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Jameson Urban Routes com Surma e Austra: Uma noite onde a estrela portuguesa brilhou

Depois de, no ano passado, ter mudado de formato ao passar a ocupar uma semana inteira, o Jameson Urban Routes aplicou o mesmo modelo à edição deste ano, que trouxe nomes como Peter Brötzmann, Solution, The Black Lips e Austra, só para citar alguns.

A nós, calhou-nos bilhete para o dia 28 de outubro, onde se incluía as atuações da portuguesa Surma e da banda canadiana Austra. E, se a nossa artista brilhou, os Austra foram a desilusão da noite.

Começando pela leiriense Surma, a verdade é que Antwerpen, disco de estreia do projeto da jovem Débora Umbelino e que foi apresentado nesta noite, é um dos melhores discos lançados este ano no mercado nacional.

Há uma fusão de diversas características que faz com que tudo resulte no mundo criado pela jovem: doçura, fragilidade, inspiração cinematográfica e uma viagem para países mais distantes. Desde o lançamento do álbum que demos por nós a ouvir as músicas de Surma vezes e vezes sem conta, ficando, sempre, com um arrepio na espinha, ao mesmo tempo que viajávamos mentalmente para locais tão diferentes como Bélgica, Noruega, Suécia ou Islândia.

Surma

Há inspirações claras em Bon Iver e Sigur Rós. Ao vivo, Surma não faz por menos, oferecendo a todos os aqueles que estiveram no Musicbox uma sonoridade bem agradável e trabalhada.

Em cima do palco, a jovem leiriense perde aquela aparente timidez e entra no seu mundo, que dá a conhecer a cada música que vai interpretando. O próprio público vai conhecendo melhor Surma à medida que o concerto se desenrola, e, mesmo com algum ruído de fundo, fazem a festa com músicas ambientais e melancólicas, o que não é muito habitual.

Quem ouvir Surma em disco e conseguir assistir a um concerto da jovem, verá um certo contraste: se ouvimos belas músicas e uma eletrónica delicada e suave em disco, ao vivo as canções ganham uma nova toada, e aquela jovem tímida e frágil que fala antes dos temas, transforma-se num ser diferente, tornando-se, por vezes, endiabrada.

Ali no Musicbox, a pureza de músicas como a fabulosa “Nyika”, a estonteante “Voyager” e as já muito populares “Hemma” e “Maasai” só nos fizeram desejar de ouvir o disco no carro ou na aparelhagem assim que o concerto terminasse.

No final de tudo, Surma agradeceu a todos os presentes, desafiando também quem por ali passava: “Vamos curtir Austra juntos. Até já”.
Mas podia nem ter acabado, não nos importaríamos, de todo.

Se querem música que vos faça pensar em montanhas e em locais distantes e que vos encha o coração de emoção e sentimento, a resposta é óbvia: vão ver um concerto de Surma.

Cerca de 20/25 minutos depois, entravam em palco os canadienses Austra. A expetativa era muita (pelo menos da nossa parte), mas verificámos que umas quantas pessoas tinham saído da sala depois do concerto de Surma.

Austra

Olhámos para trás, e, de facto, a sala estava só a meio gás, com o público muito concentrado ao pé do palco. No local onde estávamos, havia espaço de sobra para dançar.

Depois de terem passado pelo Milhões de Festa em 2013, foi no Jameson Urban Routes que os Austra fizeram a sua estreia em Lisboa. E se em disco os Austra parecem algo cerebrais, operáticos e focados numa direção sonora, ao vivo a coisa funciona de maneira diferente… E parece uma salganhada.

O concerto até começou bem. “Future Politics” e “Utopia”, do novo álbum Future Politics, ajudaram a marcar o tom, com a bateria a acentuar-se na secção rítmica. O pior é que esta percussão, que se revelou preciosa nos temas iniciais do concerto, viria a tornar-se imensamente maçadora e repetitiva nas canções que se seguiram.

Se isto levava à exaustão, o que dizer de Katie Stelmanis, a vocalista? Voz altamente estridente e com entradas fora do tempo nos temas que iam surgindo. Pior ainda foi a desafinação constante.

Em disco, os Austra sabem o que fazer e como o podem transmitir, criando uma atmosfera eletrónica que deveria demonstrar já uma certa maturidade. Gostávamos de ter ouvido temas como “Hurt Me Now”, “Home”, entre outros, mas não deu para aguentar mais e tivemos mesmo de abandonar a sala. Os Austra foram, sem dúvida, o elo mais fraco nesta noite do Jameson Urban Routes.

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