O OPPO Find X9 Ultra é um smartphone construído à volta da fotografia, mas a sua proposta vai muito além das câmaras, juntando desempenho elevado, grande autonomia e um conjunto técnico sem grandes compromissos.
Anunciado em maio como um dos smartphones mais ambiciosos da marca, o OPPO Find X9 Ultra pode muito bem ter entrado na lista dos melhores smartphones que já testei, ao responder a essas ambições com um conjunto de características que o tornam tão avançado como completo, sendo capaz de responder às necessidades dos utilizadores mais existentes.
A versão que me chegou às mãos conta com acabamento em Preto Umbra em couro sintético, transmite uma aura íntima e distinta, com um toque que faz lembrar a mítica Hasselblad X2D. Já a sua traseira exibe discretamente as palavras OPPO e Hasselblad – aliás, a presença da Hasselblad é tão evidente que, em alguns momentos, parece quase um smartphone construído quase na sua totalidade em torno dessa parceria. Em termos de dimensões, conta com 163 mm de altura, 777 mm de largura, 9,1 mm de espessura e 236 gramas, pelo que podemos considera-lo um telefone grande. E nas certificações, o Find X9 Ultra também não desilude, com o IP69 e SGS Premium Performance 5 Stars Drop a colocarem-no no topo da robustez.
No seu corpo encontramos a gaveta para dois cartões SIM, embora o suporte a eSIM também esteja presente. Há ainda o altifalante principal, o botão de energia, os controlos de volume e um botão adicional no canto superior direito, com este último a fazer lembrar o botão de ação dos iPhones, que aqui serve sobretudo para interagir com a inteligência artificial da OPPO, capaz de organizar notas de voz e de fazer capturas de ecrã num Diário Inteligente. É uma função que confesso que até gostei, sobretudo porque com o passar do tempo pode tornar‑se essencial para quem gosta de manter tudo organizado – funcionalidades que no passado já surgiram em dispositivos OnePlus e Nothing. Outro elemento curioso é o Botão Rápido, colocado na parte inferior direita, que permite fotografar, filmar e até fazer zoom deslizando o dedo.
No entanto, nem tudo é perfeito. A pegada torna-se mais firme graças ao posicionamento do dedo indicador, mas os relevos à volta do módulo fotográfico acabam por incomodar ao fim de alguns minutos. Mesmo para quem não tem a pele sensível acaba por notar algum desconforto após alguma utilização.

Onde o OPPO Find X9 Ultra me surpreendeu, foi pela forma como combina tecnologia madura com pequenos detalhes que afetam a utilização diária. O desbloqueio por impressão digital é um bom exemplo disso, já que o sensor ultrassónico, embutido no ecrã está colocado numa zona muito natural, é rápido e praticamente infalível. A configuração é quase instantânea, já que basta um toque de um ou dois segundos e está feito. Já o reconhecimento facial existe, claro, mas sendo 2D, não é o mais fiável e à noite perde alguma eficácia.
O ecrã é outro dos aspetos mais bem conseguidos, estamos perante um painel LTPO AMOLED de 6,82 polegadas com resolução 3168 × 1440 pixeis, com taxa de atualização variável entre 1 e 144 Hz. E o que realmente impressiona é o brilho, já que temos acesso a cerca de 1800 nits no uso normal e picos de 3600 nits em HDR. Já no extremo oposto, consegue descer até 1 nit, tornando‑o confortável mesmo em ambientes totalmente escuros. A gestão de brilho também foi muito bem pensada, uma vez que abaixo dos 70 nits entra em ação o PWM Dimming a 2160 Hz, que ajuda a reduzir o desconforto ocular, e acima disso o sistema muda para DC Dimming, algo que nem sempre era possível em painéis antigos devido a artefactos ou granulação. Aqui, graças ao novo material luminescente X3 e ao chipset Display P3 Pro, esses problemas desaparecem e o consumo energético é reduzido de forma significativa. Naturalmente, trata-se de painel de 10 bits com suporte para HDR10 e Dolby Vision em aplicações compatíveis. E há ainda um detalhe que aprecio bastante, que é a tecnologia Splash Touch, que permite utilizar o ecrã com os dedos molhados ou debaixo de chuva sem registar toques acidentais.
Do lado do desempenho, o OPPO Find X9 Ultra é um dos smartphones mais potentes que já utilizei. Vem equipado com o Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5, aliado a 16GB de RAM LPDDR5X e um armazenamento UFS 4.1 (512 GB ou 1 TB), colocando-se entre os smartphones Android com maior capacidade de processamento atualmente. Nem uso, mesmo quando abuso das fotos em RAWmax, o telefone raramente aquece, que era algo esperado num dispositivo deste género e com tanto espaço interno dedicado ao módulo fotográfico. E apesar do Find X9 Ultra não ser um dispositivo orientado para jogos, é um equipamento muito competente, já que suporta títulos exigentes com desempenho bastante satisfatório, abrindo assim as possibilidades para quem procura este tipo de experiências lúdicas. E muito disso deve-se a uma uma gestão térmica particularmente eficiente. O Find X9 Ultra conta com um sistema de dissipação que é composto por uma câmara de vapor, camadas de grafite e uma Unidade Térmica Encapsulada posicionada diretamente sobre o chip. Dentro dessa unidade está um material de mudança de fase (PCM), selado numa estrutura metálica. Quando o chip aquece e atinge cerca de 50°C, o material derrete e absorve uma grande quantidade de calor, o chamado calor latente, estabilizando a temperatura. Depois, quando a carga diminui, o calor é libertado para a câmara de vapor e para o grafite, que o espalham de forma uniforme, enquanto o PCM volta ao estado sólido.
Já a sua bateria é de 7.050 mAh, num pequeno downgrade à de 7.500 mAh do Find X9 Pro, mas que no dia a dia se porta muito bem. Dois dias de autonomia com uso normal são perfeitamente realistas, mantendo uma autonomia confortável mesmo considerando a degradação natural da bateria ao longo do tempo. Ainda não há dados oficiais sobre os ciclos de carga de até aos 80% de capacidade, mas sabemos que esta bateria de silício‑carbono é monitorizada por um chip chamado PowerCore Battery Management, que promete proteger o sistema especialmente em situações de baixa tensão, precisamente quando as baterias modernas mais sofrem. E quando é preciso carregar, o Find X9 Ultra mantém‑se competitivo, já que tem suporte para o carregamento SuperVOOC de 100W por cabo, 50W via PD e 50W sem fios. Não é o mais rápido do mercado, mas é mais do que suficiente para carregar o smartphone de forma confortável e muito rapidamente. Ainda assim, é preciso ter em atenção que é necessário ter um carregador compatível, já que o mesmo não é fornecido pela marca.

