Pouca gente imagina o que acontece dentro de um figo antes de chegar à nossa mesa. Por trás do gosto doce e da textura característica deste fruto, existe uma relação curiosa com uma pequena vespa, essencial para o ciclo de vida da figueira.
O papel discreto das vespas no figo
O ciclo de vida da figueira depende da intervenção de uma vespa minúscula. Mas não é qualquer figo que serve para este processo, porque na realidade, os figos também têm género e existem figos masculinos e femininos, com funções diferentes.
Neste caso, o alvo escolhido pela vespa é o figo macho, onde o inseto deposita os seus ovos, aproveitando a estrutura do fruto para deixar as futuras larvas. Infelizmente para a vespa, a entrada é tão apertada que, ao atravessá-la, na maioria das vezes acaba por perder as asas e as antenas, ficando presa no interior e morrendo pouco depois.
Uma simbiose inesperada
Esta relação é um exemplo de simbiose na natureza, já que tanto a figueira como a vespa acabam por beneficiar do processo. A vespa, embora muitas vezes morra, encontra no figo o local onde pode deixar os seus ovos e desenvolve novas gerações, enquanto que a figueira depende da visita do inseto para ser polinizada e continuar o seu ciclo reprodutivo.
Mas face a esta realidade, levanta-se a questão. Será que quando comemos um figo, estamos também a comer a vespa? Não exatamente. Porque o fruto produz uma enzima chamada ficina, que ajuda a decompor o corpo do inseto no interior do figo.
Novas gerações dentro do figo
Mesmo depois da morte da vespa adulta, o ciclo continua dentro do fruto e as larvas nascem machos e fêmeas. Com diferentes características, os machos não têm asas e a sua principal função é acasalar com as fêmeas e abrir um túnel de saída para que estas possam abandonar o figo e transportar consigo o pólen.
Depois de cumprirem essa função, os machos morrem dentro do fruto. E as novas fêmeas, por outro lado, saem e procuram novos figos onde possam continuar o ciclo.
Nutrientes e segredos à mesa
O figo não desperta curiosidade apenas pela sua biologia. É também uma fonte de fibra e antioxidantes e, quando consumido sob a forma de figo seco, apresenta uma maior concentração de nutrientes como cálcio, ferro e potássio.
O seu teor calórico também aumenta quando é seco, tornando o figo seco uma opção procurada por quem precisa de uma fonte rápida de energia. Para comer fresco, o ideal é escolher figos que estejam maduros e ligeiramente flexíveis ao toque, mas sem estarem demasiado moles.
Depois de maduros, os figos conservam-se durante pouco tempo e devem ser consumidos rapidamente. Por isso, o melhor é mantê-los num local fresco e protegidos do calor.
Por trás deste fruto aparentemente simples existe, afinal, um ciclo bastante particular, no qual uma pequena vespa desempenha um papel fundamental sem que quase ninguém se aperceba.
