Os dados da monitorização em 15 praias confirmam a prevalência do plástico e o aumento das beatas de cigarro entre os resíduos mais frequentes.
O programa de monitorização de lixo marinho nas praias de Portugal continental voltou a confirmar, nos dados relativos a 2024 e 2025, o peso dominante do plástico nos resíduos encontrados nas zonas costeiras. Coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, no âmbito de um protocolo com a Fundação Oceano Azul, o trabalho incidiu sobre 15 praias distribuídas pelas cinco regiões do continente e contou com a colaboração de vários municípios, do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Matosinhos e da Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação.
Os resultados mostram que o plástico representou 89,5% dos itens identificados em 2024 e 88% em 2025, mantendo-se claramente como o material mais frequente. Dentro desse universo, os fragmentos resultantes da degradação de plástico assumem particular expressão: corresponderam a 55% dos resíduos recolhidos em 2024 e a 47,8% em 2025, o que confirma a relevância da fragmentação de materiais já existentes no ambiente costeiro.
A monitorização permitiu ainda identificar os resíduos mais recorrentes nas praias analisadas. No conjunto do chamado top 10 dos itens mais frequentes, destacam-se as beatas e filtros de cigarro, que subiram de 7,2% em 2024 para 9,8% em 2025. Entre os restantes elementos mais comuns surgem as embalagens de batatas fritas e guloseimas, as cápsulas e tampas de garrafas e os cotonetes com haste de plástico, estes últimos ainda presentes em quantidade relevante apesar da proibição da sua comercialização.
Quando se observa a origem dos resíduos com fonte identificável, o turismo e as atividades de recreio continuam a liderar a lista, com cerca de 50% em 2024 e 46% em 2025. Segue-se o saneamento, responsável por 36% e 38%, respetivamente, enquanto os artigos associados à pesca e à aquacultura representam entre 10% e 12% dos resíduos identificados.
