Nova fábrica ferroviária integra plano de renovação da CP e prevê início de entregas das automotoras a partir de 2029.
A construção de uma nova unidade industrial para produção de material circulante ferroviário teve início em Guifões, no concelho de Matosinhos, no âmbito do contrato entre a CP – Comboios de Portugal e a Alstom para o fornecimento de 153 automotoras destinadas aos serviços Urbano e Regional.
A futura fábrica ocupará uma área superior a 20.000 m2 e será equipada com tecnologia de produção considerada avançada. De acordo com os termos do projeto, mais de metade das unidades encomendadas – num total de 81 comboios – será produzida em território nacional.
Segundo informação da Alstom, a nova unidade deverá criar cerca de 300 postos de trabalho diretos, a que se juntam mais de 1.000 empregos indiretos associados à cadeia de fornecimento e atividades complementares.
A iniciativa insere-se num processo mais alargado de renovação do material circulante da CP, num contexto de aumento da procura pelo transporte ferroviário. Está também previsto que, numa fase posterior, a unidade venha a ser adaptada para funcionar como oficina de manutenção.
O desenvolvimento desta infraestrutura ocorre no âmbito do maior investimento realizado pela CP em material circulante. Com a ativação da opção de compra de mais 36 automotoras, o contrato com a Alstom passa a abranger um total de 153 unidades, representando um investimento superior a mil milhões de euros. Um aditamento contratual assinado em março permitiu ainda antecipar em 17 meses a conclusão do fornecimento.
As novas automotoras – 98 destinadas aos serviços urbanos e 55 aos regionais – têm entrega prevista a partir de 2029. Cada unidade terá três carruagens e capacidade até 450 passageiros. Entre as características anunciadas estão acessos ao nível da plataforma, ligação Wi-Fi e áreas reservadas para passageiros com mobilidade reduzida e transporte de bicicletas.
Este projeto junta-se a outros investimentos em curso, incluindo a aquisição de 22 automotoras à Stadler, já em fase de entrega, e o lançamento de um concurso para comboios de alta velocidade, que prevê a compra de 12 unidades, com opção adicional para mais oito.
A nova fábrica será integrada no Complexo Oficinal de Guifões, uma infraestrutura com histórico relevante no setor ferroviário nacional. Inaugurada em 1990, a oficina tem desempenhado funções de manutenção, modernização e recuperação de material circulante. Em 2012, parte das instalações – nomeadamente a nave norte – foi encerrada no âmbito de um processo de reestruturação, tendo sido reativada em janeiro de 2020.
Desde então, o complexo retomou atividade em áreas como a recuperação de carruagens de diferentes séries e a realização de revisões gerais, contribuindo para a disponibilidade da frota e para o reforço da oferta ferroviária.
Guifões acolhe também trabalhos de assemblagem no âmbito do projeto TrainSolutions Portugal, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que visa o desenvolvimento de soluções ferroviárias com incorporação nacional.
