A Nintendo procura indemnizações pelas perdas provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos da América durante o lançamento da Nintendo Switch 2.
A Nintendo of America apresentou um processo judicial contra o governo Norte-Americano no U.S. Court of International Trade, exigindo o reembolso, com juros, das tarifas pagas no âmbito das medidas comerciais implementadas durante a administração do atual presidente dos Estados Unidos da América.
Este caso surge na sequência de uma decisão recente do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que invalidou grande parte dessas tarifas globais. Na quarta-feira passada, o juiz Richard Eaton determinou que as empresas que pagaram essas taxas têm direito a receber reembolsos, tendo assim desencadeado uma vaga de processos semelhantes por parte de várias companhias afetadas.
Nos documentos entregues em tribunal, os advogados da Nintendo acusam diferentes agências federais de terem arrecadado mais de 200 mil milhões de dólares em tarifas sobre importações provenientes de praticamente todos os países. Entre os réus listados encontram-se o Departamento do Tesouro, o Departamento de Segurança Interna, o gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o Customs and Border Protection e o Departamento do Comércio.
A empresa argumenta que tem legitimidade para avançar com a ação judicial por ser a entidade importadora oficial de vários produtos sujeitos às taxas impostas ao abrigo do International Emergency Economic Powers Act, uma vez que a maior parte do hardware e acessórios da Nintendo é fabricada atualmente na China e no Vietname, países que foram diretamente afetados pelas medidas tarifárias.
O impacto destas tarifas, que entraram em vigor em abril do ano passado, coincidiram precisamente quando a Nintendo se preparava para lançar a Nintendo Switch 2, que chegou ao mercado em junho. Uma situação levou ao adiamento do período de pré-encomendas nos Estados Unidos da América, inicialmente previsto para 9 de abril e posteriormente reagendado para 24 de abril.
Apesar das dificuldades logísticas e da incerteza comercial, a Nintendo manteve a data de lançamento da consola e conseguindo avançar com o plano original, de um lançamento global em todas as suas regiões. Ainda assim, alguns acessórios sofreram aumentos de preço, mas o valor da consola permaneceu nos 449,99 dólares em território Norte-Americano, com a Nintendo a esclarecer na altura que esse preço não incluía o impacto das tarifas.
O presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, já tinha explicado no passado que a política da empresa passa normalmente por incorporar eventuais tarifas no custo final dos produtos. No entanto, devido à importância estratégica do lançamento da Switch 2, que foi a primeira consola nova da Nintendo em oito anos, a prioridade passou por preservar o impulso comercial da plataforma.
A Nintendo é, no entanto, apenas uma entre mais de mil empresas que decidiram avançar judicialmente contra o governo norte-americano para recuperar os valores pagos em tarifas. Entre as companhias que também apresentaram processos encontram-se empresas como a FedEx e a cadeia de retalho Costco.
Entretanto, a agência Customs and Border Protection, responsável pela cobrança destas tarifas, já indicou que atualmente não tem capacidade para cumprir as ordens de reembolso emitidas pelos tribunais, o que pode prolongar a disputa legal nos próximos meses.
