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Oficina do Duque: Quando a ambição de alguém vai mais além

É um restaurante que já se conhece desde 2012, quando inaugurou, mas foi a partir do ano passado, quando se renovou e ficou sob a alçado do chef Rui Rebelo, que a Oficina do Duque começou a dar mais nas vistas.

Se, há uns anos, muitos passaram ali aquando da realização da Rota das Tapas, hoje em dia é um espaço onde se pode ter uma refeição com toda a calma e tranquilidade do mundo, apesar do constante rodopio de funcionários que vão à cozinha – aberta, onde podemos ver os artistas a trabalhar – buscar os mais diversos pratos para os clientes.

Isto deve-se à mão de Rui Rebelo, chef que, desde 2017, assumiu a liderança de um espaço que antes partilhava com dois sócios. Isto permitiu ao chef renovar a decoração, que é inspirada numa antiga oficina, mudar o conceito e fazer alterações à carte a à apresentação dos mesmos.

“A Oficina do Duque nasceu em 2012 depois de uma viagem de quatro anos pelas cozinhas do mundo. Um ano de experiência em Portugal fez-me perceber que para cozinhar teria de viajar e foi isso que me fez sair do país. Quando viajei já tinha a ideia de abrir a Oficina e visitei vários países precisamente para aprender. Entretanto, no ano passado quis tornar o restaurante num espaço à minha medida, num projeto apenas meu, com uma identidade com que me identificasse. Foi aí que comecei a renovação do espaço e o conceito, que ficou concluída este ano.”, contou-nos o chef em conversa.

2018 acaba por marcar, portanto, esta nova vida da Oficina do Duque. Tudo começa ao subirmos a Calçada do Duque. É ao fundo da rua, na esquina, que encontramos facilmente o restaurante. Mesmo quem vá pela primeira vez ao espaço não terá dificuldade em encontrar o local.

É quando pisamos o chão deste sítio pela primeira vez que entramos noutro mundo. Existem duas salas: uma onde temos um gigante letreiro com a palavra “Oficina” e o bar e a outra, maior, junto à cozinha, de onde vemos os pratos a sair. Nesta segunda sala existe algo que se destaca e que salta logo à vista, além da cozinha aberta: uma parede cheia de utensílios de cozinha.

Nas palavras do chef, “os utensílios típicos de cozinha e as ferramentas penduradas na parede são outro exemplo que caracteriza a oficina e que contrasta com os detalhes dourados, mais raros e sofisticados. Quero que o restaurante seja o lugar onde coisas diárias e consideradas banais tornam-se em momentos especiais e extraordinários.”

Se o objetivo é tornar o banal em algo especial, então nada melhor do que meter o nosso paladar à prova. Já sentados, e depois de fotografado o espaço, fomos super bem-recebidos pelos funcionários que se mostraram sempre disponíveis para esclarecer as nossas dúvidas, além de aconselharem alguns dos pratos.

Começou por chegar à mesa algumas entradas (pãezinhos fritos na Oficina com paté de miúdos de pato – mesmo quem não gosta de paté de miúdos vai aprovar – e vinho do Porto), mas a verdadeira experiência começou com os petiscos: Vaca, choco e pão de hambúrguer, que, como quem diz, é um sortido de hambúrgueres de choco e de vaca no pão caseiro da Oficina do Duque, além de Frango, Cerveja e Limão (Asa de frango marinada com cerveja, limão e louro). A acompanhar uns Apitiv Tónicos (Vinho do Porto Seco, água tónica e hortelã), especialmente indicados para quem vibra com a hortelã.

Em relação a estas entradas, não se destaca o frango. Apesar de bem cozinhado, não nos impressionou. Já o sortido de hambúrgueres foi o oposto. Carne suculenta, no ponto, no que toca à vaca, claro, e, mesmo para quem não vai de caras com choco – que é o nosso caso – irá ficar surpreendido com o seu sabor. Ficámos fãs e só queríamos que este prato existisse em versão principal. Fica a dica.

