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Ricardo Carriço, a voz de God of War: “Kratos é agora mais humano. Agora é Pai.”

Hoje comemora-se o Dia do Pai e nós tivemos, recentemente, a oportunidade de falar com um “Pai” muito especial.

É bastante conhecido, é virtual e tornou-se pai depois de viajar para o norte, onde também deixou crescer uma bela de uma barba. Estamos obviamente a falar de Kratos, do novo jogo God Of War para a PlayStation 4, que na sua versão portuguesa é tem a voz de Ricardo Carriço.

A sensivelmente um mês do lançamento deste exclusivo PlayStation, aproveitámos um encontro especial, no passado dia 6 de março, onde para além de podermos experimentar um pouco do jogo, estivemos à conversa o ator português, para saber como é o processo de dobragem de um jogo deste calibre e qual é que foi momento que mais o marcou nesta nova aventura enquanto pai.

Echo Boomer (EB): Como é que descreves o Kratos?

Ricardo Carriço (RC): Eu descrevo o Kratos como um homem revoltado pela sua condição. É um Deus que gostava de ser homem e ter, de algum modo, a mesma liberdade. E acaba até por haver esta revolta em que, pelo menos no primeiro jogo que eu gravei, mata a família toda.

Compreendo esta revolta dele. É um Deus que, no fundo, quer ser humano, e que não se pode nunca dissociar, ou separar, dessa sua origem, o que é engraçado porque acaba por ser o retrato de muita gente que existe na nossa sociedade. E ele tem um bocadinho de todos nós, quando somos obrigados a viver numa sociedade que exige que nós nos comportemos de certa e determinada maneira e que às vezes apetece partir tudo e mais alguma coisa, só que não dá porque depois andávamos todos aqui à machadada.

E compreendo o gajo e gosto dele. Sou fã do Kratos. (Risos)

(EB): Já conhecias o Kratos antes de ser convidado para lhe dar voz?

(RC): Eu não conhecia o jogo, confesso. Esta é a terceira edição que eu faço e fui um bocadinho apanhado de surpresa. Não estava, de todo, à espera de apanhar um jogo com a intensidade (não vou dizer de violência), que este jogo tem.

Eu comentava há bocadinho quando tinha o Joaquim Guerreiro a respirar intensamente, que está hoje a fazer de Kratos (a jogar God of War), como ele estava em personagem. E quando nós estamos a gravar, por muito que estejamos só a trabalhar com a voz, a nossa expressão física e corporal acaba por ter o mesmo tipo de reação. Todas as vezes que gravava este personagem acabava com a minha t-shirt ensopada. Transpirava que nem um doido. E toda a gente perguntava “Tens frio?” e eu “Não, estou a morrer de calor!”. E é apaixonante. É difícil, confesso, porque exige, em termos vocais, um trabalho intenso, e que temos que ter a capacidade de dosear muito bem para não rebentar com as cordas vocais. Mas é um personagem apaixonante.

(EB): Achas que é qualquer ator que conseguiria dobrar a voz desta personagem?

(RC): Eu acho que todos os atores têm essa capacidade. Tem muito a ver com o registo e requer uma voz grave – a minha voz é grave, não é? (risos) – e monocórdica ao mesmo tempo, como a voz do original.

Eu sempre que me entusiasmava um bocadinho, havia sempre esse cuidado de manter aquele registo e fazer com que não saísse da maneira como o Kratos fala.

(EB): É complicado dar-lhe voz?

(RC): É porque tens que controlar a tua própria emoção, não ires atrás dela. E depois tens que te manter fiel à voz original. Isso é difícil.

(EB): Gravar a voz do Kratos abriu mais portas no mundo da dobragem?

(RC): Dobragens eu já tinha feito mais para filmes de animação, mas, mesmo assim, são áreas completamente diferentes. Acontecem coisas semelhantes em algumas animações, em que o produto ainda vem num estado muito bruto. Nós acabamos por estar a trabalhar sob referências ou sobre desenhos em linha e, aqui, trabalhámos sob algumas imagens que não estavam terminadas.

Haviam outras que acabámos por respeitar, ou seja, ouvia o original e gravava por cima, havia a necessidade que o tempo fosse certo. E claro, que conseguisse meter naquela questão de segundos, isto é, sobrepor ao original, a versão portuguesa.

(EB): Que diferenças encontras entre gravar voz para jogos e para animação ou cinema?

