O robô SPOT entrou em fase piloto no Grupo Casais para digitalização de obra, com foco na monitorização, segurança e controlo de qualidade.
O Grupo Casais está a avançar com a integração de robótica autónoma nos seus estaleiros de obra, no âmbito da estratégia de digitalização dos processos construtivos. A iniciativa inclui a introdução do robô SPOT, desenvolvido pela Boston Dynamics, cuja implementação técnica e operacional está a cargo da TopBIM, empresa do grupo dedicada à digitalização, metodologias BIM e suporte tecnológico à construção.
Esta adoção surge como uma aplicação prática de investigação e desenvolvimento no setor, incidindo sobre a recolha estruturada de dados em obra, a melhoria das condições de segurança e a introdução de novos métodos de trabalho. A utilização de sistemas autónomos pretende também responder a constrangimentos identificados na atividade, nomeadamente a escassez de mão de obra e a existência de períodos de inatividade operacional.
Com a automatização de tarefas rotineiras, o grupo procura libertar recursos humanos para funções técnicas mais especializadas. Em contexto de obra, a utilização do robô permite aumentar a frequência e consistência da recolha de informação, contribuindo para uma monitorização mais rigorosa do progresso dos trabalhos. Essa capacidade traduz-se na deteção antecipada de desvios face ao planeamento, no apoio à tomada de decisão e na redução de retrabalho. Do ponto de vista do cliente final, o modelo assenta na expectativa de maior controlo de qualidade, cumprimento de prazos e disponibilização de informação técnica mais completa sobre os ativos construídos.
A operacionalização da tecnologia assenta em três vertentes principais. A primeira diz respeito à recolha autónoma de dados, com o equipamento a percorrer os espaços de forma independente e a captar a realidade através de tecnologia de laser scan. Este processo permite documentar infraestruturas e verificar a conformidade dos elementos executados. A segunda vertente centra-se na segurança, com a substituição da presença humana em ambientes considerados de risco ou de difícil acesso, reduzindo a exposição dos técnicos a condições adversas. A terceira prende-se com a mobilidade e adaptabilidade do equipamento, que consegue navegar em ambientes dinâmicos, contornar obstáculos e operar em estaleiros em constante alteração.
No contexto das metodologias BIM (Building Information Modeling) e dos chamados Digital Twins, a captura contínua da realidade permite comparar, ao longo do tempo, o modelo projetado com o que foi efetivamente construído. Esta correspondência entre o modelo digital e a execução física é utilizada na identificação de desvios, no planeamento de correções e na criação de um histórico detalhado das alterações ocorridas. O processo de verificação e atualização da informação passa assim a ser parcialmente automatizado. Com a integração das dimensões temporais (4D) e de custo (5D), o modelo digital assume uma função de suporte à decisão, validada pela evolução real da obra.
Atualmente, o robô encontra-se em fase de testes em ambiente real de obra. O planeamento definido prevê a sua utilização contínua em operações em Portugal, com funções que incluem levantamentos em 360 graus, acompanhamento do progresso dos trabalhos e apoio a atividades relacionadas com a segurança em estaleiro.