Seguia-se os pratos principais. Um de nós escolheu o típico Bitoque (novilho bravo com ovo a baixa temperatura e batata frita com casca, acompanhado por um molho que demora 16 horas a preparar) – afinal, português que é português gosta de um bom bitoque – e a outra opção foi para um Rabo de Boi, Pêra Rocha e Chícharos (Desfiado de rabo de boi com puré de pêra e chícharos – uma espécie de mistura de grão e tremoço).

Chegados os pratos à mesa, a apresentação dos mesmos deixava antever que a opção pelo Rabo de Boi não tinha sido a melhor. Não que não fosse cativante, mas a apresentação do Bitoque, embora simples, conquistou-nos facilmente. A beleza do prato e da própria carne meteu-nos logo ao ataque ao bife de novilho, excelentemente cozinhado, tal e qual tínhamos pedido. Porém, nem as batatas nem o ovo se destacaram, pelo que o prato não leva nota perfeita devido a estas “pequenas falhas”.

Mas se a apresentação do Rabo de Boi não nos encheu o solo, já o seu sabor surpreendeu… e de que maneira! Se a apresentação não nos fascinou, o sabor levou-nos ao céu. Se há vencedor a destacar deste jantar – e que é uma das estrelas do menu – é, sem dúvida, o Rabo de Boi. Apresentado em forma de bola, a carne desfiada desfaz-se na boca com uma facilidade incrível e devora-se em questão de segundos. O contraste entre os outros ingredientes funciona na perfeição, pelo que este prato vai guardar um lugar especial no nosso coração. Parece banal, mas acaba por ser uma verdadeira e agradável surpresa.

Há pratos que não provámos, mas que vimos sair da cozinha, como o Sarrajão, Raízes e Soja (sarrajão braseado com legumes crocantes, puré de raízes e soja perfumada), que é facilmente confundido com atum, e há ainda opções para vegetarianos como Couscous, legumes e hortelã (Couscous, legumes assados e gelado de hortelã) ou Quinoa, cogumelos e manjericão (Quina com cogumelos e legumes salteados).

Apesar de não haver um prato que as pessoas mais elogiam, o chef confessou-nos que “as pessoas elogiam o estilo da cozinha no geral.” Já para a inspiração dos pratos, em que muitos deles são reinventados na Oficina do Duque, o mesmo confessa-nos que “os pratos vivem principalmente das vivências do dia-a-dia, um pouco por instinto, e das experiências que adquiro durante as minhas viagens.”.

Apesar de ter estado este ano no Uruguai, onde aprendeu “como os sul americanos desmancham e tratam a carne”, e também na Índia, onde encontrou “sabores diferentes”, os “sabores portugueses estão presentes nos pratos, precisamente porque fazem parte das minhas vivências”, conclui o chef.

A terminar a refeição da melhor forma, duas sobremesas: Gema de ovo, citrinos e açucar (Leite creme com gelado de caramelo e xarope de citrinos) e Chocolate, azeite e sal (Mousse de chocolate com azeite frutado e flor de sal). No que toca ao leite creme, não ficámos fãs uma vez que, como o gelado de caramelo se encontra no fundo da taça, a junção de sabores não resulta muito bem. Já o mesmo não se pode dizer da mousse de chocolate, aromatizada, e que vai agradar a grandes fãs de chocolate… e não só.

Apesar do menu fixo, o chef Rui Rebelo confidenciou-nos que “que vai sendo alterado pelas mais diversas razões, com novidades pontuais ao longo do ano”. Uma coisa é certa: mais novidades estão para chegar à Oficina do Duque, “não só ao nível do menu, mas também outras ideias que vou trazendo das minhas viagens e aprendizagens. Estou constantemente a borbulhar de ideias.”, concluiu o chefe.

Com um custo médio que ronda os 25€ por pessoa, o que lhe garante uma boa relação qualidade/preço para um restaurante lisboeta, a Oficina do Duque é um espaço que todos devem conhecer. Fica na Calçada do Duque, 43A, e está aberto todos os dias das 12h às 23h.

Oficina do Duque Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato


 

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