O Império Inca no Terreiro do Paço: A realidade virtual que nos leva aos Andes

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Machu Picchu: Viagem à Cidade Perdida é uma expedição imersiva de realidade virtual que promete transportar o visitante diretamente para o coração do império Inca.

Depois do sucesso, que podemos chamar de estrondoso, da experiência Horizonte de Quéops (Horizon of Khufu: Journey in Ancient Egypt) que, segundo o produtor do projeto, durante seis a sete meses vendeu cerca de 30.000 bilhetes no Terreiro do Paço, onde foi inaugurada em dezembro de 2025, a Fever e a World Heritage Exhibitions decidiram elevar a fasquia e trazer até Portugal uma nova cultura, mais exótica e misteriosa. Trata-se de Machu Picchu: Viagem à Cidade Perdida, uma expedição imersiva de realidade virtual que promete transportar o visitante diretamente para o coração do império Inca.

Na sessão de apresentação, o entusiasmo da equipa era evidente ao explicar como este modelo atrai desde jovens aficionados por tecnologia até seniores com mobilidade reduzida, provando que a imersão não tem idade.

Para abrir o apetite, fomos recebidos no espaço de acolhimento – decorado com padrões geométricos andinos e os tradicionais touros de cerâmica Toritos de Pucará – com o menu Tesouros da Cordilheira da Chef Luz, originária do Peru e a profissional por trás daquelas especialidades andinas tradicionais. Uma autêntica viagem gastronómica de finger food cujo cardápio incluiu Chifles con Guacamole, Mini Pan con Chicharrón, Ceviche e Mini Causa Limeña (uma espécie de puré de batata – conhecido como kausay, que curiosamente também significa “vida” ou “sustento”), terminando com os doces Alfajores.

Contudo, o verdadeiro prato forte aguardava-nos nos quiosques digitais, onde as instruções de segurança nos preparavam para os 45 minutos de viagem: avançar sempre em superfície plana, partilhar o espaço com avatares de outros visitantes e estar atento às grelhas vermelhas que delimitam as paredes reais, sabendo que qualquer tontura ou “efeito de simulação” se resolve ao levantar a mão ou retirar o capacete de Realidade Virtual (VR).

Recorrendo à tecnologia LiDAR e à fotogrametria para mapear a escala monumental das montanhas, onde a experiência verdadeiramente brilha e resgata o fator sensacionalista é na dinâmica das transições de iluminação. Quando o ciclo muda e passamos do dia para a noite, ou assistimos a um eclipse, as sombras longas e o luar esculpem as ruínas de pedra com um volume dramático e tridimensional absolutamente soberbo. É nesse cinema imersivo que a iluminação genial atinge o seu auge.

Contudo, numa análise mais cirúrgica, esta monumentalidade geográfica sofre ligeiramente quando comparada com a engenharia narrativa de Quéops. Enquanto a expedição egípcia assentava num enredo forte de exploração arqueológica guiada pela deusa Bastet, com picos de misticismo e uma gestão sensorial brutal da claustrofobia dos túmulos, Machu Picchu assume um tom mais documental e contemplativo. Recriar grandes espaços abertos e vegetação orgânica à luz do dia em VR é um desafio extremo que, por vezes, resulta numa estética diurna mais plana, diluindo o ritmo da jornada e a urgência do fio condutor.

Ainda assim, estas nuances artísticas não beliscam o valor deste projeto. Machu Picchu: Viagem à Cidade Perdida é uma oportunidade imperdível e obrigatória que concilia o futuro do entretenimento e a preservação histórica, um convite irrecusável para nos deixarmos deslumbrar pela grandiosidade de uma civilização mística sem sair do centro de Lisboa.

No fundo, o que todos queremos é divertir-nos e é nesse cinema imersivo, onde a iluminação compensa a falta de pressa do enredo, que sentimos a verdadeira magia dos Andes. Os bilhetes estão à venda através da Fever (aproveitem 5€ de desconto na primeira compra na Fever com o código ALEXANDREL9676).

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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