a PlayStation, em resposta à Nintendo e, na altura, à SEGA.

Agora, quase a chegarmos ao fim de 2018, no auge da quarta geração de consolas da PlayStation, recebemos a PlayStation Classic, uma recriação limitada da consola que deu origem ao império da Sony nos videojogos.

Limitada é a palavra chave. Em vez de um relançamento da consola adaptada aos tempos modernos, a Sony decidiu entrar na carruagem da Nintendo ao produzir um dispositivo que pretende ser uma espécie de Greatest Hits da marca, simulando a representação dos produtos originais.

Não há dúvida que, no aspeto, a Sony fez aqui algo de especial. A PlayStation Classic está para a PlayStation 1 como carros de coleção à escala.

Com 40% das dimensões da original, a PS Classic é mesmo pequenina e vem com todos os detalhes da original. Numa palavra, podemos dizer que é “adorável.” E para quem tem gosto pelo colecionismo, não há qualquer dúvida que a PS Classic fica mesmo bem exposta num móvel.

Mas existem algumas diferenças óbvias que são, também, funcionais. Na frente, as slots dos memory cards estão fechadas e as portas dos comandos são USB. Já na traseira, a porta de alimentação é uma micro USB e a de vídeo uma HDMI.

Os botões também estão fielmente replicados, com o de Power a ser utilizado com esse propósito, o de Reset para regressar ao menu de jogos e o de abrir a tampa de CDs para mudar de disco em jogos que o requiram.

Altamente bem recriados são também os dois comandos, sendo réplicas exatas dos originais, à exceção de funcionarem por USB. O seu formato intemporal, que ainda é a base dos atuais DualShock, tornam a sua utilização bem familiar, mesmo para quem não jogou PlayStation 1. Menos bom é o facto destes não serem DualShocks, com analógicos e vibração.

Um dos problemas iniciais com a utilização da PS Classic é reparar que esta não inclui um adaptador para o cabo USB. É um pouco estranho esta decisão quando até telemóveis baratos normalmente o fazem. Contudo, esta ausência não impede a sua utilização. Uma ficha USB existente em qualquer televisão é o suficiente para alimentar esta pequena consola, que só funciona quando a televisão está ligada.

Ao ligar a PS Classic, somos recebidos com o icónico som da PlayStation Computer Entertainment, aqui remasterizado em alta qualidade. É apenas um cartão, mas o suficiente para nos atirar para uma era em que tudo era mais simples.

Simplicidade é outra palavra chave na PS Classic. As opções e definições são quase inexistentes e não há qualquer tipo de ligação à rede, o que significa que a PS Classic é um produto final, sem capacidade de receber atualizações, melhorias ou novos jogos.

Ao todo, temos 20 títulos pré-instalados. Jogos lançados para a PlayStation entre 1994 e 2000, que pretendem ser os tais “Greatest Hits.” Na lista, encontramos jogos como Final Fantasy VII, Ridge Racer Type 4, Metal Gear Solid, Rayman e Tekken 3, entre muitos outros.

A qualidade da lista é, de alguma forma, objetiva, mas é fácil encontrar aqui jogos menos populares ou obscuros que nos deixam um gosto amargo pela falta de outros jogos como um Tomb Raider, Tony Hawk’s Pro Skater, Spyro ou Crash Bandicoot, ou até um Gran Turismo, exemplos de jogos que definiram a geração, e que foram, provavelmente, os únicos títulos que alguns jogadores tiveram na altura.

Como tem sido tema na Internet, o desempenho dos jogos deixa algo a desejar, especialmente para quem tem um olho mais técnico sobre o assunto e procurava uma espécie de “experiência definitiva” nesta consola.

Há muitos fatores que podem justificar a sensação de desilusão, como por exemplo o modo como os jogos simplesmente envelheceram e o charme da novidade de jogos em 3D ser já inexistente; o facto de termos jogos na sua versão mais lenta, a europeia; ou o simples facto da nostalgia nos criar memórias de experiências bem mais apelativas do que realmente foram.

Contudo, para quem não se preocupar com essas coisas, com a exceção de jogos da lista como GTA ou Tom Clancy’s Rainbow Six, a experiência de cada um dos títulos engana bastante bem, com um desempenho sólido ao criar a ilusão de estarmos perante os originais da altura.

Muitos serão aqueles que dirão, com as suas razões, que a PS Classic não corresponde às suas expectativas. É, de facto, uma consola algo limitada e que não oferece todos os jogos que gostaríamos de ter. Ainda assim, é impossível ficar indiferente à sua forma adorável e ao facto de ser a forma mais barata de jogar, legalmente, todos estes 20 jogos.

Se nunca tiveram uma PlayStation 1 e gostavam de jogar alguns dos seus títulos mais importantes ou são colecionadores deste tipo de equipamentos, a PS Classic pode mesmo valer a pena. Mas não esperem uma coleção de jogos remasterizados ou melhorados.

A PlayStation Classic está à venda nas lojas por 99,99€.

Este produto foi cedido pela PlayStation Portugal.


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