GMK TriggerKey Review: Até ao último milímetro

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Os TriggerKey permitem afinar manualmente o curso de algumas teclas num teclado mecânico, mas exigem compatibilidade, paciência e atenção a diferenças muito pequenas.

A GMK, marca conhecida por KeyCaps premium, teclados e outros acessórios, revelou agora uma novidade única, com um conjunto de “keycaps” especiais orientadas para jogadores competitivos e utilizadores de, maioritariamente, teclados já mecânicos, com os GMK TriggerKeys. Como o nome já deixa antever, esta novidade propõe a substituição dos keycaps tradicionais por pequenos gatilhos mecânicos que permitem alterar a distância que o dedo precisa de percorrer até o switch registar uma ação. Não mexem no funcionamento interno do teclado nem mudam o ponto de atuação do próprio switch. Em vez disso, colocam um mecanismo ajustável entre o dedo e o switch, onde é possível definir a altura, o curso e a inclinação de cada tecla, com cada TriggerKey montado em duas direções e com ajuste de ângulo até 34 graus.

O maior interesse de utilização dos GMK TriggerKeys está nos teclados mecânicos tradicionais, onde os switches têm um ponto de atuação fixo e não existe qualquer opção de software para o alterar. Muitos modelos mais recentes com switches magnéticos já permitem fazer esse ajuste diretamente no teclado, muitas vezes com bastante precisão, enquanto os TriggerKey tentam dar alguma dessa liberdade a switches convencionais através de um sistema inteiramente mecânico. A própria GMK indica compatibilidade sobretudo com caixas MX tradicionais, incluindo Cherry e muitos switches Gateron, enquanto grande parte dos modelos Hall Effect e os switches Kailh Box ficam de fora.

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GMK TriggerKey

A compatibilidade acabou por ser uma das primeiras dificuldades que encontrei ao receber as minhas unidades de teste. Nenhum dos teclados que tinha disponível aparecia diretamente na lista fornecida pela marca, por isso fui experimentando os TriggerKey até encontrar uma combinação que funcionasse corretamente, ou fizesse sentido. Acabei por utilizá-los no Corsair K70 CORE TKL RGB, equipado com switches Corsair MLX Red v2, onde encaixaram e funcionaram sem problemas, apesar de estes switches não constarem da lista oficial.

A instalação não tem grande ciência, depois de retirar o keycap original da tecla pretendida, o TriggerKey encaixa sobre o switch através de pequenas patilhas e pode ser colocado sem retirar o switch do teclado (no caso do Corsir K70, nem é possível). Ainda assim, acho mais simples retirar primeiro os switches (quando possível), para instalar várias unidades que fiquem próximas umas das outras, como em WASD, porque há mais espaço para segurar e alinhar cada peça. Já para remover os TriggerKey preferi fazer precisamente o contrário, recorrendo a uma pequena ferramenta incluída que abre as patilhas e, com o switch preso ao teclado, é mais fácil puxar a peça sem levar tudo atrás.

A afinação começa com três pequenos caps de 0,7 mm, 1,2 mm e 1,7 mm, colocados diretamente sobre a haste do switch. A altura escolhida determina uma primeira distância até ao contacto com o mecanismo, sendo depois possível fazer um ajuste mais fino através de uma chave fornecida pela GMK. Cada rotação completa corresponde a 0,4 mm e permite aproximar ou afastar o ponto onde o TriggerKey começa a pressionar o switch. O ângulo também pode ser ajustado até aos 34 graus, dando alguma liberdade para adaptar a posição à forma como os dedos assentam sobre o teclado. A GMK inclui os três caps no pacote precisamente para permitir diferentes respostas e diferentes distâncias até à atuação.

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GMK TriggerKey

Afinar uma tecla é fácil, mas afinar quatro de forma consistente já exige mais cuidado. Pequenas diferenças no aperto começam a notar-se quando passamos rapidamente entre WASD, e nem sempre consegui deixar todas com exatamente a mesma sensação. Quem for particularmente sensível a estas variações vai provavelmente perder algum tempo até encontrar a configuração certa, sobretudo se quiser que todas respondam de forma muito semelhante. Também é aqui que se percebe melhor o tipo de utilizador para quem este produto foi feito, porque estamos a falar de diferenças de poucos décimos de milímetro.

