Estudo sugere que jogos de exercício como Ring Fit Adventure podem ajudar a reduzir sintomas depressivos

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Uma investigação com 84 adultos concluiu que um programa de oito semanas baseado num jogo de exercício físico da Nintendo Switch esteve associado a melhorias nos sintomas depressivos, ansiedade e qualidade do sono.

Um estudo financiado pela Jilin Association of Higher Education, na China, analisou se videojogos que incentivam a atividade física poderiam ajudar pessoas com sintomas depressivos em fases iniciais. Para tal, o grupo de investigadores recorreu em específico ao jogo Ring Fit Adventure, para a Nintendo Switch, como base para avaliar se este tipo de experiência poderia facilitar a prática regular de exercício.

O trabalho deu especial atenção à chamada depressão subclínica, uma situação em que uma pessoa apresenta vários sintomas associados à depressão, mas ainda não reúne os critérios necessários para um diagnóstico de perturbação depressiva major. De acordo com os investigadores, embora o exercício físico possa ajudar a reduzir estes sintomas, manter uma rotina consistente pode ser uma dificuldade para algumas pessoas.

Para perceber se um videojogo poderia ajudar nesse processo, os investigadores reuniram 84 adultos com este tipo de depressão subclínica e dividiram-nos em dois grupos. Um dos grupos participou num programa de oito semanas com Ring Fit Adventure, enquanto o outro continuou com as suas atividades habituais. Os participantes que utilizaram o jogo realizaram duas a três sessões por semana, com uma duração entre 50 e 60 minutos. No final da análise, o grupo que jogou Ring Fit Adventure apresentou uma redução mais significativa dos sintomas depressivos em comparação com o grupo que não alterou a sua rotina.

Os investigadores registaram também melhorias nos níveis de ansiedade e na qualidade do sono entre os participantes que utilizaram o jogo. Numa fase posterior, através de entrevistas, alguns participantes indicaram que a componente de jogo ajudou a tornar a atividade física mais apelativa e mais fácil de integrar na sua rotina.

A conclusão do estudo aponta que videojogos de exercício disponíveis comercialmente podem funcionar como uma forma acessível de incentivar a atividade física e apoiar pessoas com sintomas depressivos, pelo menos numa fase inicial. No entanto, os próprios investigadores não apresentam Ring Fit Adventure como um tratamento para a depressão, mas sim como um possível complemento. A investigação revelou, contudo, algumas limitações. A amostra analisada foi relativamente reduzida, com apenas 84 participantes, e serão necessários estudos mais alargados e aprofundados para perceber se os resultados se mantêm a longo prazo e se podem ser aplicados a outros grupos de pessoas.

Lançado em 2019 para a Nintendo Switch, Ring Fit Adventure combina exercícios físicos com elementos tradicionais de um jogo de RPG. Com recurso ao Ring-Con, um acessório em forma de anel equipado com os sensores dos comandos Joy-Con, e de uma correia para a perna, o jogo transforma movimentos como correr, saltar e realizar exercícios em ações dentro do próprio jogo. A aposta da Nintendo nesta área não começou com Ring Fit, no passado a empresa já tinha explorado o conceito de videojogos associados à atividade física com Wii Fit e Wii Fit Plus, e atualmente continua a lançar jogos outros com componente desportiva como o mais recente Nintendo Switch Sports e o recém-anunciado Nintendo Switch Sports Resort para a Nintendo Switch 2, sendo estes dois exemplos mais orientados para a diversão.

A utilização de videojogos com objetivos relacionados com saúde também já tem sido explorada noutras áreas. Por exemplo, em 2020, a Food and Drug Administration dos Estados Unidos autorizou o uso de EndeavorRx, desenvolvido pela Akili Interactive, como ferramenta digital destinada a ajudar no tratamento de determinados casos de perturbação de défice de atenção e hiperatividade.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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