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Peter Murphy e os Bauhaus – A (fabulosa) herança gótica

A celebrar os 40 anos de formatura dos icónicos Bauhaus, Peter Murphy – vocalista (ainda) assombrado pelas soturnas composições da banda – embarcou numa tour para celebrar o facto, tocando o álbum de estreia, In a Flat Field, do princípio ao fim. Em nome próprio? Sim… ou quase. A acompanhá-lo vem David J. (baixista da formação original dos Bauhaus), Mark Thwaite (ex-guitarrista dos Mission) e Marc Slutsky na bateria. Uma formação de luxo num espaço que se mostrou uma escolha bastante adequada ao ambiente: a Sala das Colunas do LX Factory.

Não que a “receita” não nos pareça similar. Afinal, no passado Agosto, os mesmos Peter Murphy e David J. passaram por Vilar de Mouros com o mesmo tema, diferindo na setlist (em Vilar de Mouros foi servido um best of). Mas, se ouvir um best of é uma coisa, ouvir um álbum inteiro é outra completamente diferente. E foi isso que a plateia da Sala das Colunas fez. Dedicadamente.

Peter Murphy encarna toda uma postura – gótica – que conquistou miúdos e graúdos há já 40 anos. Os miúdos e graúdos são outros. Mas a questão é mesmo essa: o som dos Bauhaus continua a ser uma herança que ainda conquista camadas jovens (ao meu lado estava um jovem imberbe a vibrar com aquele senhor de 61 anos no palco; Peter Murphy, pois claro!). Aos primeiros acordes de “Double Dare”, todos sabíamos para onde estávamos a ir. Afinal, álbum de estreia dos Bauhaus é um marco na história do rock gótico e isso é bastante visível no entusiasmo do público.

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Sendo o álbum tocado num todo, é natural que haja canções que sobressaem mais do que outras, mas há que notar aqui dois pormenores: a forma impressionante como Peter Murphy nos seduz com a sua voz e presença e a performance muito bem conseguida do grupo a cada música. Em boa verdade, Mark Thwaite, que já acompanha Peter Murphy há algum tempo, bem pode ser considerado um substituto de Daniel Ash (guitarrista original dos Bauhaus), pois a única coisa que se lhe pode apontar é a mestria com que tocou todas as canções apresentadas esta noite, com especial menção para “A God in an Alcove”, “Stigmata Martyr”, “In the Flat Field” e “Nerves” (que fecha o álbum).

E se In a Flat Field é um álbum que nem chega a ultrapassar 40 minutos de duração, que são consumidos enquanto o Diabo esfrega um olho, Peter Murphy foi bem generoso nas restantes canções apresentadas e que fizeram os delírios dos fãs. Com efeito, e apesar deste ser um concerto focado no primeiro álbum, não faltaram outros hits da (pequena) discografia dos Bauhaus: desde “Burning From the Inside”, “She’s in Parties” e os muito celebrados “Bela Lugosi’s Dead” (facilmente a canção mais esperada e aclamada da noite), “The Passion of Lovers” e o frenético “Dark Entries”.

Os encores (sim, foram dois) serviram para um repescar a The Three Shadows, part II, para sermos brindados com três covers, um apanágio dos Bauhaus: “Severance”, original dos Dead Can Dance, “Telegram Sam”, dos T-Rex, e ainda o clássico de David Bowie “Ziggy Stardust”, que serviu de chave-de-ouro.

Se ficaram a faltar outras? Claro que sim… não ouvimos “All I Ever Wanted is Everything” ou “The Sanity Assassin”, por exemplo. Mas viemos todos embebidos num espírito “Bauhausiano” que nem a chuva que caia demoveu. É, pois, a tal herança gótica que leva uns 40 anos intemporais.

Fotos por: Graziela Costa


 

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