O Pixel 11 Pro XL é o smartphone Google mais completo até agora e traz melhorias interessantes, principalmente para quem explorar mais a vertente fotográfica. Mas será suficiente para justificar o investimento?
Em 2023, oito anos depois de ter abandonado o mercado português, a Google regressou oficialmente à venda de smartphones em Portugal, desta vez com a marca Pixel. O regresso foi assinalado com a chegada dos Pixel 8 Pro, 8 e 8a, dispositivos que marcaram o relançamento da presença direta da Google no segmento de telemóveis no país. No ano seguinte, já em pleno verão, a empresa antecipou-se à concorrência com a apresentação da linha Pixel 9, deixando claro que o eixo estratégico passava a ser a Inteligência Artificial.
Um ano volvido, a Google manteve o mesmo ritmo com a série Pixel 10, com destaque para o modelo de topo Pixel 10 Pro XL. E em 2026, a tecnológica voltou a escolher o mês mais quente do ano para lançar no mercado a série Pixel 11, composta pelo modelo base, o Pixel 11 Pro e o Pixel 11 Pro XL, que é atualmente o que tenho estado a utilizar há cerca de dois meses.
Antes de ir à análise propriamente dita, convém salientar que estes lançamentos colocam a Google num patamar… perigoso. Por um lado, a empresa, dona e senhora do Android, atinge aqui o ponto mais alto da maturidade, tendo melhorado a construção dos dispositivos, aperfeiçado as capacidades fotográficas e introduzido ferramentas de inteligência artificial que podem realmente dar muito jeito no dia a dia. No entanto, a falta de grandes novidades dignas desse nome podem tornar estes equipamentos difíceis de recomendar face aos modelos da geração anterior – a não ser que, claro, encontrem preços fantásticos e ofertas de outros produtos.
Começando logo pelo aspeto visual, o que salta imediatamente à vista não é a parte frontal, mas sim a traseira, mais especificamente o módulo de câmaras. Este ano, a Google implementou uma peça contínua de vidro de uma ponta à outra, embutida na moldura de alumínio. O resultado é um acabamento visual mais limpo e polido, que combina um aro brilhante com o vidro fosco na traseira. É uma opção bem mais elegante face ao módulo traseiro da série Pixel 10, que dava a sensação de estar inacabado.
Esta não é a única novidade aqui na parte traseira. Há também o sistema Hilight, um anel de luzes LED integrado no módulo do flash traseiro que surge como uma reinterpretação moderna do antigo LED de notificações. Na prática, a funcionalidade permite atribuir cores específicas a contactos favoritos, acendendo quando essa pessoa liga, e apresenta uma animação colorida e fluida enquanto o Gemini processa ou responde a pedidos com o telemóvel pousado com o ecrã para baixo.
A ideia é engraçada na teoria, mas pouco útil na prática, ficando limitada precisamente a chamadas e ao Gemini. A Google parece ter-se inspirado na concorrência, mas marcas como a nothing, por exemplo, estão muito mais avançadas neste aspeto. Ainda assim, é uma novidade que pode ir melhorando com o tempo graças a atualizações de software, mas nunca passará muito “disto”.
E para que este sistema HiLight exista, a Google teve de remover o sensor de temperatura, que permitia medir a temperatura de superfícies, líquidos e até da pele humana utilizando a parte traseira do smartphone. Porquê? Os utilizadores não davam muita importância a esta funcionalidade, por assim dizer. E pela minha experiência, não fico surpreendido, pois nunca sequer usei… nem mesmo quando estive doente e com febre.
Olhando para o Pixel 11 Pro XL de frente, à primeira vista ninguém diria que estamos perante uma nova geração, sendo praticamente igual à versão do ano passado. Há, contudo, diferenças: é ligeiramente mais leve, com menos seis gramas, e há uma mudança impercetível na altura e na largura que somente dão conta quando tentarem utilizar uma capa do Pixel 10 Pro XL neste 11 Pro XL. Aí, irão reparar que não conseguem utilizar o botão de bloquear/desbloquear o smartphone corretamente, o que irá obrigar a, efetivamente, adquirir uma capa desenhada precisamente para o 11 Pro XL.
De resto, o feeling é exatamente o mesmo: estamos perante um smartphone premium, muito bem construído e cuja sensação na mão denuncia precisamente isso. Mas atenção que tende a ser um pouco escorregadio, portanto recomendo mesmo que usem capa.
Há também novidades no ecrã. Para já, acho bastante inteligente a Google optar por lançar as suas novas séries de smartphone em agosto. Sendo o mês mais quente do ano, e com uma fortíssima incidência solar, acaba por ser a oportunidade ideal para tirar as teimas à luminosidade do ecrã, que desta vez atinge um brilho máximo de 3600 nits.
