Honor 600 Review: Gama média refrescada

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O Honor 600 apresenta-se como uma verdadeira lufada de ar fresco para o mercado de smartphones de gama média, com aspetos que o aproximam daquilo que se espera do segmento premium.

No ano passado, com o lançamento do Honor 400, a marca revelou-se estar a apostar cada vez mais numa estética mais cuidada. E, agora, com a chegada do Honor 600, sinto que essa abordagem foi levada ainda um pouco mais longe. Algo que se nota logo com a estrutura do equipamento, que combina alumínio escovado com uma traseira em fibra composta que lhe dá um toque suave e surpreendentemente premium para um equipamento de gama média. Abandonando, assim, aquela sensação de plástico barato que ainda encontramos em muitos modelos deste segmento.

Também gosto da nova linguagem de design que a Honor adotou. Em vez de uma saliência mais pronunciada para o módulo fotográfico, agora temos uma barra discreta que atravessa toda a largura do telefone. Contudo, é inevitável fazer uma breve comparação ao iPhone 17 Pro, mas prefiro nem entrar por aí. O Honor 600 segue a atual tendência das margens planas, deixando para trás os designs curvos que dominaram o mercado durante anos, mas há um detalhe em particular que me impressionou, já que a moldura à volta do ecrã tem menos de 1 mm, contribuindo bastante para o seu aspeto moderno.

Na parte inferior, tudo dentro do esperado, com uma porta USB‑C e a gaveta para o SIM. Os botões de volume e o botão de energia estão nos seus lugares habituais, e há ainda um botão dedicado à IA mais abaixo na lateral. A sua resistência também foi reforçada, e o Honor 600 conta agora com a certificação IP68/IP69/IP69K, algo que normalmente só vemos em equipamentos topos de gama. E há até um modo de câmara “Subaquático”, pensado para tirar fotos debaixo de água em até dois metros de profundidade, e apenas durante alguns segundos. Mas isso foi algo que não testei.

Honor 600 5G
Honor 600 5G

O ecrã é, sem dúvida, um dos pontos fortes do Honor 600. Estamos perante um painel AMOLED de 6,57 polegadas com resolução de 1264×2728 pixeis e taxa de atualização de 120Hz. Na prática, isto traduz‑se numa imagem muito nítida, excelente definição e uma experiência visual que funciona bem tanto para jogos como para vídeos ou simplesmente para uso diário. É verdade que já vi smartphones mais baratos com ecrãs maiores, mas, honestamente, não senti falta de mais espaço. Para a maioria das pessoas, este tamanho é mais do que suficiente. A Honor anuncia um brilho máximo impressionante de 8000 nits, embora esse valor só seja atingido em pequenas áreas do ecrã. O mais comum será ver picos próximos dos 3000 nits em HDR, e ainda assim é mais do que suficiente para garantir boa visibilidade e cores vibrantes, mesmo em espaços com muito sol. A taxa de atualização de 120Hz contribui bastante para a fluidez geral, e quem vier de um ecrã de 60Hz vai notar de imediato a diferença. Este modelo não utiliza a tecnologia LTPO, ao contrário do modelo Pro, por isso a taxa variável funciona de forma menos precisa. Ainda assim, durante os meus testes verifiquei que os 120 Hz constantes acabaram por ser a melhor opção.

O sensor de impressões digitais está embutido no ecrã e funciona bem, mas sofre do mesmo problema que já encontrei em alguns modelos de outras marcas, que é o facto de estar colocado demasiado abaixo. Não é algo dramático, mas obriga a ajustar ligeiramente a posição da mão sempre que se quer desbloquear o telefone.

Honor 600 5G
Honor 600 5G

O Honor 600 está equipado com um chip da Qualcomm, o Snapdragon 7 Gen 4, um processador bastante comum nos smartphones de gama média. A unidade que testei conta ainda 8GB de RAM e 512GB de armazenamento interno, o que é mais do que suficiente para o tipo de utilização a que este telefone se destina. E no uso diário o Honor 600 comporta‑se muito bem. Navegar nas redes sociais, trabalhar rapidamente no Google Docs ou ouvir música no Spotify, muitas vezes tudo ao mesmo tempo, nunca o deixou atrapalhado. Com várias aplicações abertas em segundo plano, manteve sempre uma fluidez agradável.