Os TriggerKey também mudam bastante a forma como pressionamos as teclas. A superfície curva encaixa bem na ponta dos dedos e o mecanismo tem uma agradável sensação de mola e resistência, afastando-se do movimento vertical de um keycap normal. Experimentei as duas orientações permitidas pela GMK e preferi deixá-los virados para norte, que me pareceu uma posição mais natural para WASD. A possibilidade de os instalar nas duas direções ajuda, sobretudo porque a posição que funciona numa tecla pode não ser a mais confortável noutra.

O nome TriggerKey também pode dar uma ideia errada sobre aquilo que acontece durante o movimento. Estes gatilhos não transformam uma tecla numa entrada analógica semelhante aos gatilhos de um comando. Num jogo de condução, por exemplo, não é possível utilizar diferentes posições do curso para controlar progressivamente a aceleração. O switch continua a funcionar exatamente como antes e apenas regista uma ação quando chega ao seu ponto de atuação. O TriggerKey limita-se a mudar a distância e o movimento necessários para chegar a esse ponto, sendo por isso uma solução mais dirigida a jogos de ações muito rápidas, como jogos de tiros, onde cada milissegundo e reações rápidas contam.

Foi precisamente na troca entre os vários caps que senti as diferenças mais claras, quanto mais alta for a configuração, mais imediato se torna o contacto com o switch; com uma altura menor, é necessário percorrer uma distância maior antes de a tecla responder. A diferença sente-se facilmente ao passar de uma configuração para outra, e o ângulo também altera bastante a forma como o dedo exerce força sobre a peça. Não tive dificuldade em perceber o que cada ajuste fazia, mas isso não significa que tenha sentido uma vantagem igualmente clara enquanto jogava.

Não sou um jogador competitivo ao ponto de considerar que 0,4 mm a mais ou a menos numa tecla faça uma diferença evidente numa partida. Consegui encontrar configurações que me pareceram mais confortáveis, gostei da resistência do mecanismo e senti claramente as alterações entre os vários ajustes, mas não notei uma melhoria real no meu desempenho. Para alguém que passa muito tempo a afinar um teclado e repara imediatamente nestas pequenas variações, os TriggerKey oferecem bastante margem para experimentar. Para mim, a diferença ficou sobretudo na sensação e na possibilidade de adaptar fisicamente cada tecla.

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GMK TriggerKey

Também não os deixaria instalados num teclado que utilizasse durante todo o dia. Quatro gatilhos misturados com keycaps normais não são particularmente agradáveis para escrever e acabam por interferir com uma utilização mais comum. Retirá-los não demora muito, mas voltar a montar, escolher os caps e confirmar a afinação sempre que queremos jogar rapidamente se torna cansativo. Fazem bastante mais sentido num teclado dedicado a jogos, onde possam ficar permanentemente instalados e afinados.

Cada kit inclui quatro TriggerKey, os três conjuntos de caps, as ferramentas necessárias para instalação, remoção e afinação, além de molas adicionais e uma pequena caixa onde tudo pode ser guardado. Os keycaps utilizam ABS double-shot, enquanto os caps interiores são feitos em POM, e a GMK disponibiliza várias opções de cor. O conjunto está bem apresentado e os mecanismos que testei transmitiram uma boa sensação de construção, sem folgas ou problemas durante a utilização.

Por 49€, o kit posiciona-se claramente num nicho. Num teclado mecânico tradicional, os TriggerKey conseguem acrescentar uma possibilidade de afinação que simplesmente não existe de origem e permitem alterar bastante a resposta de algumas teclas sem trocar de switches ou comprar outro teclado. Já num modelo com pontos de atuação configuráveis, ou para quem não liga a diferenças tão pequenas, sobra sobretudo a ergonomia e a sensação particular destes pequenos gatilhos. No meu caso, gostei mais de experimentar as várias afinações do que da vantagem que consegui retirar delas enquanto jogava, o que também mostra como este é um produto pensado para um tipo de jogador muito específico.

Este produto foi cedido para análise pela GMK.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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