LinkedIn já deixa denunciar publicações que parecem “lixo de IA”

- Publicidade -

O LinkedIn está a testar uma ferramenta que permite denunciar publicações consideradas artificiais ou de baixa qualidade e reforça a deteção de conteúdos automatizados. E sim, é mesmo “lixo de IA” em Portugal.

O LinkedIn está a reforçar as medidas contra aquilo a que chama AI slop, uma expressão usada para descrever conteúdos de baixa qualidade, genéricos ou pouco autênticos produzidos com recurso a ferramentas de inteligência artificial. A empresa já tinha anunciado, em maio, que estava a treinar um modelo de inteligência artificial para identificar este tipo de publicações e reduzir a sua distribuição nos feeds dos utilizadores. Agora, decidiu avançar com novas funcionalidades e mecanismos de sinalização.

Uma das principais alterações é a possibilidade de os utilizadores indicarem que uma publicação parece ter sido produzida com recurso excessivo ou inadequado a inteligência artificial. A nova opção surge associada ao menu acessível através dos três pontos apresentados no canto superior direito de cada publicação. Ao selecionar essa opção, poderão comunicar ao LinkedIn que consideram que determinado conteúdo parece lixo de IA. Sim, é mesmo assim que a opção surge em Portugal.

De acordo com Hari Srinivasan, diretor de produto do LinkedIn, a empresa reconhece que não existe uma definição fixa para este tipo de conteúdo. O que é considerado artificial, genérico ou pouco autêntico pode mudar ao longo do tempo e variar de acordo com o contexto. Por esse motivo, os sinais enviados pelos utilizadores deverão ajudar a empresa a ajustar os seus modelos de classificação e a melhorar a selecção dos conteúdos apresentados nos feeds.

Sinalização privada nas análises

O LinkedIn pretende também dar algum retorno aos autores das publicações sinalizadas. A empresa está a testar uma forma de informar, de maneira privada e através do painel de análise, quando os utilizadores consideram que determinado conteúdo pode parecer pouco autêntico ou revelar uma utilização excessiva de inteligência artificial. A informação não será apresentada publicamente na própria publicação, mas poderá ficar disponível para quem criou ou partilhou o conteúdo.

A empresa afirma que esta medida se baseia em duas conclusões. A primeira é que a utilização de inteligência artificial e a produção de conteúdo de baixa qualidade não são necessariamente a mesma coisa. Muitos utilizadores recorrem a estas ferramentas para organizar ou aperfeiçoar ideias, sem deixarem de expressar opiniões, experiências ou conhecimentos próprios. A segunda é que os autores podem beneficiar mais de reacções de pessoas reais sobre a forma como o seu conteúdo é recebido do que de uma avaliação exclusivamente automática, que poderá classificar erradamente uma publicação.

O LinkedIn também retirou a funcionalidade enhance your post, que utilizava inteligência artificial para reescrever os textos preparados pelos utilizadores. No seu lugar, a empresa está a introduzir uma ferramenta de revisão, concebida para corrigir ou aperfeiçoar o texto sem alterar a voz de quem o escreveu. A diferença pretende ser relevante: em vez de transformar a publicação ou sugerir uma formulação inteiramente nova, a funcionalidade deverá limitar-se à revisão das palavras utilizadas pelo autor.

Medidas contra conteúdos automatizados

A decisão surge num contexto de crescente preocupação com a quantidade de conteúdos gerados artificialmente nas plataformas digitais. A utilização de ferramentas de inteligência artificial para produzir publicações, comentários e outros formatos de conteúdo tem aumentado, mas também tem provocado críticas por parte de utilizadores que consideram que muitos desses materiais são repetitivos, vagos e desprovidos de experiência ou conhecimento pessoal. No LinkedIn, onde as publicações estão frequentemente relacionadas com atividade profissional, competências e perspetivas individuais, a perceção de autenticidade assume particular importância.

A empresa garante, no entanto, que não pretende impedir ou limitar toda e qualquer utilização de inteligência artificial. O objetivo declarado é reduzir a presença de conteúdos considerados genéricos, artificiais ou de baixa qualidade, e não penalizar publicações originais apenas porque os seus autores recorreram a uma ferramenta para estruturar, rever ou desenvolver uma ideia. A distinção entre uma utilização auxiliar da tecnologia e a produção automática de conteúdos sem contributo significativo do autor será, por isso, uma das principais dificuldades do sistema.

Além dos classificadores destinados a identificar publicações potencialmente artificiais ou de baixa qualidade, o LinkedIn diz estar a reforçar as suas defesas contra formas automatizadas de utilização da plataforma. Segundo a empresa, são detetadas diariamente centenas de milhares de tentativas de publicação automática de comentários. Nos últimos meses, a plataforma afirma ter bloqueado milhares de milhões de outras tentativas de automatização, incluindo atividades relacionadas com a publicação de conteúdos em grande escala.

O LinkedIn está igualmente a desenvolver novos sistemas de classificação para identificar publicações que possam ser consideradas lixo de IA ou, de forma mais abrangente, conteúdos de baixa qualidade. A intenção é reduzir a quantidade desse material apresentada nas recomendações e nas publicações provenientes de pessoas que não fazem parte da rede direta de cada utilizador. A empresa não afirma que estes sistemas conseguirão eliminar completamente esse tipo de conteúdo, mas pretende diminuir a sua presença nos feeds.

Mais controlo sobre conteúdos e perfis

Outra alteração anunciada está relacionada com os comentários publicados por páginas de empresas. Os utilizadores deverão passar a poder bloquear comentários provenientes de páginas empresariais que já não pretendam ver. Esta opção será independente dos mecanismos de deteção de conteúdos gerados por inteligência artificial, mas integra o mesmo conjunto de medidas destinadas a dar aos membros maior controlo sobre o material que aparece nas suas áreas de utilização.

A empresa pretende ainda continuar a expandir a verificação de perfis e páginas. O objetivo é permitir que os utilizadores identifiquem com maior facilidade as pessoas e organizações com quem estão a estabelecer contacto, bem como os autores dos conteúdos que consultam. A verificação deverá funcionar como uma forma adicional de transparência numa plataforma onde a identidade profissional é uma componente central da experiência.

Um problema ainda sem solução definitiva

A introdução de um mecanismo específico para denunciar publicações que parecem ter sido produzidas por inteligência artificial tem gerado reações diferentes. Há utilizadores que consideram que a nova opção poderá ser útil para combater conteúdos repetitivos e pouco informativos, enquanto outros entendem que a medida pode ser insuficiente ou criar avaliações subjetivas sobre o que deve ser considerado autêntico. A própria dificuldade em definir lixo de IA torna provável que a interpretação da funcionalidade evolua à medida que for utilizada.

A discussão também reflete uma contradição presente na forma como muitas pessoas utilizam a inteligência artificial. Os utilizadores podem recorrer a estas ferramentas para melhorar os seus próprios textos, mas, ao mesmo tempo, rejeitar conteúdos de terceiros quando percebem que foram excessivamente automatizados.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados