O novo sistema OPS no Porto de Leixões vai permitir que os navios de cruzeiro desliguem os motores atracados, passando a ser alimentados pela rede elétrica terrestre.
A partir de 2029, o Porto de Leixões deverá passar a dispor de um sistema de alimentação elétrica em terra para navios de cruzeiro, permitindo que estes desliguem os motores enquanto estiverem atracados. A solução, em desenvolvimento no âmbito de um projeto da APDL e da VINCI Energies em Portugal, deverá reduzir o consumo de combustível durante as escalas e cortar de forma significativa as emissões associadas à permanência dos navios em porto.
Conhecido pela sigla OPS, de Onshore Power Supply, o sistema vai permitir a ligação direta dos navios à rede elétrica terrestre, assegurando a alimentação dos seus sistemas elétricos e operacionais sem recurso aos geradores a diesel. Por exemplo, um navio de cruzeiro pode consumir, numa única escala, energia equivalente à de milhares de habitações, com necessidades que podem chegar aos 50 a 70 MWh, valores que passarão a ser suportados pela rede em terra.
O projeto está a ser desenvolvido em consórcio pelas marcas Omexom e Actemium, da VINCI Energies, com recurso também à experiência técnica da Actemium em França. A infraestrutura terá capacidade para fornecer até 16 MVA, embora numa primeira fase esteja prevista uma potência de 8 MVA, com evolução posterior para a capacidade total instalada.
A solução foi desenhada para responder a diferentes tipos de navios, com alimentação a 50 ou 60 Hz e tensões de 6,6 kV ou 11 kV. Isso permite adaptar o sistema à diversidade de frotas que fazem escala no terminal de cruzeiros de Leixões, mantendo a compatibilidade com diferentes especificações elétricas.
A nível técnico, o projeto inclui uma subestação shore-side, alimentada pela infraestrutura elétrica já existente no terminal e equipada com sistemas de conversão de frequência e de tensão. Integra também um sistema móvel de gestão de cabos, que assegura a ligação dos navios à rede de forma segura e eficiente, bem como um sistema de controlo e monitorização automatizados e uma plataforma SCADA para supervisão em tempo real e futura integração numa gestão centralizada do porto.
Do ponto de vista ambiental e operacional, a utilização do OPS deverá permitir uma redução das emissões de CO₂ entre 70% e 90% por escala, além de diminuir o ruído associado à operação dos navios enquanto permanecem atracados no Porto de Leixões.
