Honda Civic Sedan – Uma mudança de faixa no capítulo dos familiares

por Rui Farinha Pereira

Desta vez calhou-me o prazer de testar o Honda Civic 1.5 i-VTEC. O modelo ensaiado vinha equipado com a versão Executive, com caixa manual, debitando, assim, 182cv, e tendo um conjunto bastante interessante de funcionalidades multimédia.

Esta versão do Civic foi uma tentativa desesperada por parte da Honda de redimir-se de erros do passado, em que perdeu protagonismo, inclusive para rivais como o Mazda 3, isto porque o seu design era pouco inspirado e o carro demonstrava pouco nervo.

Começando pelo design, vou dizer o seguinte: se todos gostassem de roxo, o que seria feito do amarelo? Não é, sem dúvida, um design que seja incontestável. Alguns vão adorar, outros detestar, mas ninguém vai ficar indiferente.

Posto isto, e porque os gostos são sempre algo de muito particular, devo dizer que, após esse impacto exterior, o Civic primeiro estranha-se e depois entranha-se. Pelo menos foi essa a minha experiência.

Sendo um carro familiar com bastante espaço interior e uma bagageira com 519 litros, essa é uma das características que o define: espaço, mas também conforto. Não é algo que se espera da maior parte dos carros asiáticos (ou americanos), mas sim o que se pretende da maior parte das marcas europeias em termos de interiores e qualidade de construção. Nisso, e sendo um veículo de uma marca japonesa, o Civic não muda muito, nem surpreende.

Alguns plásticos podiam ser mais “ricos” em termos de qualidade e aspeto, porém, em traços gerais, o habitáculo está muito bem construído, é bonito e, como já disse, confortável. A qualidade de construção faz com que não existam barulhos parasitas, e o ecrã digital e o ecrã tátil na consola dão-lhe um ar moderno e sofisticado.

Esta versão vinha, também, com funcionalidades multimédia. Por exemplo, continha uma entrada HDMI que permite ver filmes no ecrã da consola central desde que o veículo esteja parado (ou quase), entradas USB para conectividade ou carga, além de um carregador wireless para smartphones. No entanto, o sistema de navegação merece nota baixa, uma vez que, em locais com muitas estradas perto umas das outras, se revelou “saltitão” e pouco confiável.

Já o sistema de som tem boa qualidade, não desiludindo. Também a conectividade com o smartphone merece nota muito positiva.

Passando à condução, os 8,6 segundos que demora a atingir os 100Km/h, num carro a gasolina e com turbo, não impressionam. No entanto, impressiona, sim, o comportamento dinâmico em curva e em aceleração na mesma, dando a sensação que podemos confiar no que estamos a fazer, porque aí o Civic não vai desapontar. Nota-se bem que estamos na presença de um motor Honda equipado com VTEC, pois ganha alma em rotações altas, e, mesmo equipado com Turbo, temos um bom regime até pelo menos as 5000rpm. A insonorização é bastante boa e, por isso, é raro ouvirmos o rugido deste motor, exceto quando, lá está, chegamos a esse nível de rotação.

Em termos de consumos, também é um modelo muito equilibrado. Em modo ECO viajando pela cidade, no pára-arranca, e com circuito em autoestrada a velocidades dentro do legalmente permitido, conseguiu um consumo médio na casa dos 6.8 litros, o que me parece bem razoável para um carro destas dimensões. Já o consumo final obtido com estradas nacionais, cidade e autoestrada, num misto entre Modo ECO ligado e desligado, cifrou-se nos 7,5 lt/100Km, o que também não choca de maneira alguma (modelo equipado com jantes 17″).

Mais uma vez friso que, nestes ensaios, não estou particularmente preocupado em fazer a condução mais económica, pelo que acredito que estes níveis de consumo possam baixar ainda um pouco mais.

No que toca às assistências em condução deste Civic Sedan, destaco as seguintes: Assistência à Travagem (BA), Sistema de Paragem de Emergência (ESS), Sistema de Travagem Atenuante de Colisões (CMBS), Avisador de Colisão à Frente (FCW), Sistema de Assistência à manutenção na faixa de rodagem (LKAS), Avisador de Saída de Faixa (LDW), Sistema Atenuante de Saída de Estrada (RDM) e Sistema de seguimento a baixa velocidade (Low Speed Following). Mas há mais, muito mais.

Se a isto tudo juntarmos bancos aquecidos, A/C Bizona e Tecto de Abrir automático, podemos dizer que temos uma bela proporção entre o valor pago e o equipamento obtido para um carro familiar e espaçoso, com um motor nervoso q.b. para se poder ter alguma diversão na condução.

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