Como seria de esperar, o OPPO Find X9 Ultra conta com um enorme módulo fotográfico difícil de ignorar, pois incorpora cinco sensores, quatro câmaras principais e uma câmara True Color multiespectral de 3,2 MP. Esta última não serve para fotografar no sentido tradicional já que funciona como um “olho auxiliar” que garante que todas as outras câmaras reproduzem cores fiéis, independentemente da luz. Algo que, na prática, promete melhorar a consistência cromática entre as lentes.
A lente ultra‑grande angular de 0,6x utiliza um sensor Sony LYT‑600 de 1/1,95″, muito maior do que o habitual neste tipo de lente. Isso nota‑se logo porque as fotos têm mais detalhe, menos ruído e um desempenho noturno surpreendente. O foco automático permite macros com este ponto de vista, algo que adoro. Já a câmara principal é a Sony LYT‑901 de 200 MP, com abertura 1/1,12″, esta não chega ao tamanho do LYT-900 ou do OV1050L, mas compensa com resolução e um agrupamento de 16‑em‑1, resultando em imagens de 12,5 MP com excelente alcance dinâmico, a abertura f/1.5 e o OIS ajudam a manter tudo limpo e estável, mesmo à noite, e o recorte a 2x é tão bom que parece uma lente dedicada. Mas é a teleobjetiva 3x que provavelmente leva a taça, com seu gigantesco sensor OmniVision OV52A de 1/1,28″ – para efeitos de comparação, é quase quatro vezes maior do que o que aquele encontramos no Samsung Galaxy S26 Ultra. O salto de qualidade é tão grande que parece que avançámos meia dúzia de gerações. E a sua abertura f/2.2 e o OIS completam um conjunto que, sinceramente, superou as minhas expectativas para aquilo que uma lente telefoto num smartphone costuma oferecer.
Depois há o zoom 10x, que quase passa despercebido, mas que é uma das maiores novidades encontradas no Find X9 Ultra neste campo. Em vez do típico periscópio em “L”, a OPPO criou uma estrutura com cinco reflexões de luz, reduzindo o tamanho em 30% e aumentando a captação de luz graças à abertura f/3.5 e ao sensor de 1/2,75″. Para evitar perdas de luz foi criada a tecnologia Air Capsule, que separa os prismas com espaços de ar e cortes nanométricos, reduzindo o flare em 99,999%, e o resultado é uma solução bastante diferente das utilizadas habitualmente nos smartphones. E como o OIS tradicional não funciona bem em distâncias focais tão longas, o sensor usa Sensor Shift, semelhante ao dos iPhones, deslocando fisicamente o sensor para compensar movimentos. A sensação é mesmo de que estamos perante um mini gimbal.
Nos vídeos, todas as câmaras gravam em 4K 60 FPS com Dolby Vision. As câmaras de 200 MP permitem ainda 4K 120 FPS e 8K 30 FPS – uma estreia para a OPPO. A estabilização combina OIS/Sensor Shift com EIS, e o modo O‑Log2 com certificação ACES permite trabalhar com LUTs em tempo real. A única falha continua a ser o algoritmo automático de FPS, que convém desativar para evitar problemas na edição.
E não podia terminar de falar dos sensores do Find X9 Ultra sem falar da parceria com a Hasselblad, que continua a ser mais do que marketing. O Modo Master oferece um estilo de imagem mais natural, com menos processamento, sombras profundas e realces controlados. As 9 simulações de filme dão um toque criativo muito próprio, e o RAWmax a 50 MP e 16 bits, certificado pela Adobe, é uma ferramenta poderosa para quem gosta de editar a sério. Até os modos retrato incluem perfis que imitam as lentes Hasselblad clássicas.

