Fórmula 1 – Grande Prémio de São Paulo: Três dias que mostraram porque é que Hamilton é sete vezes campeão do mundo

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Desta vez era o público brasileiro que enchia as bancadas do Autódromo José Carlos Pace em Interlagos, São Paulo, Brasil. E que espetáculo presenciaram. Lewis Hamilton conseguiu mostrar, no Grande Prémio de São Paulo, o porquê de ser sete vezes campeão do mundo. Depois de uma desqualificação na qualificação para a Sprint e uma penalização de cinco lugares para a corrida, conseguiu acabar 10 segundos à frente do líder do campeonato, Max Verstappen.

Grande Prémio de São Paulo
Crédito: Formula1.com

A luta pelo campeonato do mundo de pilotos, e construtores, continua acesa nesta reta final da temporada de 2021 da prova rainha do desporto automóvel, a Fórmula 1. À partida para o Grande Prémio de São Paulo, Max Verstappen levava 19 pontos de vantagem para o sete vezes campeão do mundo, Lewis Hamilton. Depois de uma qualificação de sonho por parte de ambos os Mercedes, as contas começavam a agradar à equipa britânica, até que… os regulamentos acabam por dar uma desqualificação a Lewis Hamilton, que partiria assim do último lugar na corrida sprint de sábado. A Red Bull volta a sorrir.

Mas calma, Red Bull. Aguentem lá os bois, cavalos, perdão, que o W12 número 44 tem um motor de combustão fresquinho. Lewis Hamilton até pode ter partido de último após ter feito o melhor tempo na qualificação, mas a verdade é que o britânico tinha mais para mostrar. Nas 24 voltas que compõem a corrida sprint em Interlagos, Sir Lewis Hamilton não recuperou 5, nem 10, mas 15 posições, tendo acabado em P5 atrás de Valtteri Bottas, Max Verstappen, Carlos Sainz Jr. e Sergio Pérez.

Acontece que o motor fresquinho do W12 número 44 veio agarrado a uma penalização de cinco lugares na grelha de partida, fazendo com que Lewis Hamilton partisse para o Grande Prémio de São Paulo em P10, muito atrás do seu adversário direto, Max Verstappen, que partia de P2. Nada fácil na luta pela renovação do título de campeão do mundo de Fórmula 1.

Lights out and away we go! São 71 voltas de emoção e, antes de chagar à primeira curva, temos logo o primeiro toque. Carlos Sainz arranca mal e, ao ser ultrapassado por Lando Norris, acaba por tocar no piloto da McLaren, fazendo com que este fique com um furo e tenha que parar nas boxes para trocar de pneus logo após uma primeira volta muito, mas muito lenta. Nada bom para a McLaren na tentativa de ficar em terceiro no campeonato do mundo de construtores… mais para a frente ficava pior, quando Daniel Ricciardo acaba a corrida mais cedo por problemas na power unite do seu McLaren.

Mas voltando à primeira volta: na chegada à primeira curva, Bottas vai largo e acaba por ser passado por Max Verstappen, comprometendo ainda a posição para Pérez, que passa o Mercedes entre as curvas 3 e 4. Bottas ia agora em terceiro, mas, por outro lado, o outro Mercedes, o de Hamilton, tinha subido quatro posições só nas primeiras curvas e estava agora em P6.

Ainda na primeira volta Hamilton sobe para P5. Ok, passado pouco tempo já está em P4, logo atrás de Bottas. O finlandês, após receber ordens de equipa, deixa passar Lewis, que está assim em P3, cinco voltas depois de ter começado em P10… que arranque de corrida alucinante. Nesta troca de posições, Lewis aproveita para agradecer a Valtteri e pede à equipa que passa a mensagem ao colega: “Segue-me e vamos apanhá-los”, referindo-se aos dois pilotos da Red Bull, que nesta altura seguiam em P1 e P2.

Pouco depois era a vez de Yuki Tsunoda moldar o decorrer da corrida. O japonês mede mal a travagem, ou até o espaço que tinha para o carro, e acaba por bater em Lance Stroll. O resultado foi uma asa frontal a menos, 10 segundos de penalização e ainda um Safety Car. Ideal para os Mercedes se aproximarem dos Red Bull, mas se até correu bem a Hamilton, por outro lado correu menos bem a Bottas, que ia perdendo a P4 para um dos Ferrari que lutavam para chegar o mais à frente possível.

O ritmo começa a aumentar lá na frente, tudo pronto para uma corrida espetacular e… Virtual Safety Car. Mick Schumacher bateu em Kimi Räikkönen exatamente no mesmo sítio que umas voltas antes Tsunoda abalroara o carro de Stroll. Desta vez, o piloto alemão não ficou imediatamente sem asa frontal, mas foi espalhando pedaços da mesma ao longo de toda uma volta. Se uns espalhavam asas frontais, outros espalham magia. Lá na frente, Lewis Hamilton só já tinha 1.2s de atraso para Sergio Pérez.

Crédito: Formula1.com

É agora, Hamilton estava perto o suficiente para atacar Pérez e ascender à segunda posição. O Mercedes 44 passa o Red Bull do mexicano na curva 1, mas o contra-ataque acontece de seguida e na curva 4 é a vez de Pérez retomar ao segundo lugar. Que corridaço meu irmão!

