O verdadeiro motivo pelo qual o vosso gato adora sentar-se no computador

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Quem trabalha em casa ao lado de um gato já se deparou com frases sem sentido digitadas no ecrã, tudo graças ao animal sentado no teclado. Este comportamento, comum e, por vezes, divertido, é mais normal do que pensamos.

Segundo Sonia Paeleman, especialista em comportamento felino e autora de Comprendre votre chat, esta mania dos gatos não é recente, nem nasce com a tecnologia. A escritora Colette, por exemplo, já relatava como o seu gato invadia folhas em branco há cem anos. Hoje, os computadores substituíram o papel, mas não mudaram o instinto felino.

Território, controlo e a busca pelo “seu” cheiro

O impulso por ocupar determinado espaço é antigo na natureza do gato. Embora tenham aprendido a partilhar a casa com humanos e outros animais, precisam de marcar o ambiente para sentirem que têm controlo.

Esse balizamento faz-se sobretudo através do olfato. Os gatos esfregam-se nos objetos, libertando moléculas químicas através das glândulas, para deixarem a sua marca. Esta assinatura olfativa é o que mais os tranquiliza. Por isso, procuram locais onde o seu cheiro predomine – e transformar o teclado num desses lugares é um objetivo recorrente.

Numa zona estratégica: atenção e afeto

O efeito de ocupar o computador vai além do conforto físico. Paeleman descreve três hipóteses principais para explicar a predileção felina: o espaço é estratégico, confortável e relacional.

Quando o gato se instala sobre o computador, ele captura toda a atenção do tutor. A dimensão relacional, sobretudo para animais que não saem de casa, é central, e os humanos tornam-se o elemento mais estimulante da vida deles. O teclado, sempre ao centro das nossas atividades, serve assim como palco privilegiado para pedir companhia, carinho e interações afetuosas.

Muitos gatos aprendem que, ao sentarem-se sobre o computador, recebem carícias ou palavras simpáticas. Não o fazem para chatear, garantem os especialistas: procuram respostas positivas e evitarão repetir o comportamento se forem constantemente repreendidos.

As teorias das ondas e o apelo do que “está a acontecer”

Há quem avance ainda uma hipótese menos consensual: talvez os gatos sejam sensíveis a ondas eletromagnéticas ou elétricas, o que explicaria atitudes como escolher o teclado ou roçar-se nos cantos dos computadores. No entanto, mesmo que haja algo de especial nestas ondas, esta teoria não basta.

O mais importante é que os gatos querem participar onde se concentra a nossa atenção, seja o computador, livros ou jornais. Para eles, o centro das atenções faz parte de “onde tudo acontece”, e ali querem marcar a sua presença.

Como gerir o hábito sem interromper laços

É necessário encontrar um equilíbrio. Se o gato insiste em ocupar o seu espaço de trabalho, Paeleman recomenda distraí-lo com brinquedos, bolas ou penas, embora isto possa reforçar, inadvertidamente, a ligação positiva entre atenção e o teclado.

Uma alternativa eficaz é tornar outros locais mais atrativos: instalar arranhadores, camas em altura, brinquedos ou até um cesto confortável no próprio escritório. Encorajar o animal a usar esses espaços ajuda a redirecionar o comportamento sem transmitir confusão ou culpa pelo deslocamento.

Acima de tudo, repreender não resolve. O gato, como nós, procura sentir-se bem. Castigá-lo por seguir o seu instinto seria injusto. A convivência passa por compreender necessidades e viver em equilíbrio, mesmo quando o escritório for, para ele, o melhor sítio da casa.

Inês Lopes
Inês Lopes
Dentista nas horas vagas e colaboradora do Echo Boomer no tempo que sobra. Fã de gadgets, livros e tâmaras (não necessariamente por esta ordem), adoro explorar o mundo através da comida e das viagens. Se não me encontrarem a escrever ou a trabalhar, é porque estou confortavelmente instalada no sofá, provavelmente a devorar um novo livro.
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