O OPPO Find X9 Ultra deverá seguir a mesma política de atualizações do modelo Pro, e tudo indica que vai receber 5 grandes atualizações do sistema operativo Android e 6 anos de atualizações de segurança. Como já vem com ColorOS 16, baseado no Android 16, isso significa suporte até 2032, o que, para um topo de gama, é exatamente o que se espera. Aqui, o ColorOS 16 continua a transformar‑se. Depois de absorver elementos do iOS e do estilo Liquid Glass, agora nota‑se claramente a influência do One UI 8.5, a interface da Samsung, com elementos como a nova barra tipo Now Bar na ecrã de bloqueio, as horas animadas em grande destaque e até uma espécie de Dynamic Island simulada, a mostrarem bem essa mistura de referências. É aqui que sinto sempre uma pequena frustração, já que estamos perante um sistema fluido, completo e cheio de funcionalidades úteis, mas graficamente falta‑lhe uma identidade verdadeiramente própria.
Ainda assim, há novidades. A tecla Plus, aquele botão lateral multifunções, ganhou um papel mais interessante, e depois de um pagamento, basta premir para registar automaticamente a transação no Mind Space. Este espaço, que antes funcionava apenas como um diário inteligente para guardar memórias, está a transformar‑se numa área de gestão financeira inteligente, totalmente gratuita. Tendo em conta o preço das aplicações semelhantes, isto é uma verdadeiro vantagem. Esse Mind Space também passou a integrar três modelos de IA, o Gemini, o Perplexity e o DeepSeek, cada um com casos de utilização bastante distintos. O Perplexity para pesquisas diretas, o Gemini para sínteses e o DeepSeek para cálculos e planeamento, com a possibilidade de poderemos operar e comprar resultados entre ambos.
Outra função que me surpreendeu foi a tradução de menus, onde vez de apenas traduzir texto como o Google Tradutor ou o Circle to Search, o sistema gera imagens ilustrativas dos pratos, o que achei bastante intuitivo. Não basta saber que uma francesinha é uma sandes muito rica e com molho, já que ver uma imagem ajuda realmente a perceber o que estamos prestes a pedir, especialmente quando não conhecemos o prato. No resto, o ColorOS mantém tudo aquilo que já tinha analisado no Find X9 Pro, com a mesma fluidez e o mesmo conjunto de ferramentas avançadas.
Para alám disso, o OPPO Find X9 Ultra mantém o mesmo nível de excelência no som e nas ligações que demonstra em praticamente todas as outras áreas. Os dois altifalantes são potentes, claros e com bons graves, embora não totalmente simétricos, que é especialmente notado quando prestamos muita atenção. Já os quatro microfones são de uma qualidade surpreendente, já que tanto em chamadas como em gravação de vídeo, o áudio é limpo, estável e com ótima captação ambiental. É daqueles smartphones que podemos levar a um concerto sem receio de distorção.
Nas ligações, temos direito ao pacote completo, com Wi‑Fi 7, Bluetooth 6.0 e uma porta USB‑C 3.2 Gen 1 com saída de vídeo. A receção de rede é excelente e conta ainda com o AI Link Boost, suportado por um chip dedicado OPPO NetworkBoost, que otimiza automaticamente a ligação em zonas de sinal fraco. Há também uma função curiosa, que através do Bluetooth, é possível fazer chamadas para outros smartphones OPPO/Realme/OnePlus mesmo sem rede móvel, desde que estejam por perto. Por fim, o feedback háptico merece destaque, já que é preciso, firme e com aquela sensação premium que só alguns fabricantes conseguem acertar. Dá gosto escrever, navegar e até desbloquear o telefone com esta vibração tão bem calibrada.

O OPPO Find X9 Ultra tem um preço de lançamento de 1.699€, um valor que para muitos será, obviamente excessivamente alto. No entanto, ao testar este equipamento e considerando as suas capacidades para o publico a que se dirige, sinto que é um equipamento fácil de considerar, especialmente comparado à oferta de câmaras dedicadas premium, cujo o preço ultrapassa facilmente o valor deste smartphone.
Já para quem não está tão alinhado com a oferta fotográfica, há obviamente alternativas mais sensatas, como o Find X9 base. Este é definitivamente um smartphone grande, espesso nas zonas onde o módulo fotográfico se destaca e que, guardado em calças mais apertadas, pode ser desconfortável de transportar ou retirar do bolso enquanto estamos sentados – ainda assim muito mais prático do que carregar uma câmara dedicada. Mas é um modelo Ultra, para quem quer o máximo que um smartphone tem para oferecer.

Este dispositivo foi cedido para análise pela OPPO.
