Crítica – Post Mortem (MOTELX)

Louvável pelo esforço, mas precisava de ir mais longe para causar impacto.

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Sinopse: “Como resultado da destruição causada pela Primeira Guerra Mundial e pela Gripe Espanhola, inúmeros espíritos ficaram presos no nosso mundo. Tomas, o jovem fotógrafo errante post mortem, acaba numa pequena aldeia húngara durante o inverno gelado de 1918, após conhecer uma menina órfã de dez anos, Anna. Mas, à medida que se torna mais familiarizado com a vida do lugar, ele sente cada vez mais que precisa fugir dele. Os ruídos na noite, a aldeia envolta em hostilidade, as mortes estranhas e as figuras sombrias que aparecem nas suas fotos, tudo o leva a querer sair o mais rápido possível.”

Texto por: Filipe Santos

Um fotógrafo post-mortem, alguém que fotografa os cadáveres de pessoas falecidas junto com os seus entes queridos, viaja até uma aldeia remota na Hungria que foi vitimizada pela Primeira Guerra Mundial e a Gripe Espanhola. Um sobrevivente da guerra, Tomás, o nosso herói, é visitado por estranhas visões e descobre que o véu entre a vida e a morte não existe nesta aldeia.

Post Mortem, do realizador Péter Bergendy, destaca-se como sendo um dos mais bem-sucedidos filmes de terror hungáros nos últimos tempos. Com um orçamento considerável, grande produção e um guião que mistura o épico, com o folclore húngaro e os horrores sociais do início do século XXI, é um filme ambicioso.

Claro que, logo desde a primeira noite, há sinais de que algo está muito errado nesta aldeia. Barulhos estranhos ouvem-se pela casa. Portas batem. Há passos no telhado. E até durante o dia, os mortos parecem mexer-se por vezes. Tomás é impelido a investigar mais a situação quando descobre que os fantasmas são uma presença habitual numa aldeia tão visitada pela morte, desde que a maioria dos jovens foram levados pela Primeira Guerra e a Gripe Espanhola. Mas quando os fantasmas começam a atacar e a assassinar habitantes, ele fica impelido a intervir, para tentar salvar a vida de Hanna, a jovem aldeã com quem faz amizade.

A nível de terror, é uma premissa intrigante, mesmo que não sendo necessariamente original. Já vimos muitas vezes a mesma história do estranho solitário que viaja para um lugar remoto para executar uma tarefa, apenas para se envolver nos horrores locais. Mas a ideia de capturar esse processo de fotografar os mortos, uma prática que veio dos tempos medievais dos memento mori, e que foi revigorada durante a época vitoriana com a chegada da fotografia, é bastante original.

Os momentos mais agonizantes do filme são aqueles em que Tomás manipula os seus “sujeitos”, nas poses e posturas que devem assumir para serem fotografados como se estivessem vivos. O problema é que, apesar da premissa ser boa, o guião deixa algo a desejar com algumas falhas na motivação de personagens e sequências que precisam de mais lógica para existirem no contexto da história. Por exemplo, Tomás têm uma aparente ligação ao mundo dos mortos, mas esse elemento não é trabalhado o suficiente para entendermos como ele pode ser tanto a causa, como a solução para este problema.

Além disso, há várias sequências que parecem existir apenas para tentar provocar choque ou sustos, mas que se tornam desnecessárias e até redundantes na narrativa, como é o caso de um ataque a uma criança, por parte dos fantasmas, que é levado de tal forma até à exaustão, que a certo ponto só se torna cómico. Infelizmente, várias vezes durante o filme acontecem eventos arrepiantes, mas sem uma explicação lógica, e quando se está à espera que no final nos seja apresentado uma motivação clara para o porquê dos fantasmas estarem a atacar as pessoas, essa nunca surge.

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Mas para mim, além do guião ser muito fraco e de não encontrarmos um comentário por baixo de uma narrativa que decorre num cenário histórico, com circunstâncias que são muito férteis para uma crítica ou retrato social, o grande problema é que o filme não mete medo. A realização não aproveita as circunstâncias de forma original, dá para ver os sustos à distância e a caracterização dos elementos sobrenaturais é muito fraca, exceto na representação dos cadáveres quando possuídos.

Há elementos visuais muito fortes, sim, como o uso da água como conduta para o mundo dos mortos. Esse aspeto é muito interessante, mas tal como todos os componentes dramáticos do filme, não é de todo explicado e explorado de forma realmente inquietante.

O esforço foi louvável, mas o filme acaba por desapontar se estão à procura de uma história verdadeiramente aterrorizante. Como puro entretenimento, a um nível mais superficial, pode satisfazer, mas o guião fraco, os sustos fáceis e a realização pouco inspirada, impede o filme de ser algo mais que passageiro. Nunca chega a ser verdadeiramente horrorizante. Louvável pelo esforço, mas precisava de ir mais longe para causar impacto.

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