Estação Sul e Sueste e Doca da Marinha abriram ao público

Lisboa está mais bonita e o Tejo é o principal protagonista.

Estação Sul e Sueste
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A Estação Sul e Sueste e a Doca da Marinha foram reabilitadas e abriram hoje ao público com condições únicas para a atividade marítimo-turística, o transporte fluvial entre as duas margens, novos espaços de lazer, esplanadas e um centro de promoção do rio.

O projeto apresentado hoje foi executado pela Associação Turismo de Lisboa (ATL), por incumbência da Câmara Municipal de Lisboa (CML), e integra várias iniciativas, todas elas interligadas, nomeadamente a reconstrução do Muro das Namoradeiras, a retirada do aterro do Cais das Colunas, a reabilitação e equipamento da Estação Sul e Sueste, a criação do Centro Tejo, a reabilitação da Doca da Marinha com quiosques, esplanadas e uma obra artística de Julião Sarmento, bem como a instalação das embarcações tradicionais do Tejo. Faz ainda parte desta renovação o Centro Interpretativo da História do Bacalhau, localizado no Torreão Nascente do Terreiro do Paço.

Esta reabilitação envolve o investimento de 30 milhões de euros, 75% dos quais provenientes das taxas turísticas e os restantes 25% de verbas asseguradas pela Associação Turismo de Lisboa.

Muro das Namoradeiras e retirada do Aterro do Cais das Colunas

Muro das Namoradeiras

A reconstrução do Muro das Namoradeiras envolveu a inventariação de mais de 400 pedras que haviam sido retiradas do local e se encontravam depositadas nas instalações do Metro da Pontinha e que regressaram ao Terreiro do Paço para serem remontadas de acordo com o traçado original. Os oito candeeiros que tinham sido retirados há mais de duas décadas voltaram também a ser colocados. Foi também retirado o aterro que existia desde essa altura, por causa das obras do Metro, entre o Cais das Colunas e a Praça da Estação Sul e Sueste, recuperando assim o relacionamento pleno com o Tejo que existia antigamente.

O espaço público da Praça Sul e Sueste foi requalificado, com alargamento e requalificação do espaço pedonal e zona verde. Foram também garantidos os interfaces de transportes públicos, nomeadamente para táxis, autocarros da Carris e autocarros de circuitos organizados, tendo ainda sido definida a zona para cargas e descargas. A saída de Metro para a zona poente da Praça, que se encontrava encerrada, foi reabilitada e aberta de novo.

O projeto de reconstrução do Muro das Namoradeiras e de reabilitação da Praça da Estação Sul e Sueste, que envolvem uma área de intervenção com cerca de 13 mil m2, são da responsabilidade dos arquitetos Bruno Soares e Pedro Trindade.

Estação Sul e Sueste

Estação Sul e Sueste

A Estação Sul e Sueste, da autoria de Cottinelli Telmo (1897-1948), foi inaugurada oficialmente a 28 de maio de 1932. Projetada para ligar Lisboa ao Barreiro por via fluvial, assegurando a ligação ferroviária entre o norte e o sul, foi, durante muito tempo, a porta de entrada para quem vinha do sul do país.

Depois de ter sido bastante adulterado ao longo dos anos, este edifício emblemático recupera agora o traço e a sua função original, pelas mãos da arquiteta Ana Costa, e transforma-se no ponto central da atividade marítimo-turística do Tejo.

O interior da sala principal da estação está agora devidamente equipado, respeitando a modernidade, escala e proporção que sempre a caracterizou, para agora receber oito bilheteiras de operadores que disponibilizam passeios turísticos, táxi barcos e viagens Hop On Hop Off no Tejo. São eles a Blue Cruises/Veltagus, a Douro Acima, a FRS, a Hippotrip, a Lisboat, a Nosso Tejo, a Pacífico Cruises e a Yellow Boat. Utilizarão também a Estação para embarque e desembarque dos seus passageiros, embora sem bilheteira no local, os operadores Sea View e Land Ahoy, esperando-se ainda a adesão de outros interessados.

Ficará também instalada na Estação Sul e Sueste a caravela Vera Cruz, que pertence à Aporvela, réplica da caravela de Pedro Alvares Cabral, que foi construída no âmbito das comemorações dos 500 anos da chegada ao Brasil. A caravela Vera Cruz ficará aberta a visitas.

A sala de espera da 1.ª classe passa agora a ser uma cafetaria, com esplanada e entrada pelo interior e exterior da estação, tendo sido restaurados os antigos azulejos, da autoria do pintor Alves de Sá (1878-1972). Completa a oferta um quiosque com esplanada e uma zona de estadia junto ao rio.