(RC): Aqui há uma grande diferença em que normalmente os filmes de animação são para toda a família. E isto não é (risos). São jogos para maiores de 18 anos, logo aí há uma diferença bastante significativa por todas as características que nós já conhecemos.

(EB): Há espaço para improvisos durante as gravações?

(RC): Pode haver em alguma situação uma adaptação da linguagem, para que ela seja mais coloquial, ou uma linguagem de época. Em português, as nossas expressões ficam normalmente mais longas do que em inglês.

Mas não, improviso esquece.

(EB): Quanto tempo é que demorou este processo de gravação? Foi mais, ou menos, longo nas outras edições?

(RC): Talvez os primeiros tenham sido mais “violentos”. Não quer dizer que tenham sido mais longos. Acho que acabámos por fazer quatro ou cinco sessões de três a quatro horas cada uma, o que é puxado.

Depois houve momentos pontuais em que eu voltei para corrigir algumas coisas, pois achávamos que podíamos melhorar. Este trabalho foi todo feito na BlueLab.

Para este jogo foram (também) três ou quatro sessões. Se formos a contar foi o equivalente a um mês.

(EB): Este Kratos, é então, muito diferente do anterior?

(RC): É exatamente o mesmo. Tem um filho. E depois é engraçado ver esta dualidade de um homem que não quer ser Deus e, de repente, põe-se num confronto em que o filho, que ele acha que a dada altura está doente, mas na verdade está com o mesmo problema dele. Enquanto ele não se assumir enquanto um Deus, o filho não vai melhorar. É um dilema que ele vai ter que responder.

A grande diferença de dar voz ao Kratos agora é que, de repente, ele está mais humano. Agora é pai, logo há muita coisa que acalmou, e até há momentos que se consideram, de alguma forma, emocionantes, em alguns diálogos que ele tem com o filho.

Nas edições anteriores eram mais exigentes em termos de dobragem, porque exigiam muito mais da interpretação.

(EB): Ter um companheiro (Atreus) nesta nova aventura afeta alguma coisa no processo de gravações?

(RC): Acaba por não afetar em absolutamente nada, porque acaba por ser um trabalho solitário.

Houve um dia em que resolveram reunir pai e filho. Eu conheci o pai biológico e ele conheceu o pai virtual. E foi engraçado, porque, para já, é extraordinária a capacidade do miúdo em dar a voz a este personagem (Atreus). O miúdo nunca tinha feito nada e acertava à primeira nos tempos certos.

(EB): Agora sobre os ambientes da série. Qual é a tua mitologia favorita? A nórdica ou a grega?

(RC): Eu gosto sempre da grega, mas a nórdica acaba por ser meia esotérica. Há aquela ideia de que a mitologia nórdica é um bocadinho virada mais para a “bruxaria”, enquanto que a grega abraça mais os Deuses. (A mitologia Nórdica) Acaba por ter um lado mais salvagem, mais “dark side of the moon” e crua.

(EB): Se pudesses escolher uma próxima época ou mitologia, qual seria?

(RC): Eu adorava que o Kratos chegasse cá, ao século XXI, e que fosse até à Coreia (do Norte) ou aos Estados Unidos e tivesse uma conversa com o Trump ou assim, era muito bom (risos).

(EB): Há algum momento, que possas partilhar, que te tenha marcado mais enquanto Kratos?

(RC): Eu acho que é o momento em que ele fala com o filho, que até está no trailer, em que lhe pergunta se ele é um homem normal, e ele vai ter que lhe dizer que não. E vai ter que explicar ao filho que, também ele, não é um homem normal e que é filho de um Deus, logo é também um Deus. E acho que esse momento é o ponto de viragem para estes dois personagens.

(EB): Para finalizar, dá-nos uma boa razão para jogar God of War.

(RC): Dou todas! Para aqueles que são apaixonados para este tipo de jogos, não só tem uma banda sonora brutal, como tem uma qualidade de imagem fora de série, quase hiper-realismo. E se continuarmos a andar nesta evolução, o próximo God of War, que eu espero voltar a dobrar, vão parecer quase pessoas.

As pessoas podem contar ainda com um jogo com a mesma dinâmica que sempre teve, apesar de a história ser um bocadinho mais calma devido à presença do filho. Mas não deixa de ter a ação e o dinamismo que todos ansiamos.

 

(Esta entrevista foi editada para ser mais breve e clara.)

God Of War chega à PlayStation 4 no próximo dia 20 de março e conta com uma mão cheia de edições que já estão disponíveis para pré-reserva.


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