O contactless tornou-se o gesto por defeito em Portugal, mas do lado de quem vende o terminal continua a ser um aparelho à parte. A nova geração de apps de pagamento quer eliminá-lo.
Quem vende numa feira, num mercado de fim de semana ou ao domicílio conhece o problema. O cliente estende o cartão ou o telemóvel, e do outro lado há um terminal alugado, com bateria própria, contrato mensal e uma ligação que falha no pior momento. Durante anos, a alternativa foi pedir uma transferência ou anotar o número para enviar o pedido mais tarde.
O que mudou é que o telemóvel do vendedor passou a conseguir fazer o trabalho do terminal. O chip NFC que serve para pagar é o mesmo que serve para receber: basta uma app que esteja autorizada a usá-lo, e o cliente encosta o cartão físico ou o Apple Pay ao iPhone de quem vende, sem leitor nem cabo. No Android, os telemóveis com NFC conseguem o mesmo com as apps que o suportam.
Na prática, isto aproxima o comércio ambulante da experiência que as lojas já têm. A Whop, por exemplo, mostra um botão de Tap to Pay por baixo do código QR de cada link de pagamento na sua app iOS, aceita cartões físicos e Apple Pay sem qualquer terminal, e o valor cai no saldo da conta do vendedor; a função limita-se a pagamentos pontuais, não a subscrições, e só existe nos mercados onde a Apple a disponibiliza.
Há limites, e convém conhecê-los. O Tap to Pay no iPhone exige um modelo XS ou posterior com iOS 16.4 ou mais recente, segundo a documentação da própria tecnologia. Nem todas as apps o oferecem em todos os países, e quem depende de pagamentos recorrentes continua a precisar de outra solução. E o MB WAY, que para muitos clientes portugueses é a primeira escolha, segue o seu próprio caminho, fora deste circuito.
Mesmo assim, a direção é clara. O mesmo movimento que fez a logística de encomendas consolidar-se, como se viu na fusão da Colis Privé com a PAACK, está a chegar ao ponto de venda: menos equipamento dedicado, mais funções no aparelho que já está no bolso.
Para o pequeno comerciante, a pergunta deixou de ser se vale a pena ter um terminal. Passou a ser se ainda precisa de um.
