Fatores-chave que influenciarão a aceitação dos veículos elétricos no mercado de Portugal nos próximos anos

A Juice Technology AG, fabricante de estações de carregamento elétrico e software e líder do mercado em carregadores portáteis para veículos elétricos (VEs), e o futurista Lars Thomsen, revelam algumas visões sobre as mais importantes tendências que irão moldar o desenvolvimento da mobilidade elétrica nos próximos anos no mercado de Portugal.

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Em dezembro de 2019, a União Europeia declarou a sua intenção de reduzir as emissões de gases com efeito estufa dos veículos rodoviários em 90% até ao ano 2050 com base no valor de referência de 1990. Conseguir este objetivo como parte do European Green Deal implicará, entre outras medidas, a construção de uma rede de infraestrutura eficiente para o carregamento de veículos elétricos. O planeamento exige a instalação de uma capacidade de carregamento adequada para automóveis e camiões a cada 60 km em ambos os sentidos ao longo da Rede Transeuropeia de Transportes (TEN-T) até 2030. E embora o objetivo de ter um milhão de pontos de carregamento instalados até 2025 pareça bastante ambicioso, não deixa por isso de ser imperativo, tendo em vista o ritmo impressionante a que a mobilidade elétrica se está a desenvolver.

Status quo – Qual é a situação da mobilidade elétrica na Europa atualmente?

Os veículos elétricos foram responsáveis por cerca de 20% das vendas de automóveis novos na Europa em 2021. Nos cinco maiores mercados europeus (França, Alemanha, Itália, Espanha e Grã-Bretanha), a quota de mercado reivindicada pelos veículos elétricos (incluindo veículos totalmente elétricos, híbridos plug-in e VEs híbridos convencionais) aumentou de 8% em 2019 para 38% em 2021. Em setembro de 2021, o Model 3, da Tesla, tornou-se o primeiro automóvel totalmente elétrico a ser coroado como o carro mais vendido na Europa (com base em todos os tipos de propulsão). Enquanto o mercado para os motores a gasóleo e gasolina nos registros de veículos novos para utilização rodoviária está a diminuir, a quota dos “veículos plug-in” está a aumentar a uma taxa com dois algarismos.

Na Europa, a quota combinada de veículos elétricos a bateria (VEB) e veículos elétricos híbridos plug-in (VEPH) excederá a das novas matrículas dos veículos a gasóleo e a gasolina já na primeira metade de 2023. Em praticamente todos os segmentos e classes de veículos, os veículos elétricos atingirão um ponto de viragem em 2025, onde a sua atratividade, tanto em termos económicos como de desempenho comparativo, ultrapassará claramente os seus homólogos com motores de combustão interna que serão progressivamente eliminados. As autonomias dos veículos elétricos estão a aumentar, ao mesmo tempo que os tempos de carregamento estão a diminuir constantemente, e as oportunidades de carregamento tanto no domínio público como privado estão a tornar-se cada vez mais a norma. Graças à crescente concorrência, preços decrescentes e maior variedade de veículos no mercado, os VEs vão ganhando um domínio cada vez maior nos segmentos de grande volume de vendas com preços médios e baixos.

Os EUA estão atrasados em relação à China, líder nos VEB

A China, entretanto, atingiu um ponto de reagrupamento para entrar e marcar pontos nos mercados europeu e americano com novos (e muito atrativos) automóveis elétricos totalmente elétricos e plug-in híbridos (VEPH). O futurista Lars Thomsen prevê que pelo menos seis marcas chinesas de automóveis lancem vários modelos em ambos os mercados até 2025. Estes lançamentos irão estimular ainda mais o mercado dos EUA para carros elétricos, já em franca expansão, e que teve um crescimento de 190% durante o ano passado. A China continuará a ser o maior mercado mundial para os VEB.

Os EUA preveem um mercado em expansão para veículos elétricos e infraestruturas de carregamento para além das regiões metropolitanas de hot-spots agora existentes. Especialmente, a entrada simultânea de vários intervenientes no principal mercado dos EUA para carrinhas de caixa aberta (pickups) irá impulsionar um salto de 15% ou mais na quota de veículos novos registados nos Estados Unidos a partir de meados de 2022. Dependendo da disponibilidade de baterias e veículos, a participação dos VEs nas vendas de carros novos nos Estados Unidos aumentará para 40% ou mais até 2025. Neste mesmo período de tempo, o volume da tecnologia de carregamento de VEs no mercado dos EUA pode aumentar vinte vezes ou mais em comparação com os dias de hoje.

Desenvolvimento das infraestruturas de carregamento na Europa

Estão a surgir diversas tendências no sector das infraestruturas de carregamento:

  • Para o carregamento CA na Europa, os dispositivos de carregamento trifásico de 11kW são a solução mais frequente: do lado do veículo, este tamanho de carregador embarcado é facilmente instalado e é capaz de carregar totalmente as baterias com 80 kWh ou mais durante uma noite;
  • Para o carregamento por corrente contínua, a conexão do Sistema de Carregamento Combinado (CCS) que fornece até 350 kW de potência de carga é a norma ao longo das autoestradas. Estão a começar a ser utilizadas instalações de 50 a 100kW em estruturas de estacionamento público, etc, em ambientes urbanos e em pontos de interesse;
  • Até 2024, praticamente todas as áreas de serviço das autoestradas na Europa estarão equipadas com ligações de carregamento rápido, o que implica enormes investimentos para os operadores das instalações. Estes custos serão transmitidos aos utilizadores sob a forma de preços relativamente elevados por quilowatt-hora (kWh), a não ser que os utilizadores celebrem um contrato premium com o operador em causa com uma taxa base mensal. As previsões atuais apontam para o estabelecimento de três a cinco redes em toda a Europa que competirão pela retenção de clientes a longo prazo, de forma semelhante às atuais operadoras de redes de telemóveis.

Portugal, um modelo pioneiro em termos de infraestrutura de carregamento que está a progredir a um bom ritmo

A partir de um modelo inovador no mundo que unifica todas as operadoras numa única rede pública de carregamento, a Mobi.E, 2021 foi para Portugal um ano marcado por diversos recordes nos números relacionados com a mobilidade elétrica. Segundo dados publicados pela Mobi.E, as vendas de automóveis elétricos aumentarem 49,1% em relação ao ano anterior. Por sua vez, o número de estações de carregamento da rede Mobi.E aumentou 66,5%.

A infraestrutura de carregamento também aumentou significativamente, atingindo agora 2.360 estações de carregamento, disponibilizando mais de 4.880 tomadas, o que se traduz numa taxa média de instalação de 18 estações de carregamento por semana.

No que diz respeito à infraestrutura de carregamento, é também de salientar o cumprimento das orientações definidas pelo Governo, quer em termos do aumento da rede Mobi.E, quer do reforço da rede em termos de potência com o crescimento significativo do número de estações com uma potência superior a 22 kWh para 567 (+117%), o que levou a uma potência de 106,1 MW no total da rede, mais de 1,5 vezes superior aos níveis de potência exigidos pelo futuro pacote legislativo da União Europeia.

Christoph Erni, fundador e CEO da Juice Technology, diz: “Tendo em conta estes números tão positivos, é de se esperar que a percentagem de veículos elétricos cresça a um ritmo notável nos próximos anos, juntamente com o desenvolvimento de uma infraestrutura de carregamento cada vez mais robusta sob a égide da Mobi.E. Penso que é sensato afirmar Portugal se vai tornar num mercado muito relevante para a mobilidade elétrica na Europa e para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas pela União Europeia”.

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