No projeto foi assegurada a articulação e ligação física com o terminal fluvial da Transtejo/Soflusa que faz ligação ao Barreiro, bem como a sinalética exterior a partir da estação da Transtejo e da Estação do Metro e um WC público.

Centro Tejo

Centro Tejo

No espaço que liga a sala principal da Estação Sul e Sueste ao terminal fluvial da Trantejo/Soflusa foi criado o Centro Tejo, um projeto do arquiteto Pedro Mendes Leal, em parceria com o arquiteto Tiago Silva Dias. Aqui, o visitante é convidado a descobrir o Tejo através de várias salas que se interligam entre si com temáticas diferenciadas.

Na sala da maqueta, onde antigamente era a sala de espera da 2ª classe, é possível conhecer o efeito determinante das marés na vida do Estuário, pois a mesma contém água e um sistema acionado por botões que permite fazer essa simulação. Na baixa mar vê-se uma enorme planície de iodo, onde vivem milhares de invertebrados marinhos que são a base da alimentação das aves aquáticas. Na subida da maré, esta planície fica inacessível e as aves procuram refúgio nas proximidades. No pinhal, centenas de garças constroem os ninhos. Também os flamingos abundam devido à existência de artémia, um crustáceo que origina a sua cor rosada.

Esta maqueta tem também a localização de museus, miradouros, moinhos de maré ou até mesmo a sinalização da área dos municípios que circundam o Tejo (Almada, Alcochete, Barreiro, Loures, Moita, Montijo, Seixal e Vila Franca de Xira, além de Lisboa), permitindo ao visitante perceber como o Tejo é um ponto de união das duas margens.

Na sala “Lugares” existem seis faróis onde são transmitidos vídeos sobre a oferta turística de Lisboa, Almada/Cacilhas, Moita/Barreiro, Montijo/Alcochete, Seixal e Vila Franca de Xira/Loures, mas também uma ilustração com um mapa que contém sugestões de visita, feito propositadamente para o efeito, o qual permite apreciar imagens dos locais assinalados através de QR codes.

Há ainda um espaço dedicado às pessoas com profissões ou atividades ligadas ao Tejo, onde poderão ver-se hologramas com depoimentos de António Antunes Dias, fundador da Reserva Natural do Estuário do Tejo; João Matias Marques, salineiro; Jaime Costa, mestre no Estaleiro Naval Jaime Costa; Susana Rosa, bióloga; Manuel Bonega, pescador; e João Gregório, mestre do varino Boa Viagem.

O espaço contém ainda informação sobre o local, sobre os principais acontecimentos associados à Estação Sul e Sueste ao longo dos tempos e sobre o ecossistema do estuário e as embarcações tradicionais.

O Centro Tejo tem ainda um Posto de Informação e Loja dedicados à disponibilização de informação útil sobre passeios para descoberta do Tejo e venda de artigos alusivos ao rio.

A entrada é gratuita e está aberto ao público todos os dias, das 10h às 19h.

Doca da Marinha

Doca da Marinha

A Doca da Marinha foi também reabilitada e aberta ao público pela primeira vez na sua história, tornando-se um grande espaço aberto para fruição de todos, com ciclovia, arborizado, com quiosques e esplanadas, áreas de lazer e lugar para eventos culturais, incluindo um vasto relvado, recebendo ainda pontões flutuantes para acolher embarcações tradicionais. Este é um projeto da autoria do arquiteto João Luís Carrilho da Graça, onde os peões e as vistas sobre a cidade e o rio recuperam prioridade face ao automóvel.

A primeira referência a embarcações tradicionais do Tejo foi feita por Estrabão, no século I AC, sendo que em 1820 existiam 2200 embarcações a circular no Estuário que, mais tarde, estiveram em risco de extinção com a diminuição do tráfego fluvial. Com o apoio da Marinha do Tejo, este património é agora valorizado, através da instalação de 25 embarcações tradicionais que rematam com a sua beleza o usufruto e movimento na Doca da Marinha e disponibilizam um diversificado leque de passeios no Tejo.

Nos quiosques concebidos no projeto de Carrilho da Graça foi feita uma instalação artística de Julião Sarmento, um conjunto de pinturas retro-iluminadas nas cores primárias (azul, amarelo e vermelho, a que se adiciona o branco) que se encontra visível nas faces dos três quiosques de apoio a esplanadas e no de informação e venda de bilhetes para os passeios nas embarcações tradicionais, que também dispõe de WC público.

A concessão dos três quiosques/esplanadas foi atribuída ao grupo BANANACAFE que, para além de ficar responsável pela oferta gastronómica de refeições rápidas e ligeiras, irá implementar um programa de animação anual e eclético. O quiosque de informação e venda de bilhetes será gerido pela ATL.

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