Hideaki Nishino, CEO da PlayStation, esclarece futuro dos jogos exclusivos e lançamentos no PC

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A PlayStation continua a avaliar os lançamentos para PC caso a caso, mas Hideaki Nishino confirmou que os jogos single-player desenvolvidos internamente terão como prioridade reforçar a experiência na consola, enquanto os títulos multijogador continuarão a fazer parte de estratégia multiplataforma.

A Sony Interactive Entertainment (SIE) continua a avaliar a relação entre os seus jogos e o PC. Hideaki Nishino, presidente e CEO da SIE, reforçou agora que a escolha das plataformas continuará a depender da natureza de cada projeto, mas deixou claro que os grandes jogos single-player produzidos internamente pela PlayStation terão como principal objetivo reforçar o valor da experiência oferecida pela PlayStation 5, enquanto os jogos focados em cenários multijogador e comunidades online continuarão a procurar uma audiência mais alargada através de lançamentos multiplataforma.

As declarações surgiram numa entrevista à revista japonesa Famitsu, onde Nishino foi questionado sobre a possibilidade de futuros jogos PlayStation 5 chegarem ao PC. O responsável explicou que a empresa continuará a considerar essa opção quando entender que um lançamento noutra plataforma permite “maximizar a experiência de jogo”, mas destacou uma diferença estratégica entre os vários tipos de projetos.

Para Nishino, os jogos single-player desenvolvidos internamente terão como prioridade “refinar o valor da experiência que a PlayStation pode oferecer”, enquanto os jogos enquanto serviço e experiências multijogador continuarão a beneficiar de uma presença mais abrangente, incluindo o PC.

A posição do CEO da Sony Interactive Entertainment surge depois de uma peça de Jason Schreier, da Bloomberg, ter avançado que a PlayStation estaria a abandonar a estratégia de lançar os seus principais jogos narrativos no PC. Posteriormente, Hermen Hulst, responsável máximo pela divisão de estúdios da PlayStation, terá comunicado internamente que os futuros jogos single-player desenvolvidos pela empresa deixariam de seguir o modelo de conversão para PC que marcou a segunda metade da geração da PlayStation 4 e os primeiros anos da PlayStation 5.

Essa política começou a ganhar força no final da geração da PlayStation 4 e tornou o PC numa extensão importante do catálogo da marca. Durante esse período, jogos como Horizon Zero Dawn, God of War, Marvel’s Spider-Man Remastered, The Last of Us Part I e II, Horizon Forbidden West e God of War Ragnarök chegaram à plataforma depois dos seus lançamentos originais nas consolas, permitindo à Sony alcançar novos jogadores e gerar receitas adicionais.

A nova orientação representa, assim, uma alteração nesse modelo, recuperando a ideia de que alguns dos principais jogos narrativos da PlayStation funcionam também como uma razão para escolher a consola. No entanto, a empresa não está a abandonar completamente o PC, mantendo uma abordagem seletiva em que cada projeto será avaliado de acordo com a sua natureza e objetivos, como já vimos em lançamentos recentes e futuros. Um desses casos é o de Marathon, desenvolvido pela Bungie, que continua alinhado com uma estratégia multiplataforma devido à sua componente online e competitiva, enquanto projetos como Ghost of Yōtei, Saros e, mais no final do ano, Marvel’s Wolverine surgem como exemplos de experiências single-player associadas ao ecossistema PlayStation.

A PlayStation não é a única empresa a rever a sua abordagem à exclusividade. A XBOX também passou por uma mudança de direção depois de vários anos a apostar num ecossistema mais aberto, com jogos internos a chegarem a outras plataformas, incluindo da PlayStation. A estratégia da Microsoft tornou-se entretanto mais seletiva, mantendo alguns lançamentos multiplataforma, sobretudo aqueles com maior componente online, enquanto recupera a importância de determinados jogos exclusivos como motivo para escolher uma consola XBOX.

Apesar das semelhanças, as estratégias das duas empresas partem de contextos diferentes. Enquanto a XBOX construiu uma estratégia centrada em serviços, subscrições e disponibilidade transversal, a PlayStation continua a associar grande parte da sua identidade aos jogos narrativos produzidos pelos seus estúdios internos.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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