Grandes Escolhas – Vinhos e Sabores | O reencontro com os grandes eventos

Realizou-se de 16 a 18 de outubro, no pavilhão 4 da FIL, mais um encontro Vinhos e Sabores, organizado pela revista Grandes Escolhas, uma das grandes referências neste setor.

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Este regresso às feiras em grande escala foi feito num clima de especial alegria pelo matar saudades que representa, após os últimos tempos pandémicos. Ainda com cuidados na entrada e na cara tapada de quem estava do lado de lá dos stands que lembram que isto ainda não acabou, deu para circular com bastante à vontade no terceiro e último dia do evento. E que bom que foi, numa casa muito bem composta, mas sem nunca apresentar um ar atravancado ou desconfortável.

Como de costume, e para poder provar mais e melhor sem exageros, acabámos por nos focar mais nos brancos, sem no entanto ter deixado de provar um ou outro tinto especial. Fica a promessa para em próximas oportunidades do género mudar de agulhas.

Desde logo, e seguindo o nosso coração, falemos do Alto Minho, a começar pela ilha de Monção e Melgaço, sub-região dos Vinhos Verdes que tem sido exemplar na promoção coerente de um território. Numa fase em que o Alvarinho, casta-bandeira da zona, se planta por todo o Portugal e até ganha expressão internacional além da sua origem no noroeste peninsular, é estratégia com razão e coração. A PROVAM, lar do grande trabalho de Abel Codesso, tem sido dos representantes mais interessantes e com melhor relação qualidade/preço para quem gosta de Alvarinhos com os seus rótulos Varanda do Conde e Portal do Fidalgo (este último que vale bem a pena guardar uma década ou mais). No capítulo dos vinhos especiais, importa falar do Contradição (26€) e do Portal do Fidalgo 25 Anos (31€). Adultos, com citrinos maduros e longo fim, o 25 Anos até com alguma sugestão de fumado.

Ali à beira estava a magnifica Quinta do Regueiro, de Paulo Cerdeira Rodrigues, e a primeira grande novidade: O Tomo II do Jurássico. O Jurássico já foi eleito o melhor branco português e não é por acaso. Desde logo pelo facto de ser um vinho que reúne vários anos de Alvarinho, fermentado apenas em inox. Este 2º volume apresenta 2009, 2010 e 2011 continua encantador, vibrante e direto, mesmo tendo ganho camadas de complexidade. Os 30 e picos euros que deverá custar valem bem quem gosta desta casta fétiche.

Também a Quinta de Santiago, um dos projetos que mais tem agitado o mundo dos vinhos com rótulos como o Sou, em parceria com Nuno Mira do Ó, tinha boas coisas a apresentar. Em particular a versão 2020 do Santiago na Ânfora do Rocim (35€), outra parceria interessante em que foram trazidas ânforas do Alentejo para fermentar Alvarinho. Jovem, explosivo, curiosamente a não revelar os petrolados dos talhas clássicos alentejanos. Das curiosidades maiores da Vinhos e Sabores foi provar este vinho e a seguir rumar ao Rocim para provar a versão 2019. Seria bom que este tipo de carambolas continuassem e crescessem, num país que oferece tanta diversidade concentrada num pequeno espaço. Além disso, há o vinho que não coube neste rótulo, e que deu para provar mesmo ainda sem ter nome. Fabuloso, ainda haveremos de falar nele.

Tivemos que sair daquele espaço para visitar o espaço de Anselmo Mendes, o senhor Alvarinho. Que na verdade é senhor vinho, já que há vários anos que vai além do berço da casta para ter projetos de excelência em várias zonas de Portugal, com colaboradores de excelência como Constantino Ramos ou Diogo Lopes. Para variar, provámos o Anselmo Mendes Private (25€), 100% Loureiro, casta clássica do vale do Lima. Leve como uma pena camomila, louro (claro), mas notória capacidade de evolução. Anselmo é também um dos grandes defensores dos verdes tintos, em particular da casta Alvarelhão, de centenária história (uma das bases dos vinhos que na Idade Média era exportados para Inglaterra) mas com pouco relevo nas últimas décadas. Além dos notáveis Pardusco (tinto) ou Muros Antigos Espumante, há que falar do Anselmo Mendes Blanc de Noirs 2017 (9,50€), como o nome indica um branco de uvas tintas. Diferente, com corpo, mas cheio de frescura. Vale a pena apostar e provar esta diferença.

