A Micron assinou 16 contratos de longo prazo para fornecimento de memória que podem limitar futuras descidas de preços de DRAM e NAND até 2030.
A Micron Technology assinou 16 contratos de longo prazo com grandes clientes para garantir compras de DRAM e NAND até 2030, criando condições que protegem uma parte da sua produção contra quedas acentuadas de preços. A decisão surge numa fase em que a procura por memória continua acima da oferta, impulsionada sobretudo pelo crescimento dos centros de dados de inteligência artificial.
Os contratos seguem um modelo “take-or-pay”, no qual os clientes assumem alguns compromissos mínimos de compra, pagando pelos volumes acordados mesmo que não utilizem toda a capacidade reservada. Em troca, garantem acesso a fornecimento numa altura em que a indústria enfrenta limitações de produção.
De acordo com a Micron, os acordos abrangem cerca de 20% do volume de DRAM produzido pela empresa e aproximadamente um terço da produção de NAND durante o período contratado. A maioria dos contratos tem uma duração aproximada de cinco anos, entre 2026 e 2030, enquanto os acordos com clientes da área automóvel têm geralmente prazos mais curtos. A empresa não fixou todos os preços da memória até ao final da década, mas estabeleceu condições que dificultam uma queda acentuada dos valores numa parte relevante da sua produção. Alguns contratos incluem limites mínimos e máximos de preço baseados nas condições atuais do mercado, enquanto outros utilizam preços fixos ou continuam ligados à evolução normal da indústria. Esta estratégia permite à Micron reduzir o impacto dos ciclos tradicionais da indústria da memória, onde períodos de grande procura são frequentemente seguidos por excesso de oferta e reduções significativas nos preços. A fabricante afirma que os valores mínimos definidos nos contratos deverão garantir margens superiores ao anterior pico registado em ciclos anteriores do mercado.
Estes acordos não determinam, no entanto, diretamente o preço final de módulos de RAM, SSD ou equipamentos eletrónicos vendidos aos consumidores. Esses valores continuam dependentes da concorrência entre fabricantes, da procura, dos stocks disponíveis e dos contratos negociados por empresas que utilizam estes componentes. Ainda assim, a decisão dos grandes clientes de aceitar compromissos de longo prazo mostra a pressão existente sobre o fornecimento de memória. Com uma parte da produção futura protegida por estes contratos, uma nova descida acentuada dos preços poderá demorar mais tempo a acontecer do que em ciclos anteriores.
A Micron espera que a procura por DRAM e NAND continue acima da oferta pelo menos até depois de 2027, e admite que a capacidade de produção poderá começar a melhorar gradualmente a partir de 2028, mas não prevê quando o mercado regressará a um equilíbrio completo. A inteligência artificial continua a ser um dos principais fatores desta pressão, muito por causa dos centros de dados dedicados a sistemas de IA que utilizam grandes quantidades de memória, especialmente HBM, uma tecnologia de elevado desempenho cuja produção também consome capacidade industrial que poderia ser utilizada noutros segmentos de DRAM.
A expansão da oferta exige assim muitos investimentos demorados. As novas fábricas de semicondutores necessitam de vários anos de construção, de equipamentos especializados, da aprovação regulatória e de infraestruturas energéticas capazes de suportarem a produção, com possíveis impactos ecológicos muito elevados. Ao mesmo tempo, as fabricantes têm redirecionado parte da capacidade de NAND para DRAM, devido às margens superiores associadas a este segmento. Os resultados financeiros recentes da Micron refletem este cenário, onde no terceiro trimestre fiscal de 2026, a empresa registou receitas de 41,46 mil milhões de dólares e um lucro líquido GAAP de 28,24 mil milhões de dólares. No mesmo período, os preços médios de venda de DRAM aumentaram na ordem dos 60%, enquanto os preços da NAND cresceram cerca de 80%.
Ainda assim, a decisão dos grandes clientes de aceitar compromissos de longo prazo mostra a pressão existente sobre o fornecimento de memória. Com uma parte da produção futura protegida por estes contratos, uma nova descida acentuada dos preços poderá demorar mais tempo a acontecer do que em ciclos anteriores.
