Rock in Rio Lisboa 2018 | James: Abençoados num dia cinzento

Não era a primeira que Portugal recebia os James. De todo. Se os dados estiverem corretos, este terá sido o 31º concerto em solo luso, uns mais bem conseguidos que outros. No concerto do Rock in Rio Lisboa, ainda que não tivessem atuado assim para tanta gente – a chuva não ajudou -, os James, que abriram o Palco Mundo nesse dia, foram iguais a si próprios, conseguindo meter toda a gente a cantar com eles, especialmente nos seus maiores sucessos.

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A banda, coesa como sempre, lá foi dando o melhor de si para, talvez, apelar aos céus que parassem com a chuva. E Tim Booth, vocalista da banda com 58 anos de idade, mais parecia um padre em que todos confiam, cantando várias vezes entre o público, e, também, para alguns dedos de conversa. A energia está toda lá e a voz, apesar de já caminhar para os 60 anos de existência, não acusa a “velhice”.

Os James, que dão concertos há 20 e muitos anos em Portugal, estiveram pela última vez em 2012 no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa. Desta feita, trouxeram algumas músicas do próximo álbum de estúdio, Living in Extraordinary Times, a ser editado em agosto, tais como “Hank”, “Heads” ou “Many Faces”, esta última sobre a era Donald Trump, e, provavelmente, um próximo hit da banda.

Perante um público mais velho, como se fossem fãs de longa data, Tim Booth sentiu-se, lá está, em casa, ficando pelo palco poucas vezes e atuando perante os seus seguidores, como aconteceu no tema “Born of Frustration”. Chegou, até, a pedir que a malta largasse os telemóveis: “Vocês querem viver no momento ou numa memória?”, apelando a que os presentes deixassem os pixéis dos ecrãs de bolso e vivessem a experiência com os seus próprios olhos.

Em “Getting Away”, Tim Booth fez uma espécie de crowdsurfing, em “Sit Down or Bells” houve um coro gigantesco, e, já para o final, a inconfundível “Sometimes”.

A finalizar o concerto esteve “Laid”, marcada por alguns problemas de som. “Podem arranjar isto?”, apelava, às tantas, o vocalista Tim Booth.

Terminava a música no Palco Mundo, mas surgia a revolta contra este mundo em que vivemos, com Saul Davies, guitarrista da banda, a envergar uma tshirt “Fuck Brexit“.

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