A diferença é subtil no papel, mas, sob sol forte ou luz direta intensa, torna-se valiosa. E quem está na praia a navegar pelas redes sociais, ou simplesmente a consultar sites, saberá bem do que estou a falar. É daquelas melhorias que parecem mínimas, mas que acabam por fazer a diferença em diferentes contextos. No entanto, atenção às temperaturas, pois o Pixel 11 irá também avisar quando estiver demasiado quente, pedindo uns minutos de descanso.
Há outro aspeto que vale a pena salientar: a resistência no ecrã. Os Pixel 11 Pro e 11 Pro XL continuam a utilizar o Gorilla Glass Victus 2 como base estrutural, mas estão ainda mais resistentes contra arranhões e quedas, graças a uma camada adicional antirriscos concebida para trabalhar em conjunto com o vidro existente. De acordo com a própria Google, esta solução é duas vezes mais resistente a arranhões face à geração anterior, tratando-se de um revestimento ultrafino, com apenas 800 nanómetros, ou seja, cerca de 1% da espessura de um fio de cabelo, colocado entre o vidro.
Portanto, estamos perante os smartphones Pixel mais resistentes de sempre. Claro que não experimentei isto a sério, até porque não foi o propósito da review, mas será certamente muito útil para aquelas pessoas mais desastradas ou que, simplesmente, tendem a guardar o smartphone no mesmo bolso ou compartimento que as chaves de casa, que volta e meio originam riscos indesejados nos ecrãs.
Tirando estas duas importantes novidades, o ecrã é basicamente o mesmo Super Actua, mantendo nesta versão XL as mesmas 6,8 polegadas da geração anterior, resolução 2K e tecnologia LTPO para ajustar a taxa de atualização de forma dinâmica entre 1 e 120 Hz, de modo a poupar bateria sempre que possível. As cores são naturais e a experiência multimédia é envolvente, portanto podem ver à vontade as vossas séries, filmes ou jogos de futebol que não ficarão com as expectativas defraudadas.
Como seria de esperar, há também um novo processador. No caso o Tensor G6, descrito pela Google como o seu “processador mais rápido e potente”. E mal seria se assim não fosse. Na verdade, tudo funciona como o esperado: navegar na Internet é mais rápido, abrir aplicações e utilizar cada uma delas também, há uma melhor gestão da bateria – ainda que tudo dependa do uso diário -, as fotos são ainda melhores e, claro, é o melhor processador da empresa até à data para tratar de tarefas relacionadas com inteligência artificial, até porque existe o Tensor Processing Unit, ou TPU, responsável pelo processamento de determinadas operações de IA.
Não obstante, não é um chip desenhado para performance bruta, nem sequer para gaming muito exigente, perdendo, por larga margem, para os processadores mais recentes da Snapdragon, Apple e Mediatek. Os adeptos de benchmarks referem ainda que a performance do CPU é similar ao Snapdragon 8 Gen 3, lançado em 2023, e que a performance da GPU é similar ao Snapdragon 8 Gen 2, lançado em 2022.
E lá está, se para alguns o Tensor G6 é desapontante, para muitos outros não é uma questão assim tão relevante. Se pensarmos bem, nunca foi o objetivo da Google ter o smartphone mais rápido, mas sim um dispositivo que consegue extrair o máximo o que de melhor o sistema Android tem para oferecer.
E sim, é possível adquirir um topo de gama de outro fabricante com um processador mais potente, mas há que pensar que essa mesma marca pode não dedicar o mesmo nível de investimento ao software, o que irá resultar numa experiência menos fluida e, claro, menos atualizações ao longo do tempo, logo menos melhorias e novidades. Portanto, e se o Tensor G6 pode ser visto como um ponto fraco, visto que não é o melhor do mercado, a verdade é que, para a maioria das pessoas, isso pouco interessa.
Passando para as fotos, no papel parece não haver novidades, mas também existem. Novamente, temos aqui um sistema de câmara tripla traseira, composto por uma grande-angular de 50MP, uma Ultrawide de 48MP com Macrofoco, e uma teleobjetiva de 5x de 48MP.
Na câmara grande-angular não existem novidades, enquanto a Ultrawide tem agora um sensor de imagem de 1/2,51″ e a teleobjetiva tem um campo de visão de 23º e um sensor de imagem de 1/1,95″. Isto significa que, no caso da Ultrawide, entra ligeiramente mais luz, o que também resulta em mais detalhe e uma pequena redução do ruído em situações de pouca luz, enquanto que, com a teleobjetiva, a diferença no sensor é considerável face ao do Pixel 10 Pro XL. Estamos a falar numa lente que consegue agora captar cerca de 30% mais luz, o que se traduz em disparos noturnos muito mais nítidos e utilizáveis, logo com muitos menos ruído.
Para estas melhorias, o Tensor G6 também dá uma ajuda com um Processador de Sinal de Imagem, ou ISP, renovado, que basicamente é responsável por parte do processamento aplicado às fotografias e aos vídeos captados pelos sensores dos smartphones. Graças a esta melhoria, o modo Night Sight consegue agora concluir a captura até quatro vezes e meia mais depressa, mantendo um nível de qualidade semelhante ao da geração anterior.
