Milky Chance no LxFactory – Uma noite de verão

Poderia muito bem ser um concerto no meio do deserto, com cactos à volta, um areal quente e o barulho das cigarras a enfeitar a voz rouca de Clemens Rehbein, o vocalista da banda alemã Milky Chance, mas o espaço do LxFactory, em Lisboa, preencheu, e bem, o propósito.

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Mind The Moon é o nome da tour e também do último álbum, lançado em 2019. Uma espécie de luz amarela, como se fosse uma lua, preenche a parte direita do palco e é com casa cheia que “Fallen”, desse mesmo álbum, começa a noite. A vibe psicadélica, sentida pelo público, de quem está com demasiado calor para esta altura do ano, é culpa de um dos criadores de “Stolen Dance”, Clemens, que, com leveza, dança com as mãos enquanto quase beija o microfone.

Apesar de a banda se ter popularizado através do grande hit mencionado, o concerto do LxFactory mostrou que há muito mais para dar do que isso. Quem está ali sabe cada letra de cor e não falha nem um tom. Há quem se esmague para tirar uma polaroid a Clemens e a Philipp Dausch enquanto atuam, relembrando que a estética da banda se situa num alternativo folk que fica melhor em analógico do que em digital.

“Fado”, também do álbum Mind The Moon, não é cantada em português, claro, mas com uma palavra tão nossa só pode ser bem recebida. Nós gostamos disso. Talvez por isso mesmo, por ter uma palavra que nos diz tanto, ou talvez porque Clemens fecha os olhos sempre que a diz enquanto canta e se deixa levar, numa boémia musical que só quem viu sabe descrever.

Clemens e Philipp não falam entre as músicas, apenas se apresentam brevemente no início do espetáculo, num misto entre o envergonhado e o “sabemos bem o que estamos aqui a fazer”, e o público não se parece importar com isso. No fundo, faz tudo parte da mística da dupla alemã, que nos entrega “Blossom” e “Cocoon” de seguida, ambas do álbum Blossom (2017), mas a “Down By The River”, um dos grandes hits dos Milky, chega e tira o protagonismo todo.

A verdade é que a expetativa estava toda na “Stolen Dance”, onde basta um acorde para os pêlos dos braços se arrepiarem e abanarmos a cabeça ao ritmo da música. Até então, eram muito poucos os telemóveis que gravavam o concerto do LxFactory, mas foi difícil fugir a esta, muito difícil mesmo. Sabe bem ouvir um fenómeno de rádio ao vivo e ser exatamente aquilo que já nos deu tantas emoções. A tenda estava armada e quem esperou o concerto todo para ouvir a batida sensação quase que pulava pela sala. São explosões de alegria justificadas e acalmadas com um encore constituído pelas “Ego”, “Running” e “Sweet Sun”.

Não há dúvida, eles conquistam o coração de qualquer pessoa. Chegam, aquecem a sala, deixam todos os convidados à vontade e ainda tocam músicas que nos tocam. Para além do óbvio. Não é para todos.

A noite era fria, mas ninguém diria que poderíamos sentir o verão no inverno. A despedida é rápida, mas crucial: cada bilhete comprado resulta numa árvore que será plantada. Assim já não custa tanto ir embora.

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