Para mudar de geografia, ruma-se aos Açores e ao Magma (18€), da zona de Biscoitos. Verdelho, e feito com talvez as uvas mais caras do país (mais de 3€/quilo), como forma também de estimular os produtores locais de um sítio particularmente agreste, é o cliché que o é por ser verdade: Atlântico. Salgado, prolongado no gosto. Um grande perfil de branco.

Por último, há que falar na bela vila de Silvares, no concelho do Fundão, e onde Anselmo Mendes está a apostar. Se o Quinta de Silvares de entrada, feito de lote, é mais um belo RQP, o Anselmo Mendes Quinta de Silvares Private (16,50€), só de Touriga Nacional, é dos melhores exemplares do Dão que temos provado. Equilíbrio, fruta silvestre, final longo e elegante, tal como deve ser nesta grande região.

Ao lado, na mui prometedora Beira Interior, a Quinta dos Termos continua a ser uma locomotiva sem descanso. Para não falar só de vinhos que custam dois dígitos, o Quinta dos Termos Reserva Branco (na casa dos 5€), de Fonte Cal, Síria, Arinto e Verdelho, é de uma polidez irresistível. O magnético Quinta dos Termos Clarete (7€), estilo que mistura tintas e brancas, continua dos grandes negócios que o enófilo pode ter.

Não longe temos Osvaldo Amado, outro rei (o dos espumantes), que tem deixado marca na Adega de Cantanhede, mas que com o nome Raríssimo tem conseguido expressar o seu lado mais pessoal. O Raríssimo Tinto (25€), de Touriga Nacional, Aragonez e Alfrocheiro, consegue misturar frescura vegetal com especiaria e terra.

Para não esquecer o sítio onde estamos, Lisboa, falemos de Hugo Mendes, um dos grandes rostos da nova vaga de enólogos que tem transformado o panorama do vinho, e aqui em nome próprio. O Hugo Mendes Lisboa (15€), branco de lote Fernão Pires e Arinto, é o capitão desta equipa de alguém que aposta numa perspetiva diferente, sem adição de fermentos. Untuoso, mas sem deixar cair o limão, é vinho fino. Já o Hugo Mendes Fernão Pires (18€), de vindima precoce, vai ainda mais além, dos grandes vinhos leves que se andam a fazer na região de Lisboa.

Começa a ficar perto das 21h, hora de fecho, e lembramo-nos de voltar à base, onde a Adega de Monção é um dos esteios e José Lourenço tem feito trabalho de exceção. Muralhas de Monção é talvez o nome de maior força nos Verdes no circuito Horeca, e o Deu-la-Deu o sinónimo do perfil de Alvarinho clássico com capacidade de envelhecimento, mas para falar nos vinhos especiais há que falar no Deu-La-Deu Fernando Moura 30 Anos (19€), homenagem a um nome maior da casa que apresenta pedra molhada, amplitude e elegância com citrinos. Mas o mais sedutor foi mesmo o Deu-La-Deu Terraços (25€), verdadeiramente demolidor. Vinhas velhas com capacidade espantosa de envelhecimento, imensa mineralidade e tensão. É para comprar e guardar.

Para arrematar, pequeno passeio até ao Palácio da Brejoeira, o lar da senhora Maria Hermínia Paes, que catapultou a sub-região. Se o vinho é bom, que é, a ideia de ter trazido as aguardante da ilustre casa foi brilhante. A Palácio da Brejoeira Aguardente Bagaceira (50€), macia e harmoniosa, e a Palácio da Brejoeira Aguardente Velha (90€), com estágio em carvalho francês com um veludo acrescentado.

Fotos de: Vinho Grandes Escolhas

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