A IA está a encarecer os gadgets e os consumidores precisam de agir

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Milena Petrovska acompanha há anos a evolução dos mercados digitais e das plataformas de consumo, e o padrão que observa hoje é claro. A corrida à inteligência artificial está a encarecer diretamente gadgets do quotidiano, desde consolas a tablets, por via de uma escassez de memória sem solução previsível a curto prazo. Dentro do orçamento mensal de entretenimento, cada rubrica compete pela mesma verba, e as apostas online não são exceção. Sobre essa categoria de despesa discricional, O Smart Betting Guide aponta a importância de fixar um limite de gasto antes de qualquer sessão, uma disciplina que Petrovska, como observadora de mercados, considera extensível a toda a gestão do orçamento digital, incluindo a decisão de quando e como comprar tecnologia.

A escassez de memória que está a afetar toda a indústria

A explicação para os aumentos de preço em cadeia começa nos centros de dados. Segundo o Pplware, a procura explosiva de memória para alimentar infraestruturas de IA criou uma escassez que está a fazer subir os preços de tablets, consolas e portáteis há vários meses. O problema está na produção. Fabricantes como a Micron, a Samsung e a SK Hynix não têm capacidade suficiente para abastecer em simultâneo os centros de dados e o mercado de consumo tradicional. Dois mercados com necessidades crescentes, uma única cadeia de fornecimento.

A perspetiva temporal é o aspeto mais preocupante. A situação deverá manter-se, no mínimo, até 2028, altura em que as grandes fabricantes de memória esperam ter novas unidades de produção operacionais. Dois anos de espera, no mínimo. E há analistas que vão mais longe, defendendo que os preços podem nunca regressar aos níveis anteriores à crise. Não se trata de uma correção temporária de mercado, mas possivelmente de uma reconfiguração permanente dos custos de produção de hardware de consumo.

Consolas, portáteis e smartphones já sentem a pressão

Os produtos afetados são alguns dos mais procurados no mercado. A PlayStation 5, a Nintendo Switch 2, a Valve Steam Deck e vários modelos de iPad e MacBook já sofreram aumentos de preço nos últimos meses, de acordo com a Pplware. A Microsoft anunciou em julho de 2026 que iria subir os preços da Xbox em agosto, e a responsável pela divisão Xbox descreveu a situação, numa comunicação interna sobre mudanças estruturais, como uma das crises de hardware mais graves de sempre.

Os dados de mercado confirmam a gravidade. A IDC prevê uma queda de 11,3% nos envios de PC em 2026, enquanto o setor dos smartphones deverá registar a maior quebra anual de sempre. A Apple ainda não aumentou o preço do iPhone, mas analistas estimam que a marca precisaria de subir entre 250 e 300 dólares para manter as suas margens de lucro. Nem todos os segmentos são igualmente vulneráveis. Smartwatches e auriculares sem fios deverão escapar em grande parte aos aumentos, porque exigem muito menos memória do que consolas, portáteis e tablets.

Quando comprar para minimizar o impacto

O conselho dos especialistas é direto. Analistas citados pela CNN recomendam antecipar compras já planeadas, mesmo que os preços dos componentes de memória começam a baixar, essa descida só deverá chegar ao consumidor final passado pelo menos um ano. O intervalo entre o alívio na produção e o reflexo no preço de prateleira é longo. Quem esperar por preços mais baixos pode estar à espera por muito tempo.

Conhecer os calendários típicos das marcas ajuda a tomar decisões mais informadas. O iPhone é habitualmente apresentado em setembro. Os modelos de iPad e Mac chegam geralmente em março ou outubro. A Samsung lança a gama Galaxy no primeiro trimestre do ano, enquanto o Google Pixel aparece tipicamente em agosto. Os portáteis em geral concentram-se em janeiro ou junho. Comprar logo após um lançamento evita pagar pelo modelo anterior ao preço do mais recente, e permite aproveitar os eventuais períodos promocionais que acompanham a introdução de nova geração.

Recondicionados e soluções de curto prazo para adiar a compra

Para quem não precisa de comprar agora, há alternativas concretas. A Amazon, a Apple e a Samsung têm programas próprios de venda de equipamento recondicionado, dispositivos testados e inspecionados antes de regressarem ao mercado, normalmente a preços mais baixos e com desempenho muito próximo do de um equipamento novo. A recomendação dos especialistas é evitar modelos com várias gerações de atraso, onde a diferença de desempenho começa a ser relevante.

Para quem quer simplesmente ganhar tempo, as opções são mais simples. Comprar armazenamento adicional na cloud ou substituir a bateria do telemóvel atual pode ser suficiente a curto prazo, adiando a necessidade de um novo dispositivo sem comprometer a experiência de utilização quotidiana. São soluções modestas, mas eficazes quando o mercado penaliza quem compra sem planeamento.

O cenário que se desenha não é favorável a quem esperava que os preços suavizassem em breve. Com fabricantes sem capacidade para resolver a escassez antes de 2028 e analistas a admitir que os níveis pré-crise podem nunca regressar, a decisão de compra tornou-se mais urgente do que muitos consumidores antecipavam. Adiar sem estratégia pode custar mais do que agir agora com informação.

Joana Dias
Joana Dias
Formada em Relações Públicas, dedicada a truques, dicas, ciências e curiosidades.
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