Cegonha-Branca. Já chegou o primeiro navio elétrico da Transtejo

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Os restantes três navios serão entregues até ao final de 2023.

Em 2019, o Conselho de Ministros autorizou a despesa relativa à renovação da frota da Transtejo, que contemplava a aquisição de 10 navios elétricos, até ao montante global de 57 milhões de euros para investimento e de 32,946 milhões de euros para manutenção, no período de 2020 a 2035. Dois anos depois, esses valores de investimento foram atualizados, passando de 57 milhões de euros para 62 milhões de euros.

Já em 2022, o Conselho de Ministros procedeu à reprogramação da autorização da despesa relativa ao Plano de Renovação da Frota da Transtejo, que passa a ser de um máximo global de 70.545.497€, referentes à componente de investimento, e até 28.800.505€, referentes à componente de manutenção. E deve-se tudo à aquisição e construção dos postos de carregamento.

“No âmbito dos procedimentos concursais levados a cabo pela Transtejo, S. A., para a aquisição e construção dos postos de carregamento, verificou-se terem sido apresentadas apenas candidaturas acima do preço-base, em virtude das características de inovação específicas deste projeto e dos impactes que a pandemia da doença Covid-19 teve no fornecimento de matérias-primas no mercado internacional”, lia-se em Diário da República.

O Governo considerava que o “interesse público e a urgência da concretização do Plano requerem que a empresa lance, de imediato, um novo concurso público para a aquisição e construção dos postos de carregamento ao abrigo da despesa autorizada, por forma a não comprometer o prazo final para a conclusão do Plano”.

“Tendo em conta a aceleração da execução na fase final do atual período de programação e a disponibilidade financeira do ‘Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos’, é possível prever o aumento da comparticipação deste programa operacional”, de acordo com o mesmo documento.

Ou seja, o Plano de Renovação da Frota da Transtejo passava a contemplar a aquisição de 10 novos navios, a aquisição e construção dos postos de carregamento e a respetiva manutenção dos navios e postos no período de 2022 a 2036, mais um ano que anteriormente previsto.

Até aqui, e já depois de termos tido um primeiro vislumbre do aspeto dos novos navios da Transtejo, que são 100% elétricos, já sabíamos que os navios iriam operar nas ligações fluviais de Cacilhas, Montijo e Seixal, no distrito de Setúbal. Foi também dito publicamente, em 2022, que o primeiro navio 100% elétrico, vindo dos estaleiros espanhóis Gondán, chegaria até ao final desse ano. Mas não foi isso que aconteceu.

De facto, foi somente este mês de março que o primeiro navio 100% elétrico para a Transtejo chegou a Lisboa. No ano passado, o plano passava por receber quatro navio até junho de 2023, mas, estando já em 2023, sabe-se agora que as restantes três unidades só deverão chegar mais perto do final deste ano.

Cegonha-Branca é o nome deste primeiro navio, batizado com o nome de uma ave autóctone do estuário do Tejo. O mesmo acontecerá com os restantes navios.

Em comunicado, a Transtejo refere que o Cegonha-Branca “navegará em direção às instalações da empresa, em Cacilhas, onde fará a sua primeira ligação a terra para carregamento de energia”, ficando posteriormente disponível na próxima semana para “vistorias técnicas, por parte da DGRM – Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos”.

Quais as vantagens dos novos navios 100% elétricos da Transtejo?

De acordo com a empresa, “a nova frota permitirá melhorar a experiência da viagem fluvial, alcançar ganhos em eficiência energética, reduzir os atuais custos de manutenção e eliminar a emissão de CO2 no transporte público”, frota essa que “foi especificamente concebida para as necessidades de operação da Transtejo”.

“Os novos navios 100% elétricos, permitirão, ainda, uma operação fluvial isenta de ruído, vibrações e odores, pelo que o projeto constitui, de facto, um assinalável contributo para a promoção da mobilidade sustentável na AML – Área Metropolitana de Lisboa”, diz ainda a empresa em comunicado, reforçando que, devido ao “processo de descarbonização da atividade de transporte fluvial, a Transtejo contribuirá, também, para uma melhoria do ecossistema e da biodiversidade existentes no rio Tejo”.

De resto, “encontra-se em curso a construção das cinco modernas estações de carregamento, nos terminais fluviais do Seixal, do Cais do Sodré, de Cacilhas e do Montijo, que proporcionarão o carregamento rápido dos navios, durante as operações de tomada e largada de passageiros”, estando prevista a “entrada em funcionamento destas estruturas durante o 2.º semestre deste ano”.

O plano de renovação da frota Transtejo conta com um investimento de cerca de 82,4 milhões de euros, refere a empresa no seu mais recente comunicado de imprensa. A chegada do primeiro navio 100% elétrico da nova frota chega numa altura após o Tribunal de Contas (TdC) ter chumbado, por ajuste direito, a compra de baterias para nove navios elétricos novos. Isto significa que, e mesmo que o primeiro navio 100% elétrico já estivesse pronto a operar, nunca poderia navegar porque não tem “motor”.

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