A nova vertente do Festival MIMO leva ao centro de Guimarães documentários musicais, incluindo estreias nacionais e sessões com convidados.
Guimarães recebe, entre 27 de junho e 2 de julho, a primeira edição do Festival MIMO de Cinema, uma nova vertente integrada na programação do Festival MIMO, que este ano assinala 10 anos de presença em Portugal e estreia-se na cidade vimaranense. A iniciativa decorre no Largo Condessa do Juncal e apresenta uma seleção de 10 filmes provenientes de países como Portugal, Brasil, Angola, Canadá e Reino Unido, com entrada livre.
A mostra cinematográfica surge como um prolongamento da relação entre música e cinema que tem marcado o percurso do festival ao longo de mais de duas décadas, período durante o qual foram exibidas centenas de obras ligadas ao universo musical. A organização, em parceria com o Cineclube de Guimarães, estrutura agora um programa autónomo que antecede a restante programação do MIMO na cidade, prevista para os dias 3 a 5 de julho.
Ao longo de seis noites consecutivas, o público terá acesso a documentários centrados em artistas, movimentos culturais e contextos musicais diversos. Parte significativa das obras será apresentada em estreia nacional e, em vários casos, contará com a presença de realizadores, produtores ou protagonistas. A programação estabelece também uma ligação direta com os concertos agendados para o fim de semana seguinte, uma vez que alguns dos músicos retratados nos filmes integram igualmente o cartaz musical do festival.
Entre os títulos em destaque encontram-se quatro documentários dedicados a figuras da música brasileira. Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kerti, acompanha o percurso da artista paraense que iniciou a sua carreira musical numa fase tardia da vida, após uma trajetória ligada ao ensino e ao ativismo sindical. Já Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, O Documentário, realizado por Paulo Severo, revisita o impacto de um álbum editado na década de 1990 e considerado relevante no panorama da música brasileira.
Ainda no contexto brasileiro, Macaléia, de Rejane Zilles, aborda a relação criativa entre o músico Jards Macalé e o artista plástico Hélio Oiticica, enquanto A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, centra-se na cantora Alaíde Costa. Este último documentário integrou o Marché du Film do Festival de Cannes de 2026 e destaca uma carreira associada à bossa nova, marcada por reconhecimento tardio. A artista está também confirmada na programação musical do festival, com atuação marcada para 4 de julho no Paço dos Duques de Bragança, acompanhada por Cristovão Bastos e Mauro Senise.
A programação inclui ainda outras produções recentes que refletem diferentes contextos geográficos e culturais. As Aventuras de Angosat, de Resem Verkron e Marc Serena, e Filhos do Meio – Hip Hop à Margem, dedicado às origens do rap na Margem Sul do Tejo, abrem a mostra a 27 de junho. No dia seguinte é exibido Nova’78, de Aaron Brookner e Rodrigo Areias, obra que já circulou em festivais internacionais.
No dia 29 de junho são apresentados Sol Menor, de André Silva Santos, e The Blind Couple From Mali, de Ryan Marley, centrado na dupla Amadou & Mariam. A programação inclui ainda Isso é Kuduro – DJ Tem Bicha, de Indira Mateta, documentário sobre o produtor angolano associado à expansão do kuduro nos anos 2000.
A organização sublinha a intenção de aproximar o público de obras que habitualmente não integram circuitos comerciais de exibição, promovendo simultaneamente o contacto direto com os seus criadores. A articulação entre cinema e música constitui um dos eixos centrais desta edição, reforçando a componente multidisciplinar do festival.
A realização desta mostra em Guimarães insere-se num programa mais alargado que inclui concertos, atividades educativas, debates e iniciativas dirigidas a diferentes públicos. A cidade acolhe assim um conjunto de propostas que cruzam património, criação artística contemporânea e programação cultural internacional.
Foto: Naiara Jinknss