Ou seja, a grande mais-valia desta nova geração do Pixel está precisamente em situações de pouca luz, nas quais o modo Night Sight combina várias exposições e processamento computacional para produzir a imagem final.
Outra novidade é o Pro Zoom de 120x, uma melhoria face aos 100x estreados nos Pixel 10 Pro e Pro XL. E tal como disse no ano passado, é daquelas funcionalidades que pouco irão usar, a não ser em casos de extrema utilidade ou só para perceber as capacidades fotográficas do smartphone. Ainda assim, tenho de admitir que, este ano, está melhor a ler caracteres face ao ano passado, mas raras são as vezes em que não surge qualquer carácter estranho ou inventado… Ou seja, quanto maior o zoom, maior o recurso à inteligência artificial, com tudo o que isso traz de positivo e negativo.
Ah, e atenção que é necessário fazer um download de 1,14GB para que possam utilizar este Zoom profissional, dando claramente indicação de que a Câmara Pixel usa modelos de IA generativa para melhorar a qualidade durante o processamento de imagens.
Outra funcionalidade lançada nos Pixel 11 é a Captura mágica, que basicamente deixa-nos “viver o momento” enquanto a câmara faz o seu trabalho. Ou seja, basta tocar para iniciar e o Pixel irá gravar um vídeo e selecionar as melhores fotos. Podem, ou não aplicar edições automáticas, como recortar, endireitar e remover o desfoque. Convém salientar que, ao utilizarem esta funcionalidade, partes da gravação são enviadas para os servidores da Google para a seleção de momentos com tecnologia de IA, mas a tecnológica assegura que os dados são eliminados após o trabalho estar feito.
Já para quem sempre quis os estilos fotográficos popularizados pela Apple no iPhone, a Google resolveu responder com os seus Camera Looks (Estilos da câmara em português). Com esta novidade, conseguem aplicar estilos incorporados, predefinições cinematográficas de nível profissional ou criar os vossos próprios estilos para captarem determinadas cenas como desejam. Têm, portanto, o Estilo Original, o Natural (cores mais naturais e detalhes mais “descontraídos”), Sombras (para um contraste mais profundo e sombras mais fortes) e Baunilha (tons mais quentes e suaves). No fundo, esta funcionalidade, que é exclusiva da linha Pixel 11, vai mexer com o típico processamento de imagens das fotos, que alguns consideram reduzir o contraste a saturação mais que o desejado. E sim, funciona em vários cenários, mas acaba sempre por ser algo muito subjetivo e dependente dos gostos de cada utilizador.
Quanto à bateria, temos aqui neste Pixel 11 Pro XL 5115 mAh que, muito honestamente, consegue virtualmente os mesmos resultados que o Pixel 10 Pro XL – posso ter notado que a bateria parece ser consumida mais rapidamente em repouso, isto é, quando o smartphone não está ligado à Internet e, portanto, sem receber notificações. Isto quer dizer que vão precisar sempre de meter o dispositivo à carga ao final do dia. Como sempre, tudo depende da utilização, se têm ou não os dados móveis/Wi-Fi ligados – acreditem, a ligação à Internet drena a bateria toda – e da quantidade de apps instaladas, porque quanto mais apps, mais recursos são consumidos.
Por exemplo, se eu sair de casa de manhã e utilizar o GPS no meu trajeto, facilmente gasto uns 10-15% de bateria. Se andar de um lado para o outro e chegar ao final do dia a casa – isto é, antes da hora do jantar -, já vou ter a bateria perto dos valores mínimos… e sem estar propriamente a perder tempo com um jogo pesado ou a consumir vídeos à toa. Como disse, tudo depende do uso que lhe dão – no meu caso, com tantas apps a mandarem notificações, tratar de emails, gerir a equipa, etc, tudo isso gasta energia. E não é pouca. Felizmente, o Pixel 11 Pro XL tem uma função super útil. Trata-se do Carregamento Extremo que, embora faça com que o smartphone aquece um bocadinho mais que o desejado, consegue fazer com que, em cerca de meia hora, o equipamento vá de 1 a 80% em cerca de meia hora.
Resta-me abordar o que falta: o preço. Neste momento, o Pixel 11 Pro XL custa a partir de 1.429€ na loja oficial da Google, embora já o consigam encontrar abaixo dos 1.300€ noutras lojas. De momento, está em vigor uma promoção em algumas lojas em que, na compra deste Pixel 11 Pro XL – ou 11 Pro -, têm de oferta um Chromebook da Lenovo. É, provavelmente, a melhor oferta que têm por estes dias, caso queiram mesmo avançar para um desses modelos.
Se não tiverem tanta urgência em experimentar as últimas novidades da IA, mas ainda assim querem uma experiência Android Pura, então diria que a série Pixel 10 será a mais indicada para todos vós, dado estar com preços bem mais apetecíveis.
Este dispositivo foi cedido para análise pela Google.
