Huawei quer portugueses a medir a tensão arterial todos os dias

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A hipertensão pode evoluir durante anos sem sintomas. Em breve, o Huawei Watch D3 vai chegar a Portugal para ajudar a acompanhar a pressão arterial ao longo do dia.

A Huawei prepara-se para lançar em Portugal o HUAWEI Watch D3, um smartwatch orientado para a monitorização da pressão arterial e para o acompanhamento da saúde cardiovascular. O dispositivo, que o Echo Boomer já está a testar, chega ao mercado nacional já a 26 de outubro e sucede ao HUAWEI Watch D2, num momento em que a hipertensão arterial continua a ser um dos principais problemas de saúde pública no país. Estima-se que 43,1% da população adulta portuguesa viva com esta condição, que muitas vezes evolui durante anos sem sintomas evidentes, razão pela qual é frequentemente descrita como uma doença silenciosa.

A pressão arterial não é um valor fixo. Oscila ao longo do dia em função de fatores como o stress, a atividade física, o descanso ou o ambiente envolvente. Essa variabilidade torna a medição isolada limitada para perceber o comportamento real da tensão arterial de uma pessoa. O acompanhamento regular, com registos feitos em diferentes momentos e contextos, permite obter uma leitura mais completa e pode facilitar a identificação de padrões relevantes para a avaliação clínica.

Apesar da importância atribuída a este acompanhamento, os hábitos dos portugueses revelam uma distância entre a perceção e a prática. Segundo um estudo realizado pela Huawei em parceria com a Hearst, no passado mês de julho, 92% dos inquiridos consideram que acompanhar a pressão arterial ao longo do tempo é mais útil do que efetuar uma única medição. Ainda assim, apenas 20% afirmam medir a pressão arterial diariamente. Os dados sugerem que, embora a prevenção seja reconhecida como relevante, a sua integração na rotina quotidiana continua a ser limitada.

Uma das funcionalidades centrais destes relógios é a Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial, conhecida pela sigla MAPA. Este modo permite registar os valores em vários momentos do dia, incluindo durante o sono, sem que o utilizador tenha de interromper as suas atividades habituais. O objetivo é disponibilizar uma série de medições ao longo do tempo, em vez de depender apenas de leituras pontuais, criando um historial que pode ser útil para acompanhar variações da pressão arterial.

A utilidade deste tipo de tecnologia depende, contudo, da forma como os dados são interpretados e integrados num acompanhamento médico. A Huawei sublinha que os dispositivos devem funcionar como um complemento à avaliação e ao acompanhamento realizados por profissionais de saúde, e não como um substituto do diagnóstico ou do tratamento.

No comunicado de imprensa enviado às redações, a empresa apresenta o caso do nosso Joel Pinto, que testou anteriormente o HUAWEI Watch D2, e que, tal como podem ler na review, relatou ter começado a receber avisos de tensão arterial elevada durante testes com o smartwatch, num cenário em que os valores de familiares eram normais. Depois de uma consulta com o seu cardiologista, o prognóstico confirmou a existência de hipertensão arterial.

O exemplo ilustra o potencial destes equipamentos para chamar a atenção do utilizador para alterações que, de outra forma, poderiam passar despercebidas. Não permite, por si só, estabelecer um diagnóstico, mas pode funcionar como um ponto de partida para uma avaliação médica mais informada. Essa é também a posição defendida pela Huawei, que enquadra os seus wearables como ferramentas de apoio à adoção de decisões mais conscientes sobre a saúde.

A aposta da empresa na área cardiovascular insere-se numa estratégia mais ampla de investimento em saúde digital. Durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2026, realizado em Munique, a Huawei anunciou a Terve Research, uma plataforma europeia desenvolvida em parceria com a Thryve. A iniciativa destina-se a permitir que instituições académicas e médicas desenvolvam estudos em larga escala com base em dados recolhidos por smartwatches em contextos reais.

A empresa defende igualmente uma visão integrada do bem-estar, na qual a saúde cardiovascular não é analisada de forma isolada. Sono, atividade física, stress e recuperação física são apresentados como fatores interligados, cuja combinação influencia o estado geral de saúde. Esta abordagem procura associar a monitorização de parâmetros fisiológicos a uma leitura mais ampla dos hábitos quotidianos.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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