A Fiat prepara-se também para entrar no segmento C com a iminente chegada do Grizzly.
A Fiat quer pôr Portugal a andar de microcarro elétrico e os números do primeiro semestre mostram que a estratégia de atacar as cidades com veículos minimalistas já está a dar frutos no mercado nacional. Numa altura em que o grupo Stellantis elegeu a marca italiana como uma das suas quatro insígnias de ambição global, a Fiat fechou o primeiro semestre do ano com um crescimento de 13% em território nacional, superando a média do mercado geral, que se fixou nos 10%. Este desempenho permitiu à marca atingir uma quota de mercado de 3% em Portugal, consolidando uma trajetória ascendente face ao ano anterior.
Embora a eletrificação continue a ditar o rumo de longo prazo da construtora, a continuidade dos motores térmicos é assumida como uma necessidade de negócio para manter a marca fiel à sua matriz histórica de proximidade com o consumidor. É neste equilíbrio que a Fiat lidera atualmente o segmento A em Portugal com 33% de quota de mercado, impulsionada pelo desempenho do Panda, que escalou dez posições na tabela de vendas nos primeiros seis meses do ano, fixando-se no nono lugar do ranking geral.
A grande novidade no ecossistema urbano é o Fiat Topolino, um quadriciclo 100% elétrico que transporta o conceito do modelo original para as exigências contemporâneas das cidades. Portugal foi um dos últimos países da Europa a lançar o modelo, cuja comercialização arrancou apenas em janeiro deste ano. Apesar do início tardio, o veículo posicionou-se rapidamente no quarto lugar do seu segmento no mercado nacional, acompanhando a tendência europeia onde o Topolino já é o primeiro classificado em vendas na maioria dos países. Para assinalar o lançamento, a marca estruturou uma parceria inédita de três meses com o Spatia Comporta, na Comporta. Durante este período, várias unidades do quadriciclo – incluindo as versões Dolce Vita, Coral e a edição especial de tiragem exclusiva Villa Treville, desenvolvida em parceria com a marca homónima – estarão disponíveis para utilização direta dos hóspedes em percursos pela região.
A expansão da micromobilidade e dos formatos compactos estender-se-á nos próximos anos. Para 2027, está planeado o lançamento do TRIS, um conceito de transporte ultra-compacto focado na agilidade citadina e em necessidades específicas de transporte de materiais. Seguir-se-á o Multipla (que utilizará a designação comercial Quattrolino), que aplicará uma configuração de cariz marcadamente familiar dentro do universo dos microcarros. Todo este alinhamento assenta no princípio de “pensar grande em pequenino”, adaptando os microcarros a uma sociedade em transformação, onde o usufruto do automóvel mudou radicalmente face ao panorama de há 127 anos, altura em que os primeiros Fiat nasceram no pós-guerra com o objetivo de conferir mobilidade básica às populações.
No catálogo atual, a oferta para o mercado português distribui-se entre os modelos Topolino, 500, Pandina e 600, preparando-se a marca para integrar o Grizzly ainda este ano.
O Fiat 500 elétrico continua a ser o modelo mais premiado da marca, garantindo o segundo lugar no seu segmento com 29% de quota de mercado com a nova motorização. Por sua vez, o Grande Panda elétrico introduz soluções industriais inéditas no segmento, como o cabo de carregamento integrado e retrátil, idealizado para simplificar o manuseamento diário. O modelo ocupa a nona posição no ranking de vendas geral em Portugal e o quarto lugar no seu segmento específico, refletindo um crescimento de dez posições face ao período homólogo. No patamar familiar, o Fiat 600 assume o formato SUV compacto, oferecendo versatilidade de espaço com motorizações elétricas e a gasolina com preços desde os 17.900€.
A estratégia de longo prazo da Fiat culminará com a entrada inédita no segmento C, um espaço onde a marca não tem representação corrente. Esta expansão será feita através do novo modelo Grizzly, que se apresentará ao mercado com duas carroçarias distintas comercializadas exatamente ao mesmo preço: uma variante SUV e uma versão Fastback (mais desportiva e aerodinâmica). O Grizzly terá um comprimento de 4,5 metros e uma capacidade de bagageira superior a 600 litros, posicionando-se como o maior veículo da gama Fiat. A nível mecânico, a plataforma acolherá motorizações elétricas, híbridas e a gasolina, transmissões automáticas ou manuais e potências até 145 cavalos, incluindo no habitáculo sistemas avançados de conectividade e assistência à condução.
Com o Grizzly, a Fiat promete estender a sua ambição comercial da micromobilidade urbana até aos formatos familiares de maior volume.
