Huawei Watch D3 Review: Uma nova referência

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O Huawei Watch D3 traz consigo uma importante monitorização avançada da tensão arterial num formato elegante e surpreendentemente discreto.

No ano passado, a Huawei lançou o Watch D2, aquele que viria a ser o primeiro smartwatch a chegar ao mercado com a certificação CE para leituras de pressão arterial. Agora, a marca traz-nos o Huawei Watch D3, a nova geração desse dispositivo, com promessas de muitas melhorias e um rastreio de saúde mais preciso e avançado, ao mesmo tempo que mantém as suas capacidades de registo de atividades físicas, apresentando-se quase como um dispositivo híbrido.

No entanto e antes de avançar, apesar das capacidades avançadas no rastreio da nossa saúde do Huawei Watch D3, é sempre importante ressalvar que as medições realizadas por um dispositivo deste tipo devem ser encaradas como uma referência para acompanhar a evolução dos valores ao longo do tempo e identificar eventuais tendências. E que não substituem uma avaliação médica, nem têm a mesma fiabilidade de medições efetuadas em contexto clínico por profissionais de saúde.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3 ao lado do Huawei Watch D2

Ao tirar o Huawei Watch D3 da caixa, a primeira impressão é a de um produto melhorado comparativamente à versão de 2025. E se o Huawei Watch D2 já integrava um conjunto de tecnologias pouco comum no segmento dos smartwatches, aproximando-se cada vez mais de um dispositivo médico, com este novo modelo, a Huawei conseguiu melhorar esse efeito de forma bastante evidente, afastando desse aspeto. Por exemplo, a nível visual a sua espessura desceu para apenas 11,3 mm e o peso total ronda os 75 a 76 gramas, já com pulseira incluída. Algo que não só se sente de imediato, como é sobretudo notório quando o relógio é utilizado de forma contínua, incluindo durante a noite.

Durante os testes utilizei a versão Gold, uma das novas cores disponíveis, algo que me atraiu logo a atenção pelo seu look elegante, mais até que e pelas funcionalidades de saúde. E em várias ocasiões a primeira reação de quem o viu foi associá-lo a um relógio premium e não a um smartwatch. Essa experiência visual também beneficia deste ligeiro redesign, com ecrã AMOLED a crescer para 1,92 polegadas e a aproveitar melhor a superfície frontal graças às margens mais reduzidas. O resultado disso é uma área útil maior e uma leitura mais confortável de notificações, métricas de saúde e dados de treino. A qualidade do painel acompanha estas melhorias, sendo excelente, sobretudo graças ao brilho máximo de 3.000 nits, deixando a informação permanece perfeitamente legível mesmo sob luz solar intensa.

No Huawei Watch D3, a Huawei manteve a tradicional coroa rotativa acompanhada por um botão físico lateral, transmitindo uma sensação de solidez muito agradável e um funcionamento preciso. Já a pulseira é mais fina do que a da geração anterior. E por falar nisso, há que dizer que, na embalagem, irão encontrar dois tamanhos diferentes, logo poderão escolher a opção mais adequada para o vosso pulso. Mas há que ter atenção, uma vez que aqui é necessário medir a circunferência do pulso com o acessório fornecido para garantir um ajuste correto. Algo que considero uma etapa indispensável, com efeitos na precisão das medições, que dependem diretamente da forma como a pulseira assenta no pulso.

Apesar das melhorias e novidades, o Huawei Watch D3 chega com uma limitação importante. Ele conta com a certificação IP68, mas não está preparado nem foi concebido para ser utilizado de forma prolongada debaixo de água, ou em desportos como a natação. Tudo porque o sistema pneumático integrado na pulseira não suporta exposições continuadas à água ou a jatos de elevada intensidade. E a própria Huawei recomenda evitar esse tipo de utilização.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3

Mas, e como seria de esperar, é na monitorização da pressão arterial que o Watch D3 mostra o porquê de existir, contando com um sistema pneumático com uma microbomba e uma braçadeira insuflável incorporada na pulseira. No fundo, recorre ao mesmo princípio oscilométrico utilizado pelos medidores de tensão tradicionais. A experiência acaba por ser bastante distinta daquela que encontramos em relógios convencionais. Ao iniciar uma medição, sente-se a pulseira a apertar gradualmente o pulso de forma semelhante ao que acontece num medidor de braço, embora numa escala muito mais compacta. É uma sensação invulgar nas primeiras utilizações, mas rapidamente lá nos habituamos.

