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Crítica – “Homem-Aranha: No Universo Aranha”

Com a proliferação de diferentes conteúdos já existentes sobre a personagem, seja através da banda desenhada, séries de animação, merchandising ou os filmes já lançados no cinema, pode-se dizer que toda a gente conhece o incrível Homem-Aranha. Porém, uma coisa é certa: nunca o viram desta maneira pelo qual é agora apresentado.

O Homem-Aranha é uma personagem que apareceu pela primeira vez em 1962 pelas mãos de Stan Lee e Steve Ditko. Por esta altura, todos sabem que a história passa por um rapaz que é mordido por uma aranha radioativa, ganhando, pouco depois, superpoderes que o ajudam a salvar o seu grande amor, Mary Jane Watson, dos diversos perigos que vão surgindo.

Dito isto, não era, portanto, de admirar que, até aos dias de hoje, o seu universo se tenha expandido para alternativas com personagens hilariantes como a de Peter Porker, ou Spider-Ham se preferirem, em que, pelo que foi percecionado, o seu superpoder pode até ser o seu timing perfeito para piadas com elementos dos desenhos animados clássicos da nossa infância. Sim, bigornas a cair em cima do mau da fita inclusive.

A mais recente aposta no mundo do Homem-Aranha, ainda antes da estreia do próximo filme com Tom Holland, passa por Homem-Aranha: No Universo Aranha, um filme disruptivo a começar logo pela animação, feita pela maior equipa alguma vez usada pelo estúdio para um filme, que é propositadamente imperfeita para replicar a altura em que havia falhas na impressão dos livros de banda desenhada.

Ou seja, funciona quase como um tributo, em que sentimos que embrenhamos num mundo mais genuíno do que aquele que temos visto nas adaptações live action. Com este mergulho no universo aranha, parece que os criadores conseguiram ter abertura para dar asas à criatividade, algo que não resultaria tão bem noutro formato. Estamos perante o blend perfeito entre banda desenhada e cinema.

Homem-Aranha: No Universo Aranha

Homem-Aranha: No Universo Aranha leva-nos até um universo que não é o que estamos habituados a ver. Ali tudo é possível, como o facto de existirem sete versões diferentes do super aranhiço. Cada uma delas traz algo de bom e único para este filme, desde vermos a versão da personagem nos anos 30 com uma personalidade noir a uma versão com êxtase de uma personagem tirada do anime.

Passamos o filme colados ao ecrã desde o momento em que Mile Morales é mordido pela icónica aranha radioativa. Aí, não só conhecemos este novo protagonista, como vemos personagens que acreditávamos conhecer tão bem numa perspetiva bem diferente e agradável (não vamos esquecer que estamos a viver esta aventura num universo diferente do que temos visto nos últimos projetos).

A realização está incrível ao ponto de existirem diversas cenas que nos deixam sem respiração durante uns segundos só pela antecipação do que vem a seguir. Como já disse, a animação faz-nos sentir como se estivéssemos dentro de um livro de banda desenhada, puxando desde referências dos Looney Tunes até aos elementos psicadélicos de Rick and Morty. O próprio argumento está cheio de comic reliefs e momentos perfeitamente cronometrados no equilíbrio entre humor e pura ação.

Não se preocupem: os “easter eggs” estão todos lá para os fanboys e, ao mesmo tempo, uma pessoa que nunca tenha visto nada do herói também irá apanhar as referências.

Estamos, provavelmente, perante a melhor longa-metragem alguma vez feita para o grande ecrã do Homem-Aranha. Percebe-se que, com este filme, o Universo Aranha vem reinventar os filmes de super-heróis que, cada vez mais, lutam para ser melhores ao ponto de concorrerem para os Globos de Ouro ou até mesmo os Óscares, como já é o exemplo do Black Panther.

No meio de tudo isto, será difícil conseguir sair do filme e resistir à tentação de começar a ler a BD, ao sentirmos que podemos ter estado apenas raspar a superfície de um mega universo cheio de histórias para contar.

Homem-Aranha: No Universo Aranha estreia esta quinta-feira, dia 13 de dezembro, nos cinemas nacionais.

Texto por: Bernardo Bismarck

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