Ensaio Tesla Model S – Uma experiência eletrizante!

por Rui Farinha Pereira

Desta vez tive o prazer de testar o Tesla Model S 100D, que faz 4,3 segundos dos 0 aos 100km/h e tem um alcance de 632km (NEDC). O D no fim do nome significa que o carro é all-wheel-drive (AWD) com dois motores elétricos (um à frente e o outro atrás).

Mas reduzir a experiência de condução desta nave espacial com rodas a números será sempre redutor, passe a redundância. Ponto prévio, sou um daqueles petrolheads que adora o cheiro a gasolina, o barulho da rotação do motor a subir, e as mudanças de caixa feitas quando e como eu quero. Mas nada, absolutamente nada disto me fez gostar menos de conduzir este magnífico veículo fabricado pela Tesla e que nos foi cedido pela Tesla Portugal, através da sua loja no El Corte Inglés.

A ausência de ruído ao início estranha-se, sobretudo quando colocamos a mudança em “D” e esperamos ouvir um motor à nossa espera para arrancar. No entanto, é algo que acaba por não prejudicar em nada todas as sensações que recebemos a cada minuto que passamos dentro do Model S. E isto é válido quer para o condutor, quer para os restantes ocupantes.

A capacidade de aceleração coloca um sorriso no rosto a qualquer amante automóvel, surpreendendo qualquer ocupante mais distraído. É engraçado vê-los a tentarem colocar as mãos nas vulgares pegas do tejadilho… que o Tesla não tem.

Porém, toda esta aceleração e performance é sempre feita de forma tão linear e com um sentimento de segurança tão amplo, que mesmo para quem não goste particularmente destas “aventuras”, não os coloca numa posição de medo, mas sim de descarga de adrenalina pura e dura.

O Model S é muito mais do que performance. Muito, muito mais. Se esta já chega para deixar para trás grande parte do mercado automóvel, é a sua estrutura tecnológica que impressiona em cada detalhe. Botões!? Temos apenas dois, o dos quatro piscas e um outro para abrir o compartimento do porta-luvas. Tudo o resto é comandado através do impressionante, e muito responsivo ecrã de 17 polegadas situado a meio da consola.

É a partir deste ecrã que comandamos cada detalhe do Model S, desde as coisas mais comuns como a navegação, multimédia e ligação ao smartphone, mas também o tipo de condução, altura da suspensão, abertura do teto panorâmico, entre outras opções. Perderia vários parágrafos aqui a explicar ao detalhe cada e todas as opções existentes. Para isso, caros leitores, remeto-os para o site da Tesla.

A autonomia anunciada é de cerca de 632 Km, mas creio que cerca de 500 e mais uns pozinhos seria mais ajustado, tendo em conta uma condução normal. Digo com isto que, nem sempre a fundo, nem a “pisar ovos”. Na minha opinião, estes números são mais que suficientes para convencer até o mais cético sobre as autonomias dos veículos puramente elétricos como é o caso. Aproveito para dizer que, ao utilizarmos a navegação, e caso o destino não esteja ao alcance da autonomia, o software procura automaticamente pelos locais de carregamento pelo caminho, indica onde parar e por quanto tempo parar, facilitando ao máximo a experiência de condução.

Tive a oportunidade de testar vários tipos de carregamentos, como o “carregamento no destino”, disponível em vários hotéis e restaurantes e onde consegui carregar a uma média de 85 km/hora, como no Tesla SuperCharger em Alcácer do Sal com uma média de 170 km/hora. E ainda experimentei o SuperCharger de Montemor, onde carregou a uns impressionantes 600 km/hora. No mapa, são indicados todos os locais de carregamento destinados ao Tesla. Preço dos carregamentos efetuados? 0€!

Já que falamos de viajar, aproveito para referir a capacidade de armazenamento: Bagageira traseira de 750L + bagageira dianteira de 59,5L, números mais que suficientes para transportar o necessário para uma família ir de férias.

Durantes os meus percursos, quer em autoestrada quer em estradas nacionais, tive também oportunidade de testar, em várias circunstâncias, o autopilot. Este Tesla tem o AutoPilot 2, que recorre a oito câmaras, visão 360º, radar e 12 sensores.

O Autopilot 2 permitirá uma condução 100% autónoma no futuro. Este sistema está a receber atualizações de forma constante para melhorar, e, de futuro, permitirá a condução completamente autónoma, assim que a legislação o permita. Para já, o sistema está feito para funcionar tendo o condutor as mãos no volante e olhos na estrada. E a verdade é que me surpreendeu pela segurança que transmite.

Tudo acontece de forma suave e sem causar momentos de receio, seja na mudança de faixa (ativada pelo pisca), nas acelerações e reduções, em curvas mais ou menos apertadas e até em situações de suprimento da faixa. Well done, Tesla!

Os recursos que temos hoje com o Autopilot 2 são: Cruise control, Autosteer (segue as linhas brancas da estrada), Auto Change lane – ativando o pisca, o carro vai mudar de linha/faixa automaticamente para o lado que selecionamos -, Autopark e o Summon (os recursos que temos na aplicação de telemóvel para mover o carro).

Falando ainda de condução, devido a terem mantido o peso em baixo, ele fica com um excelente centro de gravidade. Não há uma grande transmissão de feedback para a direção, mas a mesma é precisa e rápida o suficiente para fazer o S sentir-se bastante ágil, especialmente dado o tamanho do mesmo.

Quem já leu o artigo até aqui decerto percebeu que fiquei completamente rendido a esta, e perdoem-me utilizar esta expressão novamente, nave com rodas! Aconselho a todos os que o possam experimentar que o façam. Vai mudar o vosso paradigma em relação ao mercado aeronáutico, perdão, automóvel!

Falemos agora de design. O Tesla Model S é imponente, largo, com ar musculado com as suas jantes de 21 polegadas que equipavam a versão ensaiada. Faz rodar cabeças, e é pelas melhores razões.

O interior, embora minimalista, tem excelente qualidade de acabamento e não falta absolutamente nada. O conforto é muito acima da média, proporcionado por bancos muito bem concebidos e com uma facilidade de ajuste que vai agradar a qualquer um (bancos estes que são aquecidos, bem como o volante). Também gostei bastante da posição de condução.

O Model S é também livre de poluição, dentro e fora do carro. Contém um HEPA de nível médico – exclusivo na indústria automotiva – que filtra o ar externo de pólen, bactérias, vírus e poluição antes de circular dentro do carro. Existem três modos: circular com o ar externo, re-circular o ar e um modo de defesa de arma biológica que cria pressão positiva dentro da cabine para proteger os ocupantes (percebem agora porque por vezes lhe chamo nave!?)

Atrás falei da aplicação da Tesla para utilização do Summon, mas é através da mesma que podemos também colocar o carro em modo sentinela – por exemplo, ativamos sensores e câmaras e controlamos a temperatura ambiente do mesmo, existindo muitas mais funcionalidades com as quais não vos vou agora enfadar (embora as mesmas não tenham nada de enfadonho).

O Tesla Model S traz credibilidade, luxo e alcance útil ao mercado de carros elétricos.

Com um carro de luxo, porém, a Tesla achou mais fácil ganhar paridade de preço e desempenho com seus rivais. Tem sido capaz de oferecer uma vasta gama através da montagem de variadas baterias e encontrou uma base de clientes mais aberta à nova tecnologia e com mais recursos no seu trabalho e em casa para contrariar os inconvenientes.

Uma vez mais, digo e repito: well done, Tesla!

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