O procedimento demora sensivelmente 30 segundos e, durante esse período, é recomendável manter o braço imóvel e o pulso à altura do coração, tal como acontece numa medição doméstica convencional. Terminada a leitura, o relógio apresenta os valores de pressão sistólica e diastólica, juntamente com a frequência cardíaca registada durante o processo. Ainda assim, e tal como disse no início, os valores apresentados servem sobretudo para acompanhar tendências e alterações ao longo do tempo, permitindo ao utilizador ter uma ideia mais clara da evolução da sua condição cardiovascular. Por isso, não substituem uma ida ao médico.

Durante o período de testes comparei regularmente os resultados do Watch D3 com os de um medidor de braço convencional e, de uma forma geral, as diferenças observadas foram mínimas (tal como já acontecia com o Watch D2). Mais do que os números em si, aquilo que considero realmente valioso no Watch D3 é a facilidade com que incentiva uma monitorização regular.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3

Ainda assim, foi a funcionalidade de monitorização ambulatória da pressão arterial (conhecido como MAPA) que mais me impressionou durante a utilização diária. Na prática, o relógio pode ser configurado para efetuar medições automáticas ao longo de 24 horas, tanto durante o dia como durante a noite, sem exigir qualquer intervenção do utilizador para além de o utilizar normalmente. Utilizei esta função durante um fim de semana completo, incluindo o período de sono, e a experiência revelou-se muito pouco intrusiva. Em intervalos programados, a pulseira insufla durante alguns segundos e é acompanhada por uma ligeira vibração de aviso.

As medições nunca me interromperam o sono, mas é natural que isso possa acontecer nas primeira vezes. Quem já teve contacto com um sistema MAPA tradicional sabe o quão desconfortável pode ser, com a braçadeira colocada no braço durante todo o dia, ligada por tubos a uma unidade de registo transportada à cintura ou ao ombro. Comparado com esse cenário, ter toda esta tecnologia integrada num simples relógio de pulso representa uma diferença enorme.

Assim, situações como a chamada hipertensão da bata branca, em que os valores aumentam devido à ansiedade provocada pelo ambiente clínico, ou a hipertensão mascarada, quando a tensão arterial parece normal numa consulta mas que se revela elevada no dia a dia, podem tornar-se mais fáceis de identificar. E é aqui que reside o maior interesse neste tipo de monitorização contínua: a capacidade de revelar padrões que dificilmente seriam identificados através de uma medição isolada numa consulta. O mesmo acontece com determinadas alterações noturnas, como a ausência da descida fisiológica da pressão arterial durante o sono.

Outra das novidades mais interessantes é a possibilidade de medir a pressão arterial antes e depois da prática de exercício físico, mesmo quando a frequência cardíaca permanece elevada. Testei esta funcionalidade após uma corrida de cerca de 30 minutos, e também depois de um treino muito intenso no ginásio, e é um processo que exige uma medição inicial em repouso, realizada após alguns minutos sentado e relaxado, seguida de uma nova medição imediatamente após o esforço. O que mais me surpreendeu foi a capacidade do relógio para concluir o procedimento mesmo quando a frequência cardíaca permanecia acima dos 140~150 batimentos por minuto, contrariamente ao que acontece com outros dispositivos do género.