Quando passamos para tarefas mais pesadas, como jogos exigentes (testei com o Genshin Impact), nota‑se que não estamos perante um equipamento topo de gama. Ainda assim, o jogo executa de forma perfeitamente jogável, desde que se ajustem algumas definições e se mantenham expectativas realistas. A pensar nisso, a Honor também inclui um Modo Jogo que surge automaticamente ao abrir o jogo, e permite silenciar notificações, gravar clipes de jogo e outras pequenas utilidades que ajudam a manter o foco. Em sessões prolongadas de jogo, o sistema de arrefecimento por câmara de vapor faz um bom trabalho. Como seria de esperar, o telefone aquece um pouco nessas situações, mas nunca ao ponto de ser desconfortável ou de me obrigar a ter de o largar durante algum tempo.

Honor 600 5G
Honor 600 5G

Em comparação com Honor 400, a Honor fez algumas alterações na disposição das câmaras deste novo Honor 600, embora a filosofia continue claramente a ser a de um sistema fotográfico de gama média. Temos acesso a duas câmaras traseiras, com alguns componentes herdados do equipamento topo de gama, o Magic8 Pro. A principal é um sensor de 200MP com abertura f/1.9 e estabilização CIPA 6.0. A acompanhar, está um sensor ultra‑angular de 12MP com abertura f/2.2. Ou seja, não temos qualquer teleobjetiva dedicada, e para isso, é preciso optar pelo Honor 600 Pro.

O sensor principal de 200MP é, naturalmente, o grande protagonista. Para fotografias do dia a dia e publicações nas redes sociais, oferece um excelente nível de detalhe. De origem, as cores são bastante ricas e vibrantes, talvez até demasiado saturadas para alguns gostos, mas é algo que se deve ao modo Vibrante estar ativo por defeito. Ao mudar para o Modo Natural, a meu ver, a imagem fica mais equilibrada. Já o sensor ultra‑angular de 12MP segue a mesma linha de cor e, para paisagens ou edifícios, cumpre muito bem. Ao fazer recortes, a nitidez é aceitável, mas continuo a achar que o sensor principal é a melhor opção quando queremos puxar mais pelos detalhes. A ausência de uma lente teleobjetiva sente‑se quando ultrapassamos os 4x de zoom, já que a partir daí, a imagem começa a perder definição e o desfoque torna‑se evidente. É uma crítica semelhante à que já havia feito ao Honor 400, já que o telefone depende demasiado de correções por IA para compensar a falta de uma lente dedicada. Se analisarmos os pixeis de perto, nota‑se a diferença, mas para fotos que acabam comprimidas nas redes sociais, o resultado acaba por ser aceitável. Em sentido oposto, o modo macro está presente e funciona bem para captar pequenos detalhes, como flores, insetos, ou objetos muito próximos. Não é extraordinário, mas é muito competente.

Em cenários de iluminação mais reduzida, a câmara principal surpreendeu‑me pela positiva. Nessas situações, consegue manter boa quantidade de detalhe, desde que não abusemos do zoom ou fotografemos em ambientes demasiado escuros. Nessas situações, a qualidade cai, como seria de esperar, e é natural, já que são situações onde até equipamentos topos de gama tendem a falhar. Por fim, na frente, o Honor 600 conta com uma câmara de 50MP que é perfeitamente adequada para selfies. A nitidez é boa, o desfoque de fundo tem um aspeto agradável e a profundidade está bem conseguida. No entanto, reparei que alguns efeitos de bokeh gerados por IA parecerem artificiais em certas situações.

Honor 600 5G
Honor 600 5G

Do lado do software, o Honor 600 sai de fábrica com o MagicOS 10 pré-instalado, uma versão personalizada baseada no Android 16. A interface em si é muito semelhante aquela que já conhecemos dos equipamentos da Honor, mas nota-se claramente a sua inspiração no visual Liquid Glass da Apple. O resultado é uma experiência fluida e visualmente agradável.

