Jack Broadbent – A vida uma canção de cada vez

Em noite chuvosa, duas guitarras encontram-se sozinhas no palco do Grande Auditório do CCB. Minutos depois, cala-se a música ambiente easy listening (muito ao estilo da estação de rádio que patrocinou o evento) e entra em cena o ágil Jack Broadbent, garrafas de Corona em punho, e depressa começa a tocar “On the Road”.

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Uma corda partida.

Com canções folk e blues de recorte clássico (inspirações como John Lee Hooker saltam facilmente à memória), e um sentido de humor auto-depreciativo que colhe sempre frutos, Broadbent rapidamente ganha a atenção dos presentes.

Duas cordas partidas. Felizmente, esta foi a última.

De perfil esguio e cabelos longos, a característica mais impressionante de Broadbent, um artesão das cordas, é, sem dúvida, a sua mestria na slide guitar, não deixando de ser um belo intérprete de guitarra acústica, passando naturalmente de uma para outra, sem dificuldade aparente.

Falando de repertório, há alguma sensação de que as canções originais ainda não são do conhecimento de todos (e que podem ser auscultadas em grande parta no mais recente álbum, o gravado ao vivo One Night Stand, de 2018), e, assim, o alinhamento vai fazendo um sortido com versões de artistas como “Little Feat” (com “Willin”, a canção preferida do pai do artista), ou Jimi Hendrix (com o mítico “The Wind Cries Mary”), as quais vão aquecendo o auditório que se sente aquecido, embora não a escaldar.

De facto, a presença solitária e intimista de Jack Broadbent talvez peça uma sala mais aconchegada. No entanto, canções escritas pelo próprio como “Don’t Be Lonesome” e “Woman” são bem recebidas, e o rapport do barbudo artista vai garantindo uma reação viva do público.

Assim, os cerca de 90 minutos do concerto vão destilando ao som de outros clássicos do blues, como “Blues Dust”, de Lead Belly, ou as originais “Moonshine Blues” e “This Town” (escrita a pensar em Montreal, onde o muito inglês Broadbent vive, mas que neste noite foi dedicada a Lisboa – presume-se que Alcobaça e Ponta Delgada tenham entretido recebido semelhante honra).

Para garantir que o cliente sai satisfeito, há ainda tempo para o super-conhecido “Black Magic Woman”, de sucesso garantido, e uma autobiográfica “Free and Easy”, escrita por Broadbent durante a sua adolescência.

Foi um tempo bem passado e uma oportunidade que acaba por ser rara no panorama de concertos em Portugal, pouco recheada neste estilo. E não há registo de terem sido partidas mais cordas.

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