Kool & The Gang – Celebrámos os bons momentos e foi mesmo “fixe”

por Matteo Ottocento

Se há uma banda que é verdadeiramente cool, embora com “K”, são os Kool & The Gang.

Se alguém tem dúvidas ou pensa que o boogie e o funky são cenas para freaks e velhos nostálgicos, está redondamente enganado. O concerto de 30 de junho na Altice Arena não só fez dançar, como trouxe bom humor neste Verão que está ainda incerto.

A banda de Jersey City (New Jersey), fundada em 1964 pelos irmãos Robert “Kool” e Ronald Bell, prometia uma grande festa. E a festa foi divertida e cheia de dança, com gente bem-disposta, roupas vistosas e músicas antigas e intemporais.

Com mais de 50 anos de história, a banda foi, por força das circunstâncias, retocada no tempo e conta agora com a participação de 11 membros, só para reforçar a ideia de que “quantos mais somos, mais nos divertimos”, num continuum geracional que faz com que a festa nunca vá acabar.

Tendo em conta o número de pessoas que estava a dançar, a Altice Arena parecia quase uma discoteca, já que as cadeiras postas no meio da plateia tornaram-se completamente inúteis. Uma mistura de funk, R&B e disco fez-nos saltar atrás no tempo, especificamente aos dancefloor da América dos anos 70, um imaginário também tão querido ao cinema de Hollywood.

Um exemplo? O de Quentin Tarantino, realizador cuidado com a música dos próprios filmes que, depois de nos ter deixado ouvir no rádio Super Sounds dos anos 70 em Reservoir Dogs, escolheu mesmo “Jungle Boogie” dos K&G como parte da banda sonora da sua obra-prima Pulp Fiction, citando também a banda em Kill Bill.

Quentin à parte, o espectáculo dos K&G na Altice foi impecável, entre antigos session men e novos jovens músicos que, entre eles, trocavam frequentemente os instrumentos e o grande trompetista Michael Bay que, com quase 67 anos, deu-nos “um baile” no palco.

A banda interpretou todos os maiores sucessos, começando por “Tonight”, “Fresh”, “Too Hot” e a romântica “Joanna”. Se desde o início o público ficou de pé, ao cerne do concerto estava já completamente desinibido. De “Sexy (Where’d you get yours)” até ao funk de “Funky Stuff” e “Jungle Boogie”, a música coreográfica dos K&G acabou em crescente tocando os hits mais conhecidos, como “Ladies Night”, a fantástica “Get down on it” e, obviamente, “Celebration”, deixada como música final no encore.

23 álbuns, uma grande quantidade de singles, um invejável êxito comercial com milhões de cópias vendidas, vários prémios ganhos entre os Grammys Awards e os American Music Awards e mais de meio século de carreira. Uma tournée que continua (no passado 2 de julho tocaram no Casino do Estoril), talvez com a ideia de fazer em breve um novo álbum, entre outros projetos.

Está na hora de parar? Não há tempo, há gente que ainda quer dançar.

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