Em vez de números, suspeitos e pistas: o Murdoku é um puzzle de lógica que coloca o jogador no papel de detetive.
Os puzzles de lógica ganharam uma nova vertente nos últimos meses com a chegada do Murdoku, um jogo que combina a estrutura clássica do Sudoku com narrativas de mistério policial. Criado pelo canadiano Manuel Garand, cujos quebra-cabeças são regularmente publicados em órgãos como o Financial Times, o conceito surgiu em outubro de 2025 e rapidamente despertou interesse entre fãs de enigmas.
A proposta é simples na teoria, mas exigente na prática: em vez de preencher grelhas com números, o jogador assume o papel de detetive e deve resolver crimes através da análise de pistas, eliminação de suspeitos e dedução lógica. Cada puzzle apresenta uma cena de crime ilustrada, um grupo de personagens e informações fragmentadas sobre os seus paradeiros no momento da ocorrência.
O Murdoku opera sob três regras fundamentais que estruturam cada caso. Em primeiro lugar, apenas pode haver uma pessoa por linha e coluna da grelha, princípio herdado do Sudoku tradicional. Depois, só determinados objetos podem ser ocupados – camas, cadeiras e tapetes contam como posições válidas -, enquanto mesas, televisões, plantas e outros elementos decorativos não. Por último, a vítima ocupa sempre o último espaço disponível e o assassino é identificado como quem estava sozinho com ela na mesma divisão.
A resolução exige que o jogador integre todas as pistas fornecidas com a planta da casa onde o crime ocorreu, dividida em divisões de nove quadrados cada. Através de eliminação progressiva e cruzamento de informações, preenche-se a grelha até identificar quem partilhava o espaço com a vítima.
Embora a estrutura de grelha e a lógica de preenchimento recordem o Sudoku, o Murdoku distingue-se pela camada narrativa que transforma cada puzzle numa pequena história. Não se trata de aplicar regras matemáticas abstratas, mas de interpretar pistas contextuais, observar elementos visuais e construir uma linha de raciocínio investigativa.
Os cenários variam entre edições, podendo incluir ambientes tão diversos como cafés, iates de luxo, óperas, canteiros de obras abandonados ou locais históricos. Cada caso apresenta ilustrações detalhadas da cena do crime, com pistas visuais que influenciam diretamente a investigação.
Os puzzles estão organizados por níveis de dificuldade crescente. Nas primeiras páginas dos livros, os desafios são mais acessíveis, permitindo que o jogador se familiarize com a mecânica. À medida que avança, a complexidade aumenta, exigindo maior atenção aos detalhes e capacidade de cruzar múltiplas variáveis simultaneamente.
Cada puzzle tem uma única solução correta, garantindo que a lógica seja sempre determinística e não dependa de tentativas aleatórias. Esta característica aproxima o Murdoku de outros puzzles de lógica clássicos, onde o raciocínio dedutivo é o único caminho para a resolução.
A primeira coleção de Murdoku, publicada em outubro de 2025, foi suficientemente bem recebida para levar Manuel Garand a desenvolver rapidamente uma continuação. O jogo está disponível tanto em formato físico, através de livros, como em versões digitais, oferecendo flexibilidade para diferentes momentos de lazer.
