O recente anúncio ao fim dos discos físicos para novos jogos PlayStation poderá dar forças e argumentos aos processos que acusam a Sony de monopolizar a distribuição digital dos seus jogos.
A decisão da Sony Interactive Entertainment de deixar de produzir discos físicos para novos jogos PlayStation a partir de janeiro de 2028 poderá ter consequências que vão além da mudança para o formato digital. Ao eliminar uma das principais alternativas de compra, a empresa arrisca-se a dar um novo peso aos processos que a acusam de restringir a concorrência na venda de jogos para as suas consolas.
À luz da nova decisão estratégica, Christopher Dring, responsável pelo The Game Business, recordou os seus seguidores e leitores que a Sony continua a enfrentar várias ações judiciais relacionadas com a PlayStation Store. Embora o fim do formato físico não faça parte desses processos, a decisão altera significativamente o contexto em que essas acusações são analisadas.
Desde 2019 que a Sony impede retalhistas de venderem códigos digitais de jogos PlayStation. Uma vez que antes dessa alteração, lojas como a Amazon ou a GameStop podiam comercializar versões digitais dos jogos, competindo diretamente com a PlayStation Store. Desde então, quem pretende comprar um jogo PlayStation em formato digital tem de o fazer através da loja da própria Sony.
Até agora, essa limitação era parcialmente compensada pela existência de versões físicas, que continuavam disponíveis em diferentes lojas e sujeitas à concorrência habitual do mercado. Mas com o fim da produção de discos para novos jogos, essa alternativa desaparece, deixando a distribuição dos futuros lançamentos cada vez mais dependente do ecossistema digital da PlayStation.
É precisamente essa concentração que está no centro das ações apresentadas contra a empresa. Os autores dos processos alegam que a Sony monopolizou a venda digital de jogos PlayStation, eliminando a concorrência entre lojas e reduzindo a pressão sobre os preços praticados na PlayStation Store.
Um dos casos mais mediáticos, apresentado nos Estados Unidos em 2021, terminou este ano com um acordo de 7,85 milhões de dólares. A Sony aceitou resolver o litígio sem admitir qualquer prática anticoncorrencial ou violação da legislação, pelo que o processo não produziu qualquer decisão judicial sobre o mérito das acusações.
O anúncio desta semana levanta, no entanto, uma nova questão. No comunicado em que confirmou o fim dos discos físicos, a Sony afirmou que os novos jogos continuarão disponíveis na PlayStation Store e em retalhistas “apenas em formato digital”. Uma formulação deixa em aberto a possibilidade de a empresa voltar a permitir que outras lojas comercializem versões digitais dos seus jogos. Prática essa abandonada há cerca de seis anos.
Caso isso aconteça, poderá continuar a existir alguma concorrência entre diferentes pontos de venda. Se, pelo contrário, a Sony mantiver o modelo atual, a PlayStation Store poderá tornar-se o único canal oficial para adquirir novos jogos PlayStation. Um cenário limitador para os consumidores, frustrante e que poderá, então, reforçar os argumentos utilizados nas ações que contestam a posição da empresa no mercado da distribuição digital.
