Primeiro dia do NOS Alive 2026: O regresso à diversidade musical no Passeio Marítimo de Algés

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Entre estreias, regressos e novos palcos, o primeiro dia do NOS Alive mostrou por que continua a ser um dos maiores festivais do país.

Texto de: Patrícia Inês Vaz

O NOS Alive arrancou ontem, dia 9 de julho, para a sua 18ª edição, e para quem já lá foi pelo menos uma vez, entrar no recinto é como voltar a uma casa que bem conhecemos: identificamos os cantos, o percurso, sabemos o que esperar. Ainda assim, o festival também tem o hábito de nos pregar partidas simpáticas: este ano é a estreia do Palco Literário, um espaço novo dedicado a conversas com autores e à cultura portuguesa contemporânea, prova de que o NOS Alive não vive só de guitarras.

É com essa mistura de familiaridade e novidade que arrancamos a nossa jornada, por volta das 19h. O sol já não se encontra tão quente, corre uma brisa ligeira e o recinto começa a encher-se de gente. E é aí que se percebe, logo de início, o que torna este festival especial: a diversidade. Está nos artistas, que passam de palco em palco com identidades completamente distintas; está no público, que junta gerações que normalmente não partilhariam a mesma pista de dança. Miúdos e graúdos, no mesmo espaço – a prova viva de que a música não tem idade.

É essa mesma diversidade que nos leva, primeiro, ao Palco Heineken, onde acontece uma grande estreia: os Dogstar, banda de rock alternativo composta por Bret Domrose, Robert Mailhouse e Keanu Reeves, que voltaram aos palcos em maio de 2023 depois de anos de pausa e tocam agora pela primeira vez no festival. O entusiasmo sente-se no ar, sobretudo no próprio espaço junto ao palco, tomado por um público entusiasmado que se estende até fora do recinto, onde várias pessoas assistem ao concerto sem que isso comprometa a visibilidade ou a experiência.

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Dogstar no NOS Alive 2026 – Foto: Carlos Mendes

Para quem não é grande fã de rock e prefere começar, ou continuar, o NOS Alive de forma mais calma, a opção ideal é o Palco WTF Clubbing, onde Linka Moja se apresentou sozinha, só com a guitarra, sem precisar de mais nada. O reportório passa por temas mais animados e outros mais introspetivos, sempre a navegar entre o folk, o rock e o soul, resultando num estilo pessoal e autêntico, difícil de encaixar numa só corrente musical. Há espaço de sobra para ficar de pé ou sentar no chão, e a plateia, bastante rendida, oscila entre dançar e simplesmente relaxar, num equilíbrio bem conseguido entre as duas opções.

E por falar em proximidade, se há um sítio onde essa energia e cumplicidade atingem o máximo, é no Palco Coreto, o recanto do NOS Alive dedicado à música portuguesa contemporânea. É pequeno, e é precisamente por isso que funciona: a distância entre banda e público quase desaparece. Ao aproximarmo-nos, apanhamos os Neon-Soho, projeto português de pop eletrónico, a instalar a vibe perfeita para dançar. Conseguem, em poucos minutos, transformar aquele pedaço de terra batida, num festival à parte, só deles. O público está todo em pé, a mexer-se ao ritmo da banda, e a energia circula nos dois sentidos: da banda para a plateia, da plateia de volta para a banda.

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Alabama Shakes no NOS Alive 2026 – Foto: Carlos Mendes

Quando nos aproximamos do maior palco do festival, o Palco NOS, somos logo contagiados pelo som da bateria, que faz vibrar tudo à nossa volta, e pelos efeitos visuais que atravessam o grande ecrã. É aí que atuam os A Perfect Circle, a espalhar rock alternativo com uma energia contagiante por uma plateia numerosa, com Maynard James Keenan, vocalista da banda, a dominar o palco com uma presença quase hipnótica. Também no rock, mas com uma leveza extra de soul e blues, o Palco Heineken volta a encher-se, desta vez para os Alabama Shakes, com Brittany Howard, Heath Fogg e Zac Cockrell à frente, reforçados por uns backing vocals que dão à banda aquela harmonia toda própria. A instrumentação é impecável, mas é a voz de Howard que rouba as atenções – surpreendente do princípio ao fim. Tal como aconteceu com os Dogstar, o espaço volta a estar bastante preenchido, com um público visivelmente entregue ao momento.

O Palco Coreto não é o único a dar espaço a artistas portugueses, o WTF Clubbing também guarda um lugar de destaque, ocupado esta noite por Gui Aly. Jovem e ainda a construir o seu nome, o artista expressa a sua musicalidade através da guitarra e de canções emocionais, quase sempre românticas. Logo no início do concerto, avisa a plateia da intenção: “algumas músicas para chorar, outras músicas para dançar”. E cumpre a promessa: acompanhado de banda, além da guitarra e da voz, percorre temas do seu último EP, This Is What Love Feels Like, e consegue equilibrar o ambiente mais introspetivo com momentos que levam as pessoas a dançar. O facto de cantar sobretudo em inglês parece ajudar a atrair um público de várias nacionalidades – ao perguntar de onde vinha a plateia, ouve respostas de Lisboa, do Porto, do Alentejo e até da Holanda.

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Alabama Shakes no NOS Alive 2026 – Foto: Carlos Mendes

Ainda a fechar o capítulo dos artistas portugueses, voltamos ao Palco Coreto para os Duques do Precariado, banda que se distingue pela música de intervenção – letras que falam da vida das pessoas, de questões sociais e políticas, misturando rock alternativo com elementos da música popular portuguesa. Tocam para um público mais reduzido, numa altura da noite em que o festival puxa a maioria das pessoas para os palcos maiores, mas nem por isso o concerto perde importância: é precisamente este tipo de espaço que garante aos artistas nacionais o seu lugar num cartaz tão internacional.

Saímos do recinto a contracorrente de quem ainda vai a entrar, sinal de que a noite, e a programação do NOS Alive, está longe de terminar. Os próximos dias, já esgotados, prometem manter viva a essência do festival: uma multiplicidade de artistas, públicos e experiências que, ano após ano, continua a ser a maior razão para voltar.

Echo Boomer
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Sou o "bot" de serviço do Echo Boomer e dedico-me ao conteúdo mais generalista e artigos de convidados, bem como de autores que não colaboram regularmente com o projeto.
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