As funcionalidades típicas do MagicOS continuam presentes, como o Magic Capsule e a personalização dinâmica do ecrã inicial e de bloqueio, que se ajusta automaticamente ao papel de parede escolhido. Por exemplo, ao usar um fundo em tons azulado, reparei que o estilo da hora e da data mudaram completamente em relação a outro papel de parede mais neutro. No campo da inteligência artificial, o Honor 600 conta com algumas novidades interessantes, sobretudo na aplicação Galeria. Há ferramentas para edição de fotos, criação de colagens e, acima de tudo, o novo Image to Video 2.0, que transforma uma imagem estática num pequeno vídeo gerado por IA. Para o testar, pedi coisas absurdas, como meter alguns pássaros de cerâmica a voar, um lagarto verde a sair de uma caneca e meter a estátua do Marques de Pombal a cavalgar. O telefone cumpriu, dentro do limite de oito segundos por vídeo. Podemos escolher a proporção e até adicionar som. O resultado dos pássaros, por exemplo, captou bem os detalhes, embora o fundo tenha ficado um pouco estranho e com artefactos. Mas a intenção é ter uma ferramenta divertida e não algo realmente prático ou orientado para a produção. A geração de vídeo é feita através de um modelo remoto, enquanto esperamos pelo resultado, ou seja, tecnicamente impressiona, mas continuo a questionar a verdadeira utilidade para além da novidade inicial e do dizer que faz.

E tal como nos modelos anteriores, o Honor 600 mantém um botão dedicado para a inteligência artificial. Um toque prolongado ativa o Circle to Search do Google Gemini ou a função de memória com IA da Honor. Por fim, a marca promete seis anos de atualizações de segurança e seis anos de atualizações de software, algo que deverá dar alguma tranquilidade a quem pretende manter o telefone durante alguns anos.

E quando o assunto é a autonomia, estamos perante uma das melhorias mais evidentes do Honor 600 em relação ao Honor 400. A capacidade da bateria deu um salto significativo, já que passou dos 5300mAh para uns generosos 6400mAh. E isso nota‑se logo no dia a dia. Com esta bateria, consegui cerca de seis horas de ecrã num dia com utilização exigente, com multi-tarefa constante, redes sociais, música no Spotify, algumas fotografias enquanto caminhava na rua, pequenas tarefas aqui e ali e dados móveis e Wi-Fi sempre ativos. E se a bateria ganhou 1100mAh, a verdade é que o carregamento também recebeu uma boa atualização. O Honor 600 suporta carregamento de até 80W com cabo e 27W de carregamento reverso com fio para alimentar outro dispositivo. O que continua a faltar é o carregamento sem fios, algo que está reservado para o Honor 600 Pro. Contudo, como a Honor não inclui o carregador compatível na caixa, tive de utilizar o meu carregador de 66W, e mesmo sem tirar partido da potência máxima suportada pelo telefone, os tempos de carregamento foram muito rápidos: 28 minutos para chegar aos 50% e cerca de 65 minutos para uma carga completa.

Mas o que mais interessa é sem duvida a sua resistência em termos de autonomia. Com utilização extrema, consegui facilmente 1 dia e meio de utilização, com uma utilização mais moderada, consegui 2 dias completos de utilização sem grande dificuldade. Ou seja, este Honor 600 mostrou que está entre os equipamentos com maior autonomia que já testei.

Honor 600 5G
Honor 600 5G

Para terminar, o Honor 600 demonstrou, durante os testes, ser um excelente smartphone de gama média e, na minha opinião, marca um avanço claro na forma como a marca trata este segmento. O acabamento é elegante, a bateria tem uma autonomia impressionante e o sistema de câmaras consegue entregar resultados detalhados e consistentes. Junta‑se a isto um ecrã muito competente e um desempenho interno que, embora não seja extraordinário, cumpre bem no dia a dia. Resumindo, o Honor 600 é um telefone que dá gosto de utilizar e que mostra que a marca está a levar esta gama cada vez mais a sério.

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Este dispositivo foi cedido para análise pela Honor.

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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