Estamos agora na volta 19 e Hamilton volta a tentar… desta vez consegue. Depois de partir de P10, o carro número 44 está agora em segundo lugar apenas com o atual líder da tabela, Max Verstappen, à frente. É altura de tentar o undercut. Hamilton pára primeiro e mete duros. Logo de seguida pára Max Verstappen e mete também duros, mas a verdade é que, com a excelente volta de saída de Lewis Hamilton, a distância entre os dois cai e a corrida está cada vez mais em aberto.

Perdoem-me se queriam saber como é que as coisas estão lá para o meio da tabela, mas hoje a atenção estava nos quatro carros da frente.

Entretanto, Pérez pára. Bottas ainda não parou, e que sorte para o carro 77 da Mercedes. Stroll, ainda por causa daquele “toque” com Tsunoda, perde um pedaço da estrutura lateral do carro e novo Virtual Safety Car [VSC]. Bottas aproveita para fazer a sua primeira paragem e consegue assim, graças ao novo VSC, sair para a pista em P3 à frente de Sergio Pérez.

Max Verstappen continua a liderar a corrida, mas agora com (apenas) cerca de um segundo de vantagem para o segundo lugar. Lewis Hamilton vai-se mostrando. Max diz à equipa que não quer voltar a ser surpreendido pelo undercut de Lewis. Lewis diz que, ao parar novamente, quer ir de médios.

Max teve o que pediu e pára umas voltas depois, antes de Lewis, para novo jogo de duros. Depois pára Bottas e sai em P5, logo seguido de Pérez, que ao parar sai em P5 numa altura em que Bottas já tinha ultrapassado Charles Leclerc, ficando a tabela assim: Hamilton, Max, Bottas, Leclerc e Pérez.

Pérez acaba por ultrapassar Leclerc e a verdade é que se Bottas parou primeiro foi simplesmente para perceber o ritmo dos pneus novos, duros, naquela fase da corrida. O finlandês não ficou contente, mas Hamilton também não: o britânico não teve o que pediu. Parou mas meteu duros, não médios. Escolha que viria a revelar-se a correta.

Hamilton vai-se aproximando. Hamilton consegue, por momentos, ficar à frente antes da curva 4, mas Max não se deixou ficar e acabou por ir fora na curva 4 juntamente com Lewis, de forma a proteger a primeira posição. “Deixem-nos correr”, pedia a Red Bull e a FIA concordava. Nada a apontar, mas Lewis não desistia e, umas voltas mais tarde, Max levava mesmo uma bandeira Preta e Branca por andar aos “esses” entre a curva 3 e 4.

Lembram-se de vos ter dito que Ricciardo ia ficar de fora? Foi por esta altura. E Stroll foi-lhe fazer companhia, ainda por causa dos danos do embate com Tsunoda.

Após muitas tentativas, foi na volta 59, de 71, que Hamilton passou Max Verstappen, também entre a curva 3 e 4. Festejos na box da Mercedes e uma mensagem para Valtteri: “Go and get him“, dizia Toto Wolff, pedindo a Bottas que se chegasse perto de Verstappen. Mas não chegou, tendo acabado a corrida mesmo em P3, o que acaba por ser uma excelente posição para as contas no campeonato de construtores.

Grande Prémio de São Paulo
Crédito: Formula1.com

Quem foi embora foi Lewis Hamilton que, da volta 59 ao fim da 71, conseguiu ganhar 10 segundos de vantagem. É isso mesmo: ao longo do fim de semana levou qualquer coisa como 25 lugares de penalização, começou a sprint em último e a corrida de domingo em 10º, mas, mesmo assim, conseguiu encontrar velocidade e destreza suficiente para acabar em primeiro lugar com 10s de vantagem para o segundo classificado, Max Verstappen.

No meio do mau, algo de positivo para a Red Bull. Sergio Pérez parou no início da volta 70 para trocar para um jogo de pneus macios de forma a levar a volta mais rápida para casa, tirando um ponto a Lewis e dando um ponto à Red Bull na luta para o campeonato de construtores. O mexicano conseguiu o tempo de 1:11.010 (Hamilton tinha feito 1:11.982, mas de duros).

O piloto do dia (do fim de semana, até) foi, sem qualquer dúvida, Lewis Hamilton, seguido de Lando Norris que, após descer para último na primeira volta, conseguiu acabar nos pontos, em P10. Um ponto importante para a McLaren, que a cada corrida que passa vê a Ferrari ficar mais distante no campeonato de construtores. A equipa de Maranello conseguiu, no Grande Prémio de São Paulo, P5 e P6, aumentando a vantagem para a equipa de Woking.

Faltam três corridas… e que época estamos a ter. Por agora está assim:

Campeonato do Mundo de Fórmula 1 – Top 10 por pilotos

PosiçãoPilotoEquipaPontos
1Max VerstappenRed Bull Racing Honda332.5
2Lewis HamiltonMercedes318.5
3Valtteri BottasMercedes203
4Sergio PerezRed Bull Racing Honda178
5Lando NorrisMcLaren Mercedes151
6Charles LeclercFerrari148
7Carlos Sainz Jr.Ferrari139.5
8Daniel RicciardoMcLaren Mercedes105
9Pierre GaslyAlphaTauri Honda92
10Fernando AlonsoAlpine Renault 62

Campeonato do Mundo de Fórmula 1 – Top 5 por equipas

PosiçãoEquipaPontos
1Mercedes521.5
2Red Bull Racing Honda510.5
3Ferrari287.5
4Mclaren Mercedes256
5Alpine Renault112
6AlphaTauri Honda112

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