No final, e para aqueles utilizadores que gostam de analisar métricas de forma detalhada, o sistema apresenta ainda uma avaliação da resposta cardiovascular ao exercício e sugere um nível de intensidade adequado para a sessão seguinte.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3

Algo que também gostei bastante foram os alertas contextuais relacionados com alterações do ambiente. O Huawei Watch D3 consegue identificar mudanças significativas de altitude ou descidas acentuadas de temperatura e, quando isso acontece, sugere a realização de uma nova medição da pressão arterial. Faz sentido do ponto de vista fisiológico, uma vez que tanto a altitude como o frio podem influenciar temporariamente os valores registados. E não, o relógio não é “chato” com notificações, uma vez que tenta perceber o contexto para intervir apenas quando existe um motivo plausível para o fazer.

O Health Glance, a funcionalidade que reúne diversos indicadores de saúde numa única avaliação rápida, também encontra melhorias. Aqui, bastam cerca de 60 segundos para obter uma visão geral do estado físico do dia, incluindo métricas relacionadas com a elasticidade vascular, a variabilidade da frequência cardíaca e sinais associados ao nível de recuperação ou fadiga. É algo tão simples que se tornou parte da minha rotina matinal, servindo como uma espécie de barómetro diário capaz de ajudar a perceber se o organismo recuperou adequadamente de um treino intenso, de uma noite mal dormida ou de um período particularmente exigente. Essa informação é complementada pela área de Informações de Saúde, que agora integra de forma mais inteligente os dados da pressão arterial com parâmetros como a atividade física e a qualidade do sono.

A monitorização do sono é outra área que recebeu melhorias para além das tradicionais métricas de duração e fases do sono, uma vez que o Watch D3 introduziu ferramentas destinadas a analisar a qualidade e a consistência do descanso. Assim, o novo índice de estabilidade do sono procura avaliar não apenas quanto tempo dormimos, mas também se esse sono foi realmente contínuo e reparador.

E área dedicada ao bem-estar emocional também conta com novidades. O sistema passou a distinguir um número consideravelmente superior de estados emocionais e agora integra indicadores relacionados com o stress. Contudo, e tal como acontece com outras funcionalidades desta natureza, a sua utilidade depende muito da regularidade com que os dados são consultados.

São muitas as novidades, é certo, mas aquela que tem maior potencial no dia-a-dia é mesmo a Comunidade de Saúde. Pela primeira vez, é possível consultar diretamente no relógio informações de saúde de familiares ligados ao mesmo ecossistema, receber notificações em caso de valores fora do habitual e até enviar mensagens de apoio sem necessidade de recorrer ao smartphone.

A possibilidade de acompanhar discretamente alguns indicadores de saúde e receber alertas quando algo merece atenção acrescenta uma dimensão humana ao produto que poucas funcionalidades conseguem igualar. Como é óbvio, a utilidade desta ferramenta depende da existência de dispositivos compatíveis e da utilização do ecossistema Huawei, mas consigo imaginar facilmente a tranquilidade que pode proporcionar a quem tem pais idosos ou familiares mais vulneráveis a viver longe.

Fora das funcionalidades de saúde, o Watch D3 oferece uma experiência de smartwatch bastante competente, embora seja importante perceber que não foi concebido para competir diretamente com os modelos mais orientados para o desporto, como é o caso do Watch GT. Ainda assim, a lista de modalidades desportivas disponíveis cresceu face à geração anterior, incluindo agora opções como golfe – há mapas detalhados de milhares de campos, juntamente com informações de distância e visualização das zonas de jogo – esqui indoor e trail, para além dos modos mais habituais para corrida, caminhada e ciclismo. Durante os meus testes com o modo de corrida, o GPS revelou-se fiável e consistente, registando os percursos com precisão e sem os desvios ocasionais.

No dia-a-dia, as chamadas Bluetooth funcionam exatamente como seria de esperar. A possibilidade de atender ou rejeitar chamadas diretamente a partir do pulso é útil quando o smartphone não está imediatamente à mão. A qualidade de áudio revelou-se perfeitamente aceitável para conversas rápidas ou comunicações ocasionais, embora dificilmente substitua uma chamada mais longa realizada diretamente através do telefone.

Já o suporte para pagamentos por aproximação através de NFC é outro dos elementos bem-vindos, como a compatibilidade com o Curve Pay, ainda que a configuração não seja tão simples como o Apple Pay ou o Google Wallet, exigindo a instalação e configuração de uma aplicação adicional.

O único senão? A autonomia. Em condições de utilização convencionais, com notificações, monitorização do sono, acompanhamento da atividade diária e medições ocasionais, a bateria consegue aproximar-se dos seis dias anunciados pela Huawei. Numa utilização moderada, os resultados obtidos estiveram alinhados com essa expectativa. No entanto, a situação altera-se quando se ativa de forma intensiva a monitorização ambulatória da pressão arterial durante 24 horas. Aí, a autonomia reduz, e muito. Não chega ao ponto de se tornar um problema sério, mas exige alguma adaptação de hábitos quando comparado com outros relógios da própria Huawei que conseguem ultrapassar facilmente duas semanas de utilização. Felizmente, o carregamento é rápido e simples graças à base magnética sem fios incluída. Em pouco mais de uma hora, é possível obter a carga completa, o que minimiza o impacto desta limitação.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3

Quanto ao software, o Watch D3 aposta numa versão atualizada do HarmonyOS, mantendo uma experiência muito familiar para quem já utilizou outros relógios da Huawei. A navegação continua simples e intuitiva, e basta deslizar entre os diferentes cartões de informação, utilizar a coroa rotativa para percorrer menus e recorrer ao botão físico personalizável para aceder rapidamente às funções mais importantes. Desde os primeiros dias de utilização, optei por associar esse botão à medição da pressão arterial e rapidamente se tornou um atalho indispensável no dia-a-dia.

A experiência do HarmonyOS 7.0 é fluida e bem otimizada, sem atrasos ou comportamentos inesperados durante a utilização. Tudo está organizado de forma lógica e é fácil aceder tanto às funções de saúde, como às ferramentas mais tradicionais de smartwatch. Naturalmente, o verdadeiro centro de toda a experiência continua a ser a aplicação Huawei Health. É aí que os dados recolhidos pelo relógio ganham contexto e utilidade prática. Os gráficos são claros, permitindo consultar rapidamente o histórico das medições e acompanhar a evolução dos valores ao longo do tempo. Mas particularmente útil é a forma como a aplicação organiza as tendências semanais e mensais da pressão arterial, facilitando a identificação de padrões que poderiam passar despercebidos numa análise isolada.

Huawei Watch D3
Huawei Watch D3

O Huawei Watch D3 chegou agora ao mercado com um posicionamento claramente premium, refletido num preço que o coloca entre os smartwatches mais avançados para o consumidor. Ainda assim, depois de várias semanas de utilização, fiquei com a sensação de que não estamos apenas a pagar pelo design ou pelo nome da marca. Grande parte do valor deste relógio está concentrada numa tecnologia que continua praticamente sem concorrência direta, que é a capacidade de medir e acompanhar a pressão arterial através de um sistema pneumático integrado na própria pulseira.

Na minha opinião, o Huawei Watch D3 faz mais sentido para quem já presta atenção à saúde cardiovascular e pretende acompanhar a evolução dos seus valores de forma regular e discreta. É igualmente interessante para quem viaja com frequência, para utilizadores que gostam de analisar o impacto do estilo de vida nos seus indicadores de saúde ou, até, para familiares mais velhos que rejeitariam um dispositivo com aparência claramente médica, mas não se importam de utilizar um relógio elegante no dia-a-dia.

Com todas as suas inovações, considero assim o Huawei Watch D3 como um produto de nicho, mas de um nicho muito bem definido. A Huawei conseguiu transformar uma inovação técnica complexa numa funcionalidade realmente útil e acessível no quotidiano. E isso é algo cada vez mais raro num mercado onde muitos lançamentos se limitam a pequenas evoluções de hardware ou software.

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Este dispositivo foi cedido para análise pela Huawei.

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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