Crítica – Violation (MOTELX)

Violation é um filme agonizante e pode ser demasiado forte para alguns, mas a qualidade do guião, da realização confiante, os elementos visuais e os actores, fazem deste um thriller de grande qualidade.

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Sinopse: “Com o casamento à beira da implosão, Miriam regressa à sua terra-natal para procurar consolo junto da irmã mais nova e do cunhado. Mas uma noite, um pequeno mal-entendido leva a uma traição catastrófica, deixando Miriam chocada, desequilibrada e furiosa. Acreditando que a sua irmã está em perigo, Miriam decide protegê-la a todo o custo, mas o preço da vingança é alto e ela não está preparada para as consequências que isso acarreta.”

Texto por: Filipe Santos

Desde os primeiros momentos de Violation percebemos que se trata de um filme inquietante, arrojado, que nos mostra não só as consequências de um abuso sexual, mas também como a vingança pode destruir o vingador. Já a história em si é bastante simples.

Miriam, que está a sofrer problemas no seu casamento, procura reacender a relação com a irmã mais nova, há muito tempo afastada dela. Durante a estadia de fim de semana na casa de campo da irmã e do marido, Miriam acaba por aproximar-se do seu cunhado, Dylan. Este confunde a busca por amizade por atração e o que começa como uma procura por um retorno ao lar, termina num evento de assédio. Miriam é vítima de violação e a própria irmã recusa-se a acreditar nela. Para se vingar, e para salvar a irmã de um marido que é um manipulador, Miriam decide ir ao extremo. Mas qual será o custo da sua vingança?

A dupla Madeleine Sims-Fewer e Dusty Mancinelli, que tem feito furor com as suas curtas-metragens sobre abuso e jogos de poder, fez agora a sua primeira longa-metragem, o aguardado Violation.

Apesar da estrutura do filme não ser linear, acompanhamos Miriam em todos os passos importantes da sua transformação, numa narrativa bastante simples e direta, em que o que importa aqui não é tornar este conflito mais complexo, mas mergulhar no detalhe. E este é um filme que se dedica bem ao detalhe. Desde a abordagem visual dinâmica e inovadora, aos diálogos, à recriação de cenas grotescas, encontramos um nível de detalhe e realismo que nos deixa tão fascinados como perturbados.

Chamo a atenção para um momento de sedução, a pouco antes de metade do filme, que começa como um retrato realista e excitante de um encontro sexual, e só nos apercebemos tarde demais do quão inquietante a situação realmente é, ao vermos que os papéis de amantes mudaram para vítima e atacante. A riqueza do filme é essa. Mostra-nos como todos podemos ser vítimas e atacantes, dependendo do momento e circunstância. As pessoas são complexas, diz Dylan num momento de intimidade e partilha, um prenúncio do crime que cometerá e da piedade que nos fará sentir ao vê-lo sofrer por isso.

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Violation é um filme agonizante e pode ser demasiado forte para alguns, mas a qualidade do guião, da realização confiante, os elementos visuais e os atores, fazem deste um thriller de grande qualidade. Miriam é uma protagonista determinada e confiante, assolada pelos seus demónios internos, mas que descobre em si uma força que não sabia ter. Madeleine faz um excelente trabalho no seu papel e todo o resto do elenco está muito forte, principalmente Jesse LaVercombe, no papel de Dylan. Quando um ator consegue representar um vilão com tanta humanidade, não conseguimos deixar de sentir alguma empatia quando o vemos sofrer tão brutalmente uma vingança merecida.

Só perto do final é que o filme sofre um pouco de problemas de ritmo e o final pode ser vago para alguns, mas fora isso, é um filme impactante, que brilha pela simplicidade e reviravolta que nos traz à história de vingança. Não há uma satisfação nesta viagem, apenas uma realização perturbadora que a vingança, como o ato em si, destrói-nos por dentro.

Quando o filme termina, tal como as cinzas dispersas de um homem que nunca mais será visto, resta apenas a memória de uma experiência perturbadora sobre o impacto do abuso sexual. Recomendo que vejam, mas preparem-se, vai ser duro.

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