Hotel instalado dentro do Castelo de Marvão entra em funcionamento pleno após reabilitação de edifício histórico com mais de duas décadas em ruína.
No interior das muralhas de Marvão, uma das vilas históricas mais emblemáticas do Alto Alentejo, um edifício que durante mais de duas décadas permaneceu devoluto voltou agora a ganhar vida com uma nova função. Após um período inicial de soft opening, o Marvão Hotel Museu entrou em funcionamento pleno, instalando-se como uma unidade hoteleira de quatro estrelas no interior do castelo.
A unidade ocupa o denominado Edifício da Janela Manuelina, um imóvel que permaneceu em estado de ruína durante mais de 20 anos e que foi alvo de intervenção de reabilitação. A inauguração oficial teve lugar em março passado, tendo a operação evoluído gradualmente até à atual fase de funcionamento completo. O conceito assenta na valorização do património edificado, articulando a preservação de elementos originais com a adaptação a uma utilização contemporânea.
Entre as características arquitetónicas mantidas destacam-se a janela manuelina, estruturas em pedra e diversos elementos associados à construção tradicional da região. A intervenção privilegiou o uso de materiais locais, como granito, madeira de castanho e cal hidráulica, procurando assegurar continuidade entre a identidade histórica do edifício e as exigências de conforto associadas à classificação de quatro estrelas.
Um dos aspetos centrais do projeto é a acessibilidade. O hotel foi concebido para garantir circulação e utilização por pessoas com mobilidade reduzida em todas as áreas, incluindo quartos e zonas comuns, num contexto particularmente exigente devido à localização em espaço muralhado e de traçado antigo. Trata-se de uma adaptação relevante num território onde as limitações físicas do edificado tendem a dificultar soluções inclusivas.
O acesso ao hotel foi igualmente objeto de planeamento específico. A unidade disponibiliza um serviço de transporte elétrico para hóspedes, facilitando a ligação ao interior da vila e reduzindo constrangimentos associados ao estacionamento e à circulação automóvel em zona histórica. A solução procura responder às condicionantes do local, conciliando mobilidade, sustentabilidade e preservação do espaço urbano.
O hotel dispõe de 12 quartos, distribuídos por cinco tipologias distintas: Clássico Conforto, Clássico Conforto Acessível, Suite Talhas, Superior Familiar e Vista Montanha. A capacidade reduzida reflete uma aposta numa operação de pequena escala, com enfoque na personalização do serviço. Os quartos integram elementos materiais associados à região, incluindo lavatórios em granito, têxteis com referências locais e peças produzidas com matérias-primas tradicionais. A Suite Talhas destaca-se pela presença de estruturas em pedra e talhas de origem romana.
A vertente de museu está integrada no funcionamento da unidade através do espaço expositivo Da Pedra à Pólvora, baseado na coleção privada de José Ribeiro Sudon. A exposição aborda a evolução de artefactos, armamento e sistemas defensivos ao longo do tempo, estando acessível tanto a hóspedes como ao público em geral. Os conteúdos encontram-se disponíveis em português e inglês, incluindo versões adaptadas com leitura simplificada, textos em Braille e imagens em relevo bidimensional.
Quanto à oferta gastronómica, é assegurada pelo Restaurante Guarita, que privilegia produtos e receitas associadas ao Alentejo. Entre os principais elementos da carta encontram-se carnes de borrego e porco alentejano, bem como ingredientes provenientes de produtores locais, numa abordagem que procura refletir a identidade regional através da cozinha.
Para além da estadia, o hotel prevê a disponibilização de um conjunto de atividades sob a designação Marvão Experience. Estas incluem percursos pedestres no Parque Natural da Serra de São Mamede, visitas a produtores de vinho, atividades na Barragem da Apartadura, experiências de RailBike e passeios de jipe. Está também prevista, a partir de setembro, a realização de exposições temporárias com artistas da região, reforçando a vertente